DE LUCY A
ARDI – A EVOLUÇÃO HUMANA
IMAGENS DE ARDI. À
direita, o fóssil de 4.5 milhões de anos descoberto na Etiópia. À esquerda, a
reconstrução artística do perfil do hominídeo, uma fêmea ancestral mais próxima do homem de hoje.
Até agora falamos da Terra como
cenário do mundo animal. Florestas enormes, matas, savanas, mares sem fim,
rios, lagos; já temos atmosfera, pois os gases da vida preenchem todos os
espaços. Intensa atividade vulcânica molda a superfície do Planeta. Pressão
atmosférica e outras condições climáticas favorecem o crescimento de muitas
espécies animais. Aparecem os mamíferos. Estranhas criaturas se arrastam sobre
a crosta terrestre; outras se esforçam
para alcançar as folhas nas copas das árvores mais altas; bichos esquisitos vão
da terra às águas e vice-versa. Alguns têm garras enormes e asas de grande
envergadura, voam e habitam montanhas e florestas. Outros, grandalhões
desajeitados, emitem sons horripilantes. De repente, os grandalhões
desaparecem. O planeta já não lhes é favorável. A Terra fica escura, a
vegetação escasseia, nuvens de poeira impedem a passagem dos raios solares. Que
aconteceu? O mundo vai esfriando, segue-se uma longa glaciação. Milhares de anos depois, a vida animal vai se
firmando sobre a Terra; só sobrevivem à glaciação aquelas espécies que
resistiram ao longo período de frio e fome e se adaptaram às novas condições de
um ambiente natural que se expandia.
Na Era Cenozóica, no período terciário, aparecem as aves, os répteis,
os mamíferos, os primatas. Em períodos variados, surgem primatas que se
destacam dos demais animais pela destreza com as mãos e pela maneira de
caminhar. Ficamos diante do Australopithecus afarensis, um símio de uma raça
mais desenvolvida. A hostilidade do ambiente os obriga a procurar abrigo em
cavernas. São muito vulneráveis, mas já demonstram algum senso de organização
primária. Ao que parece, tinham vida curta. O primeiro espécime de primatas que
confundiu muitos cientistas foi reconstituído a partir de um crânio. Era o Australopithecus
Africanus, localizado na África 3 mil e 200 anos atrás, mais próximo do
chimpanzé. Na década de 70 do século passado são encontrados numa caverna da
Etiópia restos fósseis de um espécime a que se deu o nome de Lucy. Tratava-se
de uma raça de hominídeos que por suas habilidades de subir árvores, caminhar
sobre duas pernas, manejar armas de caça rudimentares já não poderia ser
confundido com um simples chipanzé. A
evolução orgânica e mental era evidente. A cientista Ivonne Rebeyrol, em longo estudo publicado em 1994,
afirma que os arqueólogos trabalharam com mais ou menos 40% dos restos fósseis do
espécime conhecido por Lucy. Seja lá como for, estamos diante de um fato da
mais alta importância. Um animal com
habilidades manuais e alguma destreza mental aparece no relato antropológico há
3.5 milhões de anos.
Na mesma Era Cenozóica, lá pelo Período
Quaternário, há 4.4/4.5 milhões de anos, aparece nos anais arqueológicos,
uma descoberta fantástica, arrancada pelos cientistas de cavernas na Etiópia, o
fóssil de Ardi. O fóssil de Ardi
está praticamente completo, o que possibilitou estudos mais avançados do que os
realizados com Lucy. Ardi é um hominídeo que embora guarde alguma relação
física com um símio tem características semelhantes às humanas, é o mais antigo
e completo fóssil dos ancestrais humanos. A evolução da raça humana ainda está
longe de ser contada através de uma história consistente, mas Ardi é o elo
entre os hominídeos e o homem atual que a ciência precisava encontrar.
-NOTA DA MODERAÇÃO: texto
em nova postagem com correções de alguns dados históricos.
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