O POVO NAS RUAS
Esses dois dias de
manifestações populares nas ruas das capitais
e cidades maiores do País indicam
que o grito de há muito preso na garganta do povo brasileiro foi expelido para
se transformar num ato de afirmação de
sua cidadania. Ainda sem uma tradição democrática consistente, o povo brasileiro mostra
a cara e diz para que serve o dispositivo constitucional que atribui a ele a fonte de emanação do poder de governar. As “Diretas já” e “O fora Collor”,
manifestações populares que respectivamente contestaram a ditadura e
o governo fanfarrão de Fernando Collor, foram
ensaios importantes para o movimento ora em curso nas ruas do País. Esse movimento, impessoal, apartidário e sem
chancela de grupos de qualquer natureza
, não é contra governo, contra qualquer partido ou religião, mas contra o
sistema político-ideológico das elites que governam o Brasil desde que ele é
república.
A insatisfação popular
cresce a medida que melhora as condições de vida de boa parte da população.
Isso tem sentido. O sangue, o suor e as
lágrimas do trabalhador que
constrói a riqueza do País não podem
continuar explorados pelas elites políticas que sempre dominaram a cena
econômica brasileira. Ainda não há um foco definido para a luta que está só
começando. É preciso afastar da cena do movimento oportunistas de última hora, baderneiros contumazes e vândalos sem noção. A
luta é do povo, e o povo brasileiro é
pacífico por natureza. E é pacificamente que esse povo vai exigir mudanças
estruturais, como reforma política, troca das lideranças corruptas ou não
comprometidas com o bem estar do povo, reforma do sistema agrário, educação pública,
gratuita e de qualidade em todos os níveis de ensino, saúde preventiva e
curativa, ampla e de padrão mundial para toda a população. Essa exigência
popular vai chegar a movimentação do dinheiro retido nos bancos, fazendo-o
rodar na criação de emprego e renda para a população. Transporte público de
qualidade acessível aos moradores dos mais distantes arrabaldes, com definição
de um modal ferroviário como prioridade; habitação condigna para o trabalhador
e suas famílias isolados nas vilas de
periferias, com água encanada de qualidade, saneamento básico, pavimentação e
drenagem, inclusive das ruas mais
afastadas. Segurança para todos os cidadãos. Essas reivindicações e outras que serão
colocadas durante as discussões do movimento devem ser a bandeira de luta dos
jovens que queiram um futuro melhor para seu país.
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