Tecidos contaminados provenientes de lixo hospitalar dos Estados Unidos vem sendo desembarcados no Porto de Suape-Pe. e reprocessados no Polo de Confecções do Agreste de Pernambuco. Segundo vem sendo divulgado nas mídias nacionais, um carregamento de 46 (quarenta e seis) toneladas de tecidos com características de lixo hospitalar foi apreendido em contêiner desembarcados de navios no porto acima citado. Mas a história desses desembarques não se encerra com essa apreensão da mercadoria indesejada. Pelo menos, nos últimos quatro anos outros contêineres foram desembarcadados em Suape. Difícil é calcular a quantidade - em toneladas - de tecidos que desembarcou aqui em Pernambuco. Esse período de quatro anos és estimativa baseada na informação prestada por gestores de hospitais pernambucanos que compraram os tecidos em causa e os usam desde então. Há quanto tempo esse negócio vem sendo feito em Pernambuco? Só em Pernambuco? Hospital cearense e hotéis em outras cidades pernambucanas também usam lençóis com logomarcas de hospitais norte-americanos. Será que o porto de Pecém-CE. também não está sendo utilizado como base para esse tipo de negócio? Em várias cidades brasileiras foram encontradas peças de reoupa de uso hospitalar com logomarcas estrangeiras. Não é só dos Estados Unidos que a muamba vem. Vestuários com componentes de origem portuguesa igualmente foram encontrados no Brasil. Sem contar que hospitais brasileiros também fazem parte da lista dos fornecedores desses produtos. Uma tal Clínica São Lucas, de São Paulo, tem sua marca gravada em forros de bolsos de calças e bermudas vendidas em Salvador-BA.
A presença do FBI, a Polícia Federal Americana, nas investigações pode ser útil, ou, inversamente, pode indicar que tudo vai terminar num jantar de despedida regado a pizza e muito vinho para se informar que "nada foi apurado". A postura das autoridades policiais e sanitárias locais é de certo modo de frouxura. Há, nesse jogo, interesses de setores poderosos do mercado nacional.
Voltando ao Polo de Onfecções do Agreste, onze cidades o compõem, no entanto as maiores atividades industriais e de vendas se concentram em três municípios do Agreste pernambucano: Santa Cruz do Capibaribe, Caruaru e ToritamaO Polo de Confecções do Agreste, segundo o Sindicato da Indústria do Vestuário de Pernambuco, tem números expressivos: 22.000 mil empresas; 150 mil empregos formais e informais; 11 cidades produzem confecções; 80% do faturamento do Estado em confecções estimado em 3.5 bilhões de reais ao ano vem do polo; 700 milhões de peças de vestuário é a produção do polo; 30% é o aumento das vendas previsto para o último trimestre do ano; 15% de todas as confecções vendidas no Brasil provém do polo do Agreste pernambuano.
Santa Cruz do Capibaribe produz malhas e sedeia o maior centro de compras atacadista da America Latina, através do Moda Center, com 707 lojas e mais de 9.620 boxes; Caruaru se notabiliza pela famosa Feira da Sulanca, um evento que às terças-feiras atrai ao Município milhares de revendedores e consumidores de confecções de todos os tipos; Totitama, especializaou-se na produção de jeans e possui um formidável número de lavanderias industriais.
O empresário Altair Teixeira de Moura, proprietário da empresa Império dos Forros de Bolso, é apontado como responsável pela importação do lixo hospitalar descoberto pelas autoridades sanitárias do Estado no porto de Suape. As investigações, baseadas nas informações contidas nas notas fiscais que acompanhavam o material irregularmente importado, levaram as autoridades ao polo de confecções do Agreste. Os empresários do setor temem uma queda das vendas devido ao impacto que as notícias sobre o uso de material contaminado nas confecções do polo pode produzir no público consumidor. De fato, logo depois das notícias as lojas dos três principais centros de produção do polo sofrem redução de até 50/60% em suas vendas.
Nos três municípios citados foram localizadas peças produzidas a base do lixo hospitalar importado: lençóis, fronhas, jalecos e outras peças com manchas de sangue misturados a seringas e agulhas, luvas, gazes e outros materiais, tudo usado. O enorme volume de tecidos contaminados encontrados em vários depósitos da região constitue uma ameaça à saúde dos trabalhadores do polo de confecções e aos consumidores dos produtos. Forros de bolsos e panos de limpeza em pacotes foram localizados em diversos depósitos. As peças de forro estavam sendo utilizadas há vários anos na confecção de vestuários. Segundo autoridades sanitárias e fontes do Ministério Público, todo esse material foi utilizado sem ao menos ser lavado. Mas, segundo Jaime Brito, da Vigilância Sanitária, o material não oferece riscos aos consumidores, pois, na produção das calças de jeans nas indústrias de Toritama os tecidos são submetidos a grandes temperaturas. Essa versão parece querer esconder alguma coisa. O que é submetido a essas temperaturas elevadas é o jeans no seu processo de fabricação, não havendo informações de que as calças que saem da linha de produção tenham passado por esses procedimentos de esterilização. As peças de roupas confeccionadas em Santa Cruz do Capibaribe e Caruaru também não são necessariamente submetidas a esses longos e custosos procedimentos.
Discussão de riscos à parte, a importação de lixo hospitalar traz sim enormes perigos à saúde de trabalhadores e consumidores de produtos para cuja confecção não é necessário o processo de esterilização. Além, evidentemente, dos danos ao meio ambiente local onde são jogados vírus e bactérias que podem sofrer mutações genéticas num novo ambiente e gerarem novos e perigosos processos infecciosos nos seres humanos.. O maior dano, todavia, é à imagem do País, que passa a ser rotulado de importador de lixo hospitalar, não bastassem os vários episódios de descobertas de importações fraudulentas de “produtos recicláveis” em vários portos do País. Produtos esses que eram na verdade lixo industrial, doméstico e urbano de países europeus.
Não faz muito tempo, dois navios carregados com "produtos tóxicos" oriundos dos processos de produção das indústrias químicas europeias foram intercepatados pelas autoridades brasileiras. O lixo tóxico vinha para ser depositado no Brasil, já que nenhuma indústria loca estava apta a repocess-lo. Os navios foram obrigados a retroceder, e levarem a carga de volta ao seus países. Não se investigou quem importou o material. E ainda agora, a cada instante a imprensa denúncia a entrada no Brasil de lixo em contêneres importado como se fosse "material reciclável". Pelo menos, está se investigando os "importadores", e o lixo devolvido aos "exportadores". E assim, o Brasil, até que se ponha um basta nessa bagunça, vai se tornando o grande lixão do mundo.
_Texto refundido por apresentar erros e duplicidades de informações.

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