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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

                       UNIÃO   EUROPEIA:
                                   OU LARGA O EURO OU IMPLODE

Desde a década de 50 do século passado que as nações europeias buscam uma fórmula capaz de congregá-las sob um estatuto político e econômico comum. Unificaram procedimentos para a política energética, com o tratado sobre o carvão. Vieram as políticas agrícolas e sobre pesca. Deliberaram sobre a comercialização do aço e dotaram medidas protecionistas que reforçassem as relações comerciais e protegessem seus produtos. Finda a Grande Guerra, em 1945, a Europa estava como terra devastada. As diversas políticas nacionais não ajudavam na recuperação da economia combalida e na reconstrução de pequenas nações dizimadas pela guerra. A primeira medida efetiva nesse sentido foi a criação da Comunidade Econômica Europeia, com o estabelecimento do Mercado Comum Europeu. As primeiras tentativas animaram os europeus do Ocidente, principalmente para fazer face ao poderio militar e econômico do Leste. As dissidências do bloco soviético já eram bastante visíveis, mas ainda assim a União Soviética representava sério perigo à estabilidade política do Continente.

Finalmente, em 7 de fevereiro de 1992, com a assinatura do Tratado de Maastricht, é constituída a União Europeia, uma organização supranacional que institucionaliza um grupo de nações sob um regime jurídico e econômico unificado e com um papel político a direcionar as medidas a serem adotadas por seus países-membros.

A União Europeia é composta de 27 países, sendo que 11 deles não adotaram a moeda comum europeia: o euro. Entre os países europeus da zona do euro são encontrados os mais ricos do Continente; a Inglaterra, contudo, não abriu mão de sua forte moeda- a libra esterlina. A União Europeia, nos moldes em que foi ciada, era uma promessa de sucesso. Ficou na promessa. A França, que sempre aspirou ao comando das ações econômicas mundiais, foi perdendo terreno. Não conseguia fazer frente ao crescente poderia militar, tecnológico e econômico dos Estados Unidos. E o regime híbrido de sua estrutura parlamentarista acabou jogando a Nação num atoleiro.

A União Europeia de hoje é uma saco de gatos. Com todos os seus países atolados em dívidas, não se vislumbra, a curto prazo, uma saída para a grande crise econômica que se abate sobre a organização e sobre a Europa como um todo. Verdade que essa crise econômica é mundial, mas ela rebate com toda força sobre a Europa. Nos Estados Unidos, o jogo de cintura do presidente Barack Obama e a própria instituição americana tem meios para superar qualquer crise que ameasse a estabilidade econômica do País. Um ajuste político, um acordo com o Congresso e tudo se resolve. A União europeia, não. Para salvar a instituição é necessário um volume de dinheiro que o Banco Central Europeu não possui. O BCE não financia dívidas de governos, e são justamente os governos europeus da zona do euro que estão afundados em dívidas. Nações como a França e a Itália, ambas de economia sólida, estão patinando nos desmandos de seus governantes e na insustentabilidade dos seus regimes políticos em épocas de crise. A Itália, dentro de um turbilhão de problemas políticos, não tem como sair da crise sem ajuda externa. Seu déficit supera seu PIB, e vai crescendo geometricamente. Portugal e Espanha ficaram mais pobres depois que adotaram o euro. A Grécia faliu, e sua recuperação econômica está difícil de ser alcançada. Os países que integravam o bloco soviético e que foram admitidos à União Europeia são uns penduricalhos a complicarem a estabilidade do bloco.

Qual a saída?

Depois de muitas reuniões, que se repetem semanalmente, nenhuma solução visível. Os países emergentes, como China e Brasil, são agora citados pelas autoridades da União Europeia como alternativa para uma saída. Mas tanto China como Brasil, devidamente advertidos do enrosco que é a EU, passaram colocar condicionantes para ajudar os europeus. As condições chinesas certamente não serão aceitas, o Brasil sem duvidas aproveitará a oportunidade para conseguir alguns dividendos econômicos e políticos.

Finalmente, muitos experts já vislumbram o desmoronamento total do sistema europeu do euro. A Grécia, sem salvação, deve deixar de lado o euro e retomar sua antiga moeda. Portugal e Espanha talvez precisem seguir também esse caminho. E essa ideia deve crescer no seio dos líderes dos países-membros depois que as atuais gestões forem substituídas por novas lideranças. O euro pode até se fortalecer e o sistema político do grupo se revigorar. Mas o contrário é uma hipótese mais viável. A história relata que essas fusões dificilmente dão certo. Principalmente quando os indivíduos nacionais são tão heterogêneos como os 27 países que compõem a União Europeia, com destaque para aqueles que compõem a Eurolândia. Se o euro vai continuar sendo uma forma insuficiente de se equilibrar as contas europeias, os países da EU ficam diante de duas saídas: ou largam o euro ou o euro acaba com a organização.

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