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Seriam necessários
milhares de tambores de óleo de peroba para lavar a cara dos políticos que
gerenciam os negócios municipais, estaduais e federais. Ou dos que fingem
representar os interesses da população. Apesar
do evidente crescimento econômico do País e de regiões secularmente exploradas
pelos coronéis donos dos currais eleitorais das áreas da cana-de-açúcar e também urbanas, é vergonhosa a falta de compostura
dessas elites. No começo do Século XX, marcado pelos efeitos sinistros da grande seca que
assolou Pernambuco na década de 30, e provocou o grande êxodo rural que resultou
na ocupação desordenada dos morros, mangues e alagados da Região Metropolitana
do Recife, a classe média incomodada com a presença dos retirantes nas imediações de suas casas e
propriedades, forçou o governo a deslocar essa colossal massa humana para áreas mais distantes. O
Ibura, uma área que abrangia extensas terras devolutas ou ocupadas por
canaviais ao sul da capital, foi escolhido como destino dos excluídos do
asfalto. Isso, entretanto, não impediu que os morros da RMR se transformassem nas áreas
concentradoras da maior demanda populacional
daquele século.
Intenções dialéticas à parte, a verdade é que o crescimento econômico dessas
últimas décadas não se transformou efetivamente em reais melhorias das condições de vida de
grande parte da população que habita as periferias. O número de escolas é
insuficiente para atender a demanda de uma população em crescimento acelerado
nessas áreas. Faltam professores, equipamentos de mídia e bibliotecas. A área
de saúde é ainda mais precária. São poucos os postos de saúde e nos que
existem faltam médicos, equipamentos,
remédios. Não há segurança para as pessoas que trabalham ou estudam à noite. A iluminação pública é precaríssima. Falta
energia em áreas das comunidades. A água tratada não chega regularmente às casas. As ruas são estreitas,
esburacadas e sem sinalização. As casas dos morros e becos sinuosos que muitas
vezes não levam a lugar nenhum, pela falta de estrutura e requisitos básicos de
higiene e segurança, ferem a dignidade do cidadão E para complicar o quadro de si já bastante
difícil, implantaram nas periferias um
serviço de transporte público de passageiro integrado ao metrô que tem infernizado a vida das pessoas que
precisam desse sistema de transporte. Reduziram o número de ônibus que saem das
comunidades, os trens do metrô chegam à estação pertinente já superlotados,
dificultando a vida de idosos, mulheres com crianças de colo e portadores de
deficiências. São todos colocados num mesmo balaio, como se fossem sardinhas
apanhadas no defeso.
E nesse caminhar
passivo como bois tocados para o matadouro, os cidadãos das periferias vivem
uma situação deveras inusitada. Em plena era do avião supersônico, das viagens
ao espaço, do trem bala, das cidades aéreas ou subterrâneas, da produção
industrial em alta rotatividade e das tecnologias digitais de ponta do .com que estreitam os espaços e encurtam
as distâncias, os moradores da periferia vão ficando .sem moradias condignas, sem
transporte, sem saúde, sem educação, sem segurança, sem cidadania.
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