NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

LIBERDADE, LIBERDADE! ABRE  AS ASAS SOBRE NÓS



Todos pedem liberdade; todos clamam por direitos. Liberdade de expressão, direito de ir e vir. Liberdade de reunião, direito de fazer o que quiser.

Que liberdade é essa que tanto se pede e nunca satisfaz aos que pedem?

Será que você pede liberdade para expressar suas apreensões quanto ao que vem por aí? Ou você exige mais direitos para continuar gritando contra tudo e contra todos?

Quais são suas reais apreensões? Você teme que lhe calem a voz com medidas arbitrárias? Ou você acha que tem pouco espaço para vociferar em casa ou em público? Afinal, que liberdade é essa pela qual você tanto sonha? Do alto dos meus mais de setenta anos de idade, tendo atravessado dois regimes ditatórias e lutado contra essas ordens de exceção, confesso que não compreendo bem o que é que você chama de liberdade. Segundo entendo, liberdade é uma dessas franquias democráticas consagradas nas constituições de todas as nações livres. E a tradição democrática ensina que ser livre é ocupar com racionalidade seus espaços de cidadania, vivenciando-os com compreensão e humildade, e exercer plenamente seus deveres de cidadão consciente do equilíbrio necessário à harmonia entre os seres humanos. É essa a liberdade que você reclama? Você está de posse de seus direitos constitucionais, e exerce realmente esses direitos? Se a resposta é afirmativa, o que é que tanto o preocupa?

Arrisco questionar: a liberdade pela qual você roga é mesmo essa faculdade de poder decidir sobre o que quer e para onde você pode ir ou vir ou é um desejo contido de poder fazer o que bem quiser, pouco lhe importando se sua ação vá incomodar ou prejudicar outrem? No caso afirmativo dessa última parte da pergunta, você estará confundindo liberdade com libertinagem. Você é, neste caso, uma pessoa com sérios problemas conceituais. Mais do que isso: você é uma pessoa em estado de perigo. Você está preste a tentar contra sua própria segurança.

Liberdade, no seu sentido lato, pressupõe domínio dessa faculdade de poder decidir o que é bom para você e para as outras pessoas. Implica afirmar que você é livre para pensar seu bem próprio e defender o bem-estar dos seus semelhantes. Em uma palavra: você é uma pessoa solidária. Caso contrário você não é livre coisa nenhuma. É, sim, escravo de aspirações nem sempre legítimas. É prisioneiro de concepções mentais, psicológicas e sociais deformadas. Está a um passo do fundamentalismo libertário, que no final das contas acaba abandonando a idéia de liberdade para impor vontades. Para defender a Liberdade é preciso libertar-se primeiro. Liberta-se de preconceitos; libertar-se de discriminações étnicas, raciais e sociais. Desarraigar-se de pressupostos políticos partidários e entender que ainda somos humanos, suscetíveis, portanto, de falhas e fracassos, mas potencialmente capazes de ações coerentes e conduta nobre.

Protejamo-nos, pois, sob as asas da liberdade, que nos alçará a um mundo pleno de Paz e Amor. Ou, ao contrário, se não a soubermos usar, poderá constituir-se em grilhões que nos manterão presos às paixões nem sempre nobres e a interesses que não são as legítimas aspirações da raça humana.

Enquanto não nos entendermos sobre o conceito real de liberdade, cantemos com o samba- enredo carioca: Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós...

                                                                                                                                             02.04.2007

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