NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

             A  FALÊNCIA DAS  IDEOLOGIAS
O SONHO FOI REALMETE UM SONHO * FALIRAM O SISTEMA ECONÔMICO CAPITALISTA E O MODELO DE SOCIEDADE SONHADO * A GLOBALIZAÇÃO É TÃO VELHA QUANTO A COLONIZAÇÃO  E OPRESSÃO DOS POVOS  DOMINADOS * O MUNDO PRECISA DE NOVAS INSTITUIÇÕES; QUAIS?


As notícias vêm de todos os lugares. Dos centros econômicos e sociais mais sofisticados, como o centro financeiro de Nova Iorque, passam pelas cidades europeias socialmente mais desenvolvidas, atravessam recantos conservadores distantes e com visão de mundo diferente da nossa, como as nações de cultura muçulmana; descabam em países pobres do hemisfério sul, e, como não podia deixar de ser, se alastram também pela cidades brasileiras. Quaisquer que sejam os slogans ou bandeiras que apresentem; indiferente a qualquer conotação política, a verdade é que o mundo está em convulsão. Na Europa, há o medo de uma recessão; os Estados Unidos têm déficit maior do que o PIB; no Oriente Médio, terras de tradições milenares, há insurgências populares em praticamente todos os países. A África, afunda na miséria e na ignorância de povos secularmente explorados. Na América do Sul, pequenos países como a Bolívia podem se esfacelar e fazer nascer outras nações, como é comum na África. No Brasil, movimentos populares contra a corrupção pipocam nas capitais e grandes cidades, lembrando a época dos caras-pintadas que levaram à deposição de Collor.

Os analistas mais isentos procuram uma explicação para esse fenômeno. Tem-se que deixar de lado a politização dos fatos, evitando que grupos partidários tirem proveito da situação e contribuam para piorar ainda mais o cenário de crise que se atravessa nessa encruzilhada humana. Mas os analistas não encontram explicações, e continuam fazendo mais perguntas. Vivemos um momento histórico em que as grandes questões mundiais não terão respostas por um bom tempo; elas serão alimentadas pelas perguntas que se sucedem a cada episódio. As tentativas de se dá solução pontual ao problema que é global têm-se revelado inócuas, quando não desastrosas. Cada nação ou grupo de nação tem um projeto, ou elaboram projetos para enfrentar a crise. As nações mais poderosas, que há séculos sugam recursos das mais dependentes do ponto de vista econômico, têm projetos para seus problemas, que se resolvidos dessa forma agravarão o quadro geral. As potêncis econômicas e militares não pretendem perder um centímetro de terreno para as nações menos desenvolvidas. No meio dessa discussão encontram-se os chamados emergentes, Brasil e China no meio, que adotaram providências monetárias e cambiais que se não as blindaram dos efeitos catastróficos da crise que avassala todos os mercados, pelo menos serviram de barreiras para minimizar os efeitos dessa crise em suas economias.

A Europa – quem diria! – é o cerne da grande crise e o centro irradiador das tensões que inquietam o mundo inteiro. Países como Itália e Espanha, buscam soluções políticas conservadoras para seus velhos problemas econômicos. A mudança de governo nesses dois países não tem como dá respostas positivas aos problemas do conjunto das nações do Bloco Europeu da zona do euro. Assim como a ajuda econômica à Grécia, que também muda de governo, não vai tirar do fundo do poço a nação que irradiou saber e serviu de base para a cultura ocidental. A Inglaterra, escudada em sua moeda forte, procura resistir à crise. Mas o abalo é muito forte, e mexe com suas estruturas econômicas. A Alemanha, maior centro produtor e exportador do Velho Continente, sofre redução em suas atividades industriais. A França, não tem fôlego para navegar sem derivas nesse mar tempestuoso da economia europeia contemporânea. Pior: há indícios de recessão em todo o continente, e se isso não for revertido, os efeitos dessa queda de produção dos grandes centros industriais afetarão todos os outros países, inclusive os Estados Unidos.

Qual a saída?

Eis ai mais uma pergunta que se vai juntar às que vêm sendo feitas nestes últimos anos.

Parece que não tem saída. O perigo de tudo isso é que a Europa sempre resolveu suas crises fazendo guerras. Há clima para guerras num mundo de mercado unificado como o europeu? A pergunta é mais uma que se faz. Mas, pelo menos a esse respeito, parece haver uma resposta: não. O mundo mudou, a Europa mudou. A globalização tornou cada nação dependente da outra. Para se montar um motor de carro as peças são fabricadas em diversos países.

Então, que está acontecendo no cenário internacional? Esta pergunta pode ser igual às outras; mas pelo menos se abre uma janela para enxergar melhor a crise. E a primeira impressão que se tem é que essa crise representa o cansaço ideológico da globalização. E no rastro desse cansaço, pensando-se num sentido mais amplo, vai a falência do sistema capitalista conservador e depilador de energias já esgotadas. Os pensadores modernos, principalmente depois dos anos 50 do século passado, imaginaram que tudo que havia sido estabelecido estava superado. E chegaram à conclusão de que tudo devia ser mudado. Era o pós-modernismo. Só não pensaram num modelo ideológico que pudesse ocupar o lugar da massa falida da sociedade superada. A globalização não era nenhuma novidade, já existia e começara a funcionar desde muito tempo atrás, quando Estados Unidos e Europa dominaram o mundo, transformando-o num imenso feudo, colonizando povos e dominando culturas. O resultado de tudo isso está ai. A insatisfação generalizada contra o sistema. O melhor exemplo disso é ver a intelectualidade norte-americana ocupando espaços nas praças de Nova Iorque, protestando contra o capitalismo superado e sanguinário que os sufoca.

Vivemos, pois, o pós pós-modernismo. Um enorme vazio cujo abismo se aprofunda a cada tentativa de solução. Faliram o sistema econômico e o modelo de sociedade que não passou de um sonho, faliram os sonhos de um geração deslumbrada que não sabia que o progresso só se atinge com trabalho e respeito, começando por cada um respeitar seus próprios limites. Estamos órfãos de ideologias! E de instituições sustentáveis.

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