NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

quinta-feira, 13 de junho de 2013


  DIA DOS NAMORADOS DE ANTANHO
Mais do que um ensaio do São João, 12 de junho era um dia especial para todas as famílias. Das cidades e do campo. Primeira colheita do milho verde plantado lá na ribanceira, no caso do interior, a data mexia com o emocional de jovens e adultos. À tarde, a fogueira já estava erguida e na cozinha o bater de panelas indicava que havia muito trabalho. Canjica, pamonha, pé-de-moleque, manuê, mungunzá, bolos diversos, milho cozido, tudo fumaçando sobre a mesa ricamente colorida por esses quitutes, e aquela reserva de milho para assar na fogueira que já começava a crepitar ao cair da noite. As moças começavam a chegar para a festa  vestidas nos seus modelos de chita e com seus cabelos trançados ou seus chapéus de palha e os rapazes já estavam se acomodando do frio  a pouca distância da fogueira. O sanfoneiro  começava a arrancar os primeiros arranjos do fole rouco e os casais se formavam. Dali, entre um pratinho de canjica no intervalo das danças e um segredinho contado ao pé do ouvido,  nasciam promessas  de amor eterno. Que quase sempre se cumpriam numa relação consensual de casais que tinham no trabalho sua principal forma de lazer.  Não havia o hábito de trocar presentes, pois o maior presente que os anfitriões  queriam receber  era a presença dos amigos e a certeza de que os filhos de todos eles tinham se comprometido, e já estariam casados no próximo dia dos namorados.
Bandeiras coloridas enfeitavam o arraial em volta das residências. A comida dava para todos, e sobrava para alimentar os remanescentes indormidos no café do dia seguinte. Coloridos mesmo estavam os corações dos jovens que se acertaram num compromisso de convivência e as cabeças dos pais que só desejavam ver seus filhos felizes; uma gente simples, sem rusgas religiosas  e harmonizada no propósito de servir antes de ser servida. Dia dos Namorados, com seus rituais exóticos, era um hino ao amor e à vida. Tempos antigos que as querelas dos dias atuais não apagam da memória de quem os viveu.

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