Berço da Democracia, núcleo da Civilização Ocidental, a Grécia se redime dos erros que vem cometendo contra seus cidadãos. Depois de muitas lutas nas ruas das principais cidades contra os pacotes elaborados pelo Banco Central Europeu e órgãos de controle da Comunidade da zona do euro, eis que o primeiro-ministro Georges Papandreou, a beira de ver seu governo desmoronar por um voto de desconfiança do Parlamento Grego, toma uma medida que faz lembrar os velhos tempos. Decide que as medidas impostas pela Comunidade de Nações que formam a zona do euro devem passar pelo crivo de um referendo popular para ter validade. Isso mesmo, o povo soberano é que decide se quer se submeter às exigências de outras nações.

Verdade que a economia da Grécia de há muito chegou ao fundo do poço. Com uma moeda fraca, endividada interna e externamente, contas sempre no vermelho, altas taxas de desemprego, o governo grego recebeu sinalização da União Europeia para ajudar na sua recuperação econômica. O preço dessa ajuda, no entanto, é muito alto. Demissão de milhares de servidores públicos, redução dos salários dos trabalhadores, freio nos investimentos para formar poupança que garanta o pagamento da transferência de fundos, entre outras medidas impopulares. A reação popular foi imediata. Pior: a oposição ganhou musculatura e convocou assembleia para decidir sobre o futuro do governo.
Noutra frente, além dos aportes de recursos já aprovados e parte já transferida para o governo grego, um grupo de nações europeias da zona do euro resolveu esta semana reduzir a dívida externa grega, perdoando metade dos ativos dessa dívida. A benevolência europeia coincide com a reunião do G-20, o grupo das vinte nações mais ricas do mundo, Brasil no meio, que se reúne a partir de amanhã em Cannes. O encontro dos líderes mundiais visa encontrar saídas para a crise econômica que atinge todos os países. Principalmente, buscar uma forma de minimizar os efeitos da crise sobre os países mais pobres, combater a fome que atinge extensas áreas da África e de algumas regiões da Ásia e fomentar o combate às doenças. A notícia da decisão grega pegou de surpresa os líderes europeus e certamente amedrontou os demais líderes mundiais que já estão na França.
George Papandreou propõe referendo popular para aprovar as medidas impostas pelo BC Europeu
A medida adotada por George Papandreou pode ter um efeito redentor e efetivo, preservando seu governo, retomando o crescimento econômico do País, ou, inversamente, sob pressão das lideranças internacionais, apressar a queda do primeiro-ministro e transformar a Grécia num campo de batalha que acabe numa guerra civil. Seja lá como for, as medidas adotadas pelo governo remete aos primórdios da Grécia, que ensinou a todos as nações que o governo delas é o povo. É a redescoberta da democracia, a reafirmação do princípio da soberania e da autodeterminação dos povos.
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