LEMBRANDO
“GORDURINHA”
“Um baiano, um coco;
Dois baianos, dois
cocos;
Três baianos, uma
cocada;
Quatro baianos, uma baianada.”
As estrofes acima fazem parte de uma composição musical do
baiano Gordurinha. Radialista, produtor, diretor, compositor, ator, comediante
e cantor, Gordurinha era atração imperdível do público pernambucano na hora do almoça nas décadas cincoenta/sessenta.
Crítico dos costumes da sociedade
brasileira, esse baiano de larga inteligência que escolheu a cidade do Recife para viver não poupava nada nem ninguém. De estilo fortemente
popular, embora possuidor de uma cultura refinada, o artista baiano era temido
pelas elites. Dai ter trânsito livre em todos os meios sociais. Ninguém se
atrevia contrariá-lo. Cada dia era um tema picante reportado através de sua
verve humorista e interpretado pelo elenco que dirigia. Às segundas-feiras,
então, era impossível não ligar o rádio para ouvir a “crônica social” , espécie
de editorial que retratava o comportamento das camadas sociais no fim de
semana.
Foram muitas as composições musicais e as esquetes criadas
por Gordurinha. Numa delas, ele criticava o esquema de segurança da cidade que
então tinha apenas três emissoras de rádio, “a quarta emissora que anda pelas
ruas espalhada, devendo nenhum brasileiro, nem eu querer ir por lá”, era uma
alusão a rádio patrulha que estreava novo sistema de vigilância com viaturas
equipadas com rádios. Nessa composição que abre essa crônica, o
artista, depois de brincar com seus conterrâneos, afirma também que “Baiano burro nasce morto”.
Saudades de Gordurinha,
que conhecia bem a alma do povo
brasileiro.
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