PACIENTES DO SUS SEM ATENDIMENTO
Reivindicando maiores salários e melhores condições de trabalho, médicos do SUS realizam hoje paralização nacional de 24 horas. No Recife, os grevistas aproveitaram a greve doando sangue e convidando a população para doarem sangue ao Hemope. Realizaram ainda aferições de prssão arterial e de níveis de glicose no sangue no Parque da Jaqueira, centro da cidade. Muitos médicos, que não são bestas, usaram o tempo não trabalhado para uma esticadinha até à praia.
SAÚDE NO BRASIL VIVE ESTADO DE CALAMIDADE
A greve nacional dos médicos do SUS por melhores salários é apenas um aperitivo para se abordar a questão da saúde no País inteiro. A maioria das cidades brasileiras, excetuando as capitais, não têm hospitais equipados de forma a atender a crescen demanda por serviços de saúde. Os planos de saúde vivem um momento de indefinição diante das novas regras de atendimento impostas pelo governo. O grande número de motociclistas acidentados e de vítimas crescentes de acidentes de trânsito ocupam os leitos de emergências dos grandes e médios hospitais. Hospitais de municípios do interior não têm condições de atender demandas de média e grande complexidade, alguns sequer tem médico em todos os plantões. O resultado de tudo isso é a concentração de doentes nas grandes emergências das capitais. Os postos de saúde na maioria das cidades também não têm especialistas que possam fazer o atendimento básico de saúde nas comunidades. Assim, a saúde pública vai se tornando essa calaminade nacional que envergonha e revolta o cidadão que precisa dos seus serviços. A cada dia se repete em todo o País esse espetáculo vergonhoso de pacientes que precisam urgentemente de uma UTI e é obrigado a migrar para cidades vizinhas ou distantes da sua em busca dessa oportunidade. Há poucos dias, no Rio Grande do Sul, uma mulher grávida de gêmeos, e com a bolsa de um deles já estourada, teve que viajar quase 600 quilómetros em mais de 6 horas numa ambulância sem suporte para esses casos. Esse não é um "privilégio" do grande Estado dos Pampas Brasileiros. Na maior cidade do País, São Paulo - maior centro gerador de riquezas do Brasil, é comum a queixa de falta de atendimento médico para uma parcela significativa da população. A falta de atendimento, real ou digno, é uma constante em todo o País. E é por essa omissão das autoridades encarregadas de planejar e executar os programas nacionais de saúde que esse setor vai ficando cada vez mais carentes. Não é por falta de dinheiro, não; é descaso mesmo, ausência de civismo, falta de vergonha.

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