DEMOCRACIA
A propósito da matéria A Falência das Ideologias recém-publicada pelo blog questiona-se sobre se o conceito ali exposto se aplica também à instituição chamada Democracia. A Democracia, no nosso entender, é uma concepção de convivência interna de cada povo e de suas relações políticas, econômicas e diplomáticas com os demais povos. Não há, no rigor do termo, uma Democracia pronta, acabada. Repita-se que a Democracia é uma concepção de prática política consensual. Mesmo nas nações mais desenvolvidas, não se encontra uma prática democrática em sua inteireza. Concebe-se, sob essa epígrafe, o estabelecimento de um sistema político onde haja oportunidades para todos. Na sua etimologia, democracia vem de demos, termo grego para povo. Seria, pois, o regime do povo. Isso acontece em alguma parte do Mundo? Um dos maus exemplos de Democracia são - paradoxalmente - os Estados Unidos. Ali, durante centenas de anos, os negros foram calados, segregados. É bem recente a ação de integração racial americana. Foi introduzida no Tio Sam pelo governo do presidente John Fitzgerald Kennedy, no começo da década de 60 do século XX. Kennedy teve a ousadia de misturar raças numa civilização cujas bases raciais são uma mistura de descendentes de povos europeus altamente preconceituosa. As ações de Kennedy davam continuidade aos movimentos da sociedade civil organizada dos Estados Unidos, liderados pelo pastor negro Martin Luther King, conhecido o mártir da não violência, também assassinado pelos grupos segregacionistas americanos. Ainda hoje, em muitos estados norte-americanos, procura-se complementar a implantação das leis de integração racial criadas no governo Kennedy. Nesses estados, ainda existem bairros e escolas só para negros, onde os brancos não põem os pés. Situação essa bastante sulrealista para uma nação com o perfil internacional dos Estados Unidos.
O melhor exemplo de Democracia é o da Inglaterra (Reino Unido). Ali, o governo parlamentarista é eleito de forma indireta, pois os eleitores elegem apenas os deputados, e estes escolhem o primeiro-ministro. Mas, a Inglaterra bicameral, tem uma instância parlamentar vitalícia, composta por elementos da alta linhagem da sociedade – os Lords, indicados pelo chefe do governo monárquico. É interessante lembrar que foi um inglês – Winston Churchill (1874-1965), primeiro-ministro do Reino Unido durante a II Guerra Mundial, quem afirmou que “ A Democracia não é um regime ideal, mas nunca se inventou algo melhor”.
No Brasil, Democracia é um termo indefinido, como convém a uma palavra que indica concepção. Infelizmente, essa indefinição faz com que o chamado “jogo democrático” seja no nosso País um joguete de interesses mesquinhos das classes políticas, das elites. Um País de enorme potencial de recursos naturais, humanos e tecnológicos que podem ser transformados em riqueza, quando o é, os bônus do desenvolvimento ficam em poder das elites; os ônus são socializados, isto é, caem nas costas do povão.
Democracia plena seria aquela em que os recursos do desenvolvimento melhorassem a vida dos povos, de todas as nações. Com educação universalizada e de qualidade, com saúde plena e acessível a todos os indivíduos, transporte coletivo rápido, limpo, regular, ligando todos os pontos das regiões e cidades. Emprego pleno, com renda condigna para os trabalhadores. Um governo onde os cidadãos tivessem a liberdade de caminhar livremente, sem temerem ser emboscados lá na esquina. Onde as crianças desde cedo tivessem o amparo da sociedade, ofertando-lhes oportunidades de lazer e bem-estar, livrando-as do tráfico das drogas e se prepaando para um futuro tranquilo.Liberdade de expressão, crença e direito de reunião. Sem esquecer que direitos plenos subtendem deveres conscientes, espírito de cidadania. Em uma palavra, Democracia só existe quando a estrutura de governo sob sua égide seja montada de baixo para cima, isto é, com um povo livre, esclarecido e soberano decidindo seus destinos.
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