V E X A M E?
Após as duas semanas dos Jogos Panamericanos de Guadalajara vemos na maioria dos casos de insucesso o uso da expressão vexame. Tal fato mostra o quanto o brasileiro ainda não é preparado para a derrota. Em alguns casos, a palavra não cabe. Vejamos exemplos.
No futebol masculino, o Brasil era representado por uma seleção alternativa. Não havia possibilidade de desfalcar os clubes na reta final do Campeonato Brasileiro. Então, o técnico Ney Franco teve de convocar jogadores inexperientes (a maioria coadjuvante ou reserva nos seus clubes). A surpresa seria um resultado diferente do obtido pelos jogadores na Olimpíada da Américas.
A seleção feminina de futebol não tinha as suas duas expoentes no cenário internacional. Martha e Cristiane ficaram de fora da competição por estarem em reta final de negociação de contrato com os seus clubes na Europa. Mesmo assim, as meninas chegaram até a decisão do torneio e perderam para o Canadá, campeão da Copa Ouro feminina, vencendo na final as americanas, atuais bicampeãs olímpicas.
Já no basquete masculino, o técnico Rubem Magnano foi contrariado pela Confederação Brasileira de Basquete (CBB). A entidade o obrigou a convocar alguns jogadores da seleção principal que atuam em clubes do Brasil, casos de Marcelinho Machado e Guilherme Giovanonni. Mesmo assim, o time estava muito enfraquecido sem os seus principais jogadores (Marcelinho Huertas, Marcus Vinícius, Alex Garcia, Thiago Splitter, e Rafael Hetssheimer, só para não citar os que atuam na NBA). Como falar de fracasso se o time estava desfalcado? É bom lembrar que a geração atual não é das mais brilhantes. Por isso, qualquer falta pode ser nociva ao desempenho do conjunto em quadra.
Um caso onde a expressão vexame pode ser bem empregada é o do basquete feminino. Após ganhar a Copa América com os pés nas costas, as comandadas do técnico Ênio Vecchi foram até ao México pensando em arrasar as adversárias. Havia ainda o reforço de Iziane, ausência pouco sentida, diga-se de passagem, no torneio pré-olímpico. Porém, as brasileiras foram derrotadas por um ponto nas semifinais para Porto Rico e tiveram de se contentar com o bronze.
Como foi dito no início do texto, o brasileiro ainda lida muito mal com as derrotas. Arruma motivos os mais estapafúrdios possíveis e esquece que do outro lado existe um adversário com a mesma vontade de vencer e, às vezes, mais qualificado. Por isso, chama qualquer resultado que não seja a medalha de ouro de vexame. Porém, as situações deveriam ser observadas caso a caso para a História não ficar marcada por injustiças.
NOTA DA MODERAÇÃO: O artigo VEXAME? é da autoria de Emilio Eduardo Morais de Moura, professor de história e expert em esportes. O texto recebido via e-mail foi publicado na íntegra e reflete a opinião pessoal do autor.

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