IRMÃO É TODO DIA
Interessante como o capitalismo
tem a capacidade de ir aos poucos
destruindo a personalidade das pessoas. Sentimentos que ainda sacodem as
emoções do ser humano vão sendo destroçados pela sana da ganância sem limites.
Depois de desumanizadas, as pessoas transformadas em meros robôs consumistas, se tornam presas
fáceis do comércio voraz por lucro
em cada evento dessa natureza. A
sociedade, submissa como a boiada que caminha para o matadouro, de há muito já
perdeu a noção de grandeza dos sentimentos humanos. Não precisa sentir, basta
demonstrar que sente. E nessa coisa fria, desprovida de emoções e muitas veze
cercada de interesses quase sempre inconfessáveis
o ser humano afunda no lodaçal da conveniência. Os valores humanos vão ficando no passado. Restam as aparências. Este comentário vem a propósito do que
se comemora no dia de hoje. Dia do Irmão.
Como se os laços de família, a solidariedade entre os parentes, principalmente
entre os irmãos, fosse algo tão vago que só se pronuncia num dia do ano.
Sou do tempo em que a família era
o esteio da sociedade. Quando os irmãos se abraçavam todos os dias no encontro
de ida e volta do trabalho. Era um abraço carinhoso, um desejando sinceramente êxito
ao outro. Bem diferente desse clima de competição no seio da família que nos
restou. Hoje, os irmãos competem por uma pretendente a namorada, põem casca de
banana no caminho do outro para que ele não seja ultrapassado em questões de
emprego, amor ou reconhecimento social. A sociedade em que nasci e me criei se alicerçava
numa família unida no trabalho, solidária na dor e festiva para homenagear um
que se destacasse na cena social. Havia um pai, centro e referência da prole,
uma mãe dedicada no trabalho de criar e educar os filhos, que eram irmãos no
amor e na esperança por dias melhores para todos eles, e todo um segmento de parentes e aderentes que
seguiam normas éticas e princípios que caracterizavam o grupo familiar. Nesta
data não dou presente aos meus irmãos nem os recebo deles, porque o maior presente que nos damos é
a visita fraterna, o respeito e a lembrança dos dias em que vivemos no convívio
de uma família cujos membros na sua maioria já se foram.
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