PARA ONDE VAI NOSSA EDUCAÇÃO?
Passou o dia do professor. Os mestres nem se despuzeram a comemorar. Também, comemorar o que? Um professor municipal recebe em média 660,00 reiais por mês e um professor estadual algo em torno de 1 mil e 120 reais, isso para executar as mesmas taefas nos dois níveis da administração pública. O exemplo extraímos do caso de uma professora de matemática do estado de Minas Gerais - um dos mais ricos da Federação. Ela ensina em dois turnos: manhã e noite. No primeiro caso, trabalha com alunos do Fundamental e do Médio. À noite, só alunos do ensino média, e neste caso leciona física. Que faz um professor com um salário de 1.780 reais? E olha que nossa professora trabalha dia e noite. Prepara as aulas, confecciona e aplica provas. Para não gastar dinheiro com transporte vai para a escola mais distante pedalando uma bicicleta. No horário noturno, vai a pé mesmo. Vamos repetir a pergnta: que faz um professor trabalhando em dois turnos e recebendo 1 mil 780 reais?
O professor precisa se apresentar bem diante da turma. Necessita, pois, comprar roupas e calçados. Só? Não: precisa se atualizar lendo revistas técnicas, livros especializados e frequentando seminários, etc. Revistas e livros são caros! Muito acima do poder de compra de um professor nessas condições. E sendo uma mulher, ainda tem que atender mais requisitos no campo da beleza. Precisa ter boa aparência diante dos alunos. Cosméticos não são tão baratos assim. E cuidar do cabelo, das unhas, da pele,da moradia; médico, destista, enfim, da saúde. O básico de tudo isso é a alimentação. E ai o professsor vai ao supermercado e adquire apenas aqueles produtos básicos da cesta de alimentos. Não se pode negar que a saúde do professor não anda nada bem. Exatamente porque sua alimentação não é a desejada para uma pessoa com essa função.
E a educação no Brasil, como vai? Mal, é claro. Porque quando os professores não estão bem essa situação se reflete na sua produção didática, com reflexos na qualidade do ensino. O programa da merenda escolar - isso ocorre em todo o País - muitas vezes funciona como alternativa de alimentação para os professores. Um erro menor que a política salarial praticada no ensino brasileiro. Observem que falamos da escola pública. O professor da escola particular não vive tão melhor assim! Na maioria das escolas particulares as condições de salários e de trabalho são idênticas às da escola pública. E esse professor ainda é privado de fazer uma boquinha com a merenda escolar, que não existe no setor privado da educação. Na verdade, o quadro aqui traçado é típico de Capitais de Estados e Regiões Metropolitanas que funcionam em seu redor. Ou de outros grandes centros urbanos. Se considerarmos os municípios, notadamente aqueles mais afastados das regiões metropolitanas, a situação é ainda mais calamitosa. Ali muitos prefeitos desviam verbas dos fundos de manutenção do ensino básico. Escamoteiam o dinheiro da merenda escolar e não pagam os pisos salariais da categoria. No interior, alunos sem merenda é certeza de evasão escolar. Muitos dos alunos dos rincões deste País têm na merenda escolar sua única opção de uma alimentação diária minimamente decente. Ou então vão ajudar os pais na roça ou perambularem pelas ruas das cidades. E o PETI vai para as cucuias. E o professor deses lugares? Em alguns deles recebem menos do que um salário-mínimo!
Para onde vai esse ensino? Que educação é essa que se pratica neste Pais? O ensino vai afunilando, com uma grande evasão escolar. Os professores vão abandonando a sala de aula em busca de um trabalho que lhes garanta um mínimo de subsistência. Conhece-se aqui na Cidade o caso de uma famoso professor de matmática que insatisfeito com os baixos salários que recebia abandonou a sala de aula e foi trabalhar como barbeiro e motirista de taxi. Durante o dia é o barbeiro da comunidade e à noite é o motorista de taxi. E, assim, com evasão de alunos e desistência de professores, sem uma educação de qualidade, o futuro deste País vai se tornando cada vez mais nebuloso.

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