E N E M 2011
UM CASO DE POLÍCIA
O USO DE QUESTÕES DE CADERNOS DE TESTES PELO COLÉGIO CHRISTUS CONSTITUI UMA APROPRIAÇÃO INDEVIDA E UM MAU EXEMPLO PARA A JUVENTUDE * HÁ INTERESSES EM JOGO * O MINISTÉRIO PÚBLICO DEVERIA ANALISAR A QUESTÃO E PEDIR ABERTURA DE INVESTIGAÇÃO POLICIAL * O SINDICATO DOS PROFESSORES DO CEARÁ TAMBÉM TEM UM PAPEL IMPORTANTE NA QUESTÃO, SE ISENTO *
A decisão da Justiça Federal no Ceará anulando 13 questões do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) aplicado há poucos dias em todo o território nacional pode trazer prejuízos incalculáveis para milhões de pessoas que se submeteram aos testes de conhecimentos gerais. O magistrado, mal assessorado ou talvez arrogante, não levou em consideração os aspectos éticos da questão, cingindo-se, como é comum em decisões judiciais, a considerar os argumentos constantes dos autos de provas compostas de declarações de professores e alunos de um colégio particular cearense onde houve apropriação indevida de questões pertinentes ao ENEM. A decisão é algo dúbia, inconclusa e pode ser revista através de recursos. A questão deve ser despolitizada. O MEC realiza testes anuais para avaliar a qualidade dos testes que serão aplicados em âmbito nacional. Esses testes são localizados, não têm caráter nacional. E foi justamente num colégio onde testes preliminares foram realizados há uns dois anos que surgiram as denúncias de “vazamento”. Não houve vazamento de questões. Houve, sim, má-fé de professores ou da direção do colégio, em usando questões de Cadernos de Testes de Qualidade do Exame, ludibriar a opinião pública e tentar privilegiar seus alunos em detrimento da grande maioria dos demais candidatos aos exames.
Se não houve vazamento, conforme afirma o INEP, houve, então, o uso indevido de material pertencente ao MEC. Os alunos do colégio CHRISTUS, bem como os professores que utilizaram as questões em provas internas, estão ai a gritar contra os exames do ENEM recentemente aplicados. Querem a anulação das provas do ENEM em todo o território nacional e realização de novas provas. Eles têm o direito de espernear, é um ponto pacífico da Constituição, do Direito Civil e da Democracia. Mas não podem agir em causa própria, alegando inocência. Também os professores que elaboraram as provas internas, e agora fazem coro uníssono com os alunos, agiram de forma antiética, para dizer o mínimo. E o colégio CHRISTUS, que diz? Seus diretores são condutores da juventude e guardiães da lisura do ensino. Não podem concordar com essa palhaçada que visa beneficiar uns poucos alunos filhinhos de papai em detrimento de milhares de outros, na sua maioria oriundos de escolas públicas e sem o poder de contratar advogados famosos para os defenderem.
O Ministério Público deveria ter outra postura no caso e de forma mais vigorosa, apreciar a questão sob esse ângulo do beneficiamento indevido de alunos de colégio particular, denunciar a manobra e pedir a abertura de inquérito policial para investigar a forma como as questões do ENEM, que são de propriedade e responsabilidade do INEP, foram implantadas em provas internas de escola particular. A bancada da educação da Câmara dos Deputados faz vistas grossas para a questão. Também pudera! Os donos de colégio (ou seus representantes) que compõem essa bancada torcem pelo fracasso do ENEM como opção para substituir o velho e decadente vestibular. A forma antiga lhes é mais palatável, pois representa mais lucros.
E assim, a partir de um fato isolado que a esperteza de alguns alunos ajudados por alguns professores, e com a conivência dos diretores da escola CHRISTUS, tenta manchar um programa que vem se esforçando para se afirmar como forma viável de avaliação de conhecimentos básicos, pode acabar num caso de polícia, onde se identifiquem os responsáveis por essa tentativa de lesar o ensino no País. O Sindicato dos Professores do Ceará, se for agir de forma isenta, deve pedir essa investigação. Deve ser de seu interesse identificar e punir exemplarmente os responsáveis. Esse é também um papal da educação.

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