NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;
NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;
EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.
NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;
EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.
domingo, 23 de outubro de 2011
BIRONGA - O TRAPALHÃO
Emílio J. Moura
O nome já não recomendava. Bironga é lá nome de gente! Mas era assim mesmo que ele se chamava. Criatura esquisita! Profissão: ignorada. Endereço: múltiplos e duvidosos, nenhum localizado em qualquer tentativa. Sua principal característica era a maneira elegante de se vestir. Boa beca, pisante bico fino; dentes brancos e brilhantes, aquele sorriso sempre aberto. O que às vezes atrapalhava era a cor. Sua pele era escura, e não é segredo para ninguém: negro nunca deixou de ser discriminado. Mas você pensa que ele se incomodava com isso? Que nada! Ele zombava de tudo e de todos. E vivia de explorar pessoas incautas que precisavam resolver algum negócio ou problema mais emergente.
Era despachante, enfermeiro, araque de polícia, feirante nas cidades mais próximas. Sabia de tudo, e na verdade não sabia de nada. Se você tinha uma pendência junto ao órgão de trânsito, Bironga se apresentava como despachante. E em poucos dias, você estava recebendo seus documentos ou sua quitação. Se você estava enfermo, sofreu uma queda ou coisa assim, Bironga fazia curativo, arranjava remédios ou dava uma ajudazinha num internamento. Agora, se o problema era bronca com a polícia... não havia bronca nenhuma. Bironga tinha livre acesso a comissários, delegados e até a juízes. Quando o dinheiro estava mais folgado, e Bironga queria se esquivar de alguma sujeira que havia pintado no pedaço, lá estava ele nas feiras das cidades mais próximas vendendo tecidos, sapatos e toda sorte de bugigangas.
No fundo, Bironga era um pilantra. Não tinha família, ninguém sabia de onde ele era; sequer uma referência para subsidiar uma ficha de inscrição para um emprego podia apresentar. Mas era namorador. E pulador de cerca. O cara era tão esperto que mesmo sem um trabalho formal nunca deixava de ter um dinheirinho para a cerveja no bar de seu Zeca quase todo fim de noite. E Não raro provocava separação de casais, pois tinha lá sua lábia para conquistar mulheres incautas. E olha que muitas dessas mulheres tinham maridos bem situados na vida – alguns eram comerciantes, inclusive o próprio Zeca. Mas foi nesse requisito que Bironga se ferrou.
Talvez esse tenha sido o motivo que o fez pular de galho em galho. Como surgiu ali do nada, é possível ter surgido em outros lugares da mesma maneira. Flagrado na cama com a mulher de Nicolau, Bironga escapou por um triz. Nicolau nunca tinha perdido uma peleja para ninguém. Era um homem temido no lugar. Bironga fez pouco caso dessa ameaça potencial, e junto com Guiomar, que também não levou em consideração o perigo que corria traindo o marido na própria cama, praticou esse ato de loucura. Guiomar se deu mal; tomou uma baita surra e foi expulsa de casa, despida. Já Bironga, agindo feito gato acuado, escapou como que pelo telhado, e desapareceu sem deixar vestígios. Sequer passou em casa (um barraco de um cômodo) para pegar seus poucos pertences. Por certo, continuou em seu triste destino, fazendo das suas mirongas por essas biroscas da vida.
10.10.2008
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EM BUSCA DA ADOLESCÊNCIA
(RECANTO DE POESIA)
FELICIDADE
Emílio J. Moura
Abre-se do mundo a larga porta
Por onde passam criaturas apressadas;
Pra onde vão; de onde vêm, não importa;
Urge caminhem céleres, angustiadas.
Caminham todas imersas na pobreza,
Movidas pelo sentimento da esperança
De um dia encontrar a vã riqueza
Que nunca se vê ou se alcança.
Ó, criaturas pobres e insensatas,
Buscando alhures felicidade decantada,
Emoções incertas, assim, inexatas!
Buscas na tua alma a pureza,
E a encontrarás, segura, levantada,
Dentro de ti, no regaço da natureza..
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