COMO ME POSICIONO
Nestes últimos dias,
entre um volume apreciável de cumprimentos, tenho recebido também algumas
críticas. O que é natural. Quem se expõe publicamente deve ter a compreensão de
que está mais para vidraça do que para estilingue. As críticas são úteis, e até
necessárias. Elas são um confronto de
ideias, com teses e contraditórios. Alimentam a discussão, trazendo mais luzes
ao debate. O importante é que as críticas sejam às ideias, nunca às
pessoas. Felizmente, me enquadram no primeiro caso.
Acusam-me de “faccioso”
e de “petista” quando me pronuncio sobre o momento político que o Brasil está
vivendo. É um direito de cada pessoa pensar o que quiser. Talvez essas pessoas
me dimensionem com a escala com a qual se medem. Não sou petista nem pertenço a
partido algum, bem como não sou adepto de nenhuma religião nem qualquer
corrente filosófica. Sou um misto de conservador e progressista, emotivo (sou
humano) e racional. Domino tanto quanto possível as minhas emoções, e até por
formação profissional cultivei a racionalidade, colocando-a acima de qualquer
paixão. Sou cético diante de propostas ousadas ou daquelas que pretendem
explicar tudo. Fato, para mim, é o que passou pelo crivo da experimentação. Nessa minha trajetória de oito décadas de
experiência de vida aprendi que a isenção é o único caminho a me tornar
respeitável primeiro perante eu mesmo e depois, diante dos meus semelhantes.
Como franco atirador, sou um espectador dos fatos cotidianos. E me sinto a
vontade para referendar o que minha consciência aprova e rejeitar o que fere
minha consciência.
Para ser faccioso seria necessário que eu pertencesse a alguma
facção. Já disse que não simpatizo com faccões de nenhuma natureza. É com essa
isenção que me posiciono diante dos fatos. Como cidadão, respeito os símbolos
de minha Nação, e entre estes está o presidente da República, pouco importa a
que partido pertença. Isso não quer dizer que eu concorde com tudo o governo
faz. Não posso ignorar estatística de desenvolvimento, nem me aproveitar de
números alheatórios para escamotear a
verdade. Respeito, e até admiro o papa Francisco, sem ser católico. Tenho novos
e velhos amigos bem chegados que são pastores evangélicos e minhas filhas
seguem essa linha religiosa, embora eu não pertença a nenhum culto. Estudei os
mestres da filosofia, e continuo lendo esses luminares, porém, gostaria que as
ideias deles – diluídas num universo de teses – fossem condensadas como um
ideário único capaz de unificar o conhecimento humano. Diante do quadro social
de diversidades comportamentais dos tempos modernos, respeito todas as opções,
sem que isso signifique que concordo com alguma. Sou combativo, porque sempre
participei de movimentos sociais que visem o aperfeiçoamento das pessoas, e por
extensão – da sociedade. Entretanto, procuro não confundir interesses pessoas
com ideologias. Não sou de me colocar em posições extremas, pois sempre busco o
equilíbrio. E acredito que essa é a expressão de minha sensatez.
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