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domingo, 9 de junho de 2013




DE  LUCY A  ARDI – A EVOLUÇÃO  HUMANA


   
IMAGENS DE ARDI. À direita, o fóssil de 4.5 milhões de anos descoberto na Etiópia. À esquerda, a reconstrução artística do perfil do hominídeo, uma fêmea  ancestral mais próxima do homem de hoje.

Até agora falamos da Terra como cenário do mundo animal. Florestas enormes, matas, savanas, mares sem fim, rios, lagos; já temos atmosfera, pois os gases da vida preenchem todos os espaços. Intensa atividade vulcânica molda a superfície do Planeta. Pressão atmosférica e outras condições climáticas favorecem o crescimento de muitas espécies animais. Aparecem os mamíferos. Estranhas criaturas se arrastam sobre a crosta terrestre; outras  se esforçam para alcançar as folhas nas copas das árvores mais altas; bichos esquisitos vão da terra às águas e vice-versa. Alguns têm garras enormes e asas de grande envergadura, voam e habitam montanhas e florestas. Outros, grandalhões desajeitados, emitem sons horripilantes. De repente, os grandalhões desaparecem. O planeta já não lhes é favorável. A Terra fica escura, a vegetação escasseia, nuvens de poeira impedem a passagem dos raios solares. Que aconteceu?  O mundo vai esfriando, segue-se  uma longa glaciação.  Milhares de anos depois, a vida animal vai se firmando sobre a Terra; só sobrevivem à glaciação aquelas espécies que resistiram ao longo período de frio e fome e se adaptaram às novas condições de um ambiente natural que se expandia.
Na Era Cenozóica, no período terciário, aparecem as aves, os répteis, os mamíferos, os primatas. Em períodos variados, surgem primatas que se destacam dos demais animais pela destreza com as mãos e pela maneira de caminhar. Ficamos diante do Australopithecus afarensis, um símio de uma raça mais desenvolvida. A hostilidade do ambiente os obriga a procurar abrigo em cavernas. São muito vulneráveis, mas já demonstram algum senso de organização primária. Ao que parece, tinham vida curta. O primeiro espécime de primatas que confundiu muitos cientistas foi reconstituído  a partir de um crânio. Era o Australopithecus Africanus, localizado  na  África 3 mil e 200 anos atrás, mais próximo do chimpanzé. Na década de 70 do século passado são encontrados numa caverna da Etiópia restos fósseis de um espécime a que se deu o nome de Lucy. Tratava-se de uma raça de hominídeos que por suas habilidades de subir árvores, caminhar sobre duas pernas, manejar armas de caça rudimentares já não poderia ser confundido com um simples chipanzé.  A evolução orgânica e mental era evidente. A cientista Ivonne  Rebeyrol, em longo estudo publicado em 1994, afirma que os arqueólogos trabalharam com mais ou menos 40% dos restos fósseis do espécime conhecido por Lucy. Seja lá como for, estamos diante de um fato da mais alta importância. Um animal  com habilidades manuais e alguma destreza mental aparece no relato antropológico há 3.5 milhões de anos.  
Na mesma Era Cenozóica, lá pelo Período Quaternário, há 4.4/4.5 milhões de anos, aparece nos anais arqueológicos, uma descoberta fantástica, arrancada pelos cientistas de cavernas na Etiópia, o fóssil de Ardi. O fóssil de Ardi está praticamente completo, o que possibilitou estudos mais avançados do que os realizados com Lucy. Ardi é um hominídeo que embora guarde alguma relação física com um símio tem características semelhantes às humanas, é o mais antigo e completo fóssil dos ancestrais humanos. A evolução da raça humana ainda está longe de ser contada através de uma história consistente, mas Ardi é o elo entre os hominídeos e o homem atual que a ciência precisava encontrar.   
-NOTA DA MODERAÇÃO: texto em nova postagem com correções de alguns dados históricos.

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