NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

terça-feira, 18 de junho de 2013


                O POVO NAS RUAS
Esses dois dias de manifestações populares nas ruas das capitais  e cidades maiores do País  indicam que o grito de há muito preso na garganta do povo brasileiro foi expelido para se transformar  num ato de afirmação de sua cidadania.  Ainda sem uma tradição  democrática consistente, o povo brasileiro mostra a cara e diz para que serve o dispositivo constitucional que  atribui a ele a fonte de emanação do poder  de governar. As “Diretas já” e “O fora Collor”,  manifestações populares  que respectivamente contestaram a ditadura e o governo fanfarrão de Fernando  Collor, foram ensaios importantes para o movimento ora em curso nas ruas do País.  Esse movimento, impessoal, apartidário e sem chancela de grupos de qualquer  natureza , não é contra governo, contra qualquer partido ou religião, mas contra o sistema político-ideológico das elites que governam o Brasil desde que ele é república.
A insatisfação popular cresce a medida que melhora as condições de vida de boa parte da população. Isso tem sentido.  O sangue, o suor e as lágrimas do trabalhador  que constrói  a riqueza do País não podem continuar explorados pelas elites políticas que sempre dominaram a cena econômica  brasileira. Ainda não há um foco definido para a luta que está só começando. É preciso afastar da cena do movimento oportunistas de última hora,  baderneiros contumazes e vândalos sem noção. A luta é do povo, e o povo brasileiro  é pacífico por natureza. E é pacificamente que esse povo vai exigir mudanças estruturais, como reforma política, troca das lideranças corruptas ou não comprometidas com o bem estar  do povo,  reforma do sistema agrário, educação pública, gratuita e de qualidade em todos os níveis de ensino, saúde preventiva e curativa, ampla e de padrão mundial para toda a população. Essa exigência popular vai chegar a movimentação do dinheiro retido nos bancos, fazendo-o rodar na criação de emprego e renda para a população. Transporte público de qualidade acessível aos moradores dos mais distantes arrabaldes, com definição de um modal ferroviário como prioridade; habitação condigna para o trabalhador e suas famílias  isolados nas vilas de periferias, com água encanada de qualidade, saneamento básico, pavimentação e drenagem, inclusive  das ruas mais afastadas. Segurança para todos os cidadãos.  Essas reivindicações e outras que serão colocadas durante as discussões do movimento devem ser a bandeira de luta dos jovens que queiram um futuro melhor para seu país.

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