DIA DOS NAMORADOS DE ANTANHO
Mais do que um ensaio do São
João, 12 de junho era um dia especial para todas as famílias. Das cidades e do
campo. Primeira colheita do milho verde plantado lá na ribanceira, no caso do
interior, a data mexia com o emocional de jovens e adultos. À tarde, a fogueira
já estava erguida e na cozinha o bater de panelas indicava que havia muito
trabalho. Canjica, pamonha, pé-de-moleque, manuê, mungunzá, bolos diversos,
milho cozido, tudo fumaçando sobre a mesa ricamente colorida por esses quitutes,
e aquela reserva de milho para assar na fogueira que já começava a crepitar ao
cair da noite. As moças começavam a chegar para a festa vestidas nos seus modelos de chita e com seus
cabelos trançados ou seus chapéus de palha e os rapazes já estavam se acomodando
do frio a pouca distância da fogueira. O
sanfoneiro começava a arrancar os
primeiros arranjos do fole rouco e os casais se formavam. Dali, entre um
pratinho de canjica no intervalo das danças e um segredinho contado ao pé do
ouvido, nasciam promessas de amor eterno. Que quase sempre se cumpriam
numa relação consensual de casais que tinham no trabalho sua principal forma de
lazer. Não havia o hábito de trocar
presentes, pois o maior presente que os anfitriões queriam receber era a presença dos amigos e a certeza de que
os filhos de todos eles tinham se comprometido, e já estariam casados no
próximo dia dos namorados.
Bandeiras coloridas enfeitavam o
arraial em volta das residências. A comida dava para todos, e sobrava para alimentar
os remanescentes indormidos no café do dia seguinte. Coloridos mesmo estavam os
corações dos jovens que se acertaram num compromisso de convivência e as
cabeças dos pais que só desejavam ver seus filhos felizes; uma gente simples,
sem rusgas religiosas e harmonizada no
propósito de servir antes de ser servida. Dia dos Namorados, com seus rituais
exóticos, era um hino ao amor e à vida. Tempos antigos que as querelas dos dias
atuais não apagam da memória de quem os viveu.
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