TRABALHO INFANTIL
EDUCAR PARA NÃO REPRIMIR
O Estatuto da Criança e
do Adolescente estabelece regras que têm força de lei. Entre as regras, a
proibição do trabalho infantil. Tese amplamente aceita pela comunidade
brasileira, pois grande contingente de crianças e adolescentes com idade até 15
anos constitui força de trabalho que aciona a economia do País. Em todas as
áreas é identificado o trabalho infantil. Mas é no lar onde se encontra o maior
número de trabalhadores infantis. Principalmente, entre as camadas urbanas
menos providas de recursos. Os filhos dessas famílias mais pobres são desde
cedo treinados para executar tarefas caseiras simples, ajudarem na arrumação e
limpeza da casa, na cozinha e nas compras. Na zona rural, as crianças são
duplamente penalizadas, uma vez que além de executarem tarefas típicas do campo
não vão à escola distante dos sítios e pequenas propriedades onde moram os
pequenos produtores agrícolas ou os que praticam a agricultura familiar.
Atividades como alimentar os animais, limpar estábulos, fazer ordenha, preparar
a terra, plantar, regar as culturas e fazer a colheita, além de transportar os
produtos e os comercializar na feira. Muitas vezes, as famílias estão reduzidas
ao casal já de idade avançada e a alguns filhos na faixa etária abrangida pelo
ECA. Nesses casos, é difícil aplicar os dispositivos do Estatuto. Como as
crianças não ajudarem a prover o sustento da família? Auxiliar os pais nas tarefas
da agricultura familiar! No meio urbano, as novas regras do trabalho doméstico
estão causando dispensa dos empregados e
levando as famílias a cuidarem elas próprias dos afazeres da casa. E a divisão do trabalho
não exclui crianças e adolescentes.
Os programas sociais do
governo ajudam no orçamento doméstico, principalmente na agricultura familiar.
Mas são insuficientes para a manutenção de uma vida condigna e sem perspectivas
de um futuro melhor. A carência de escolas nas zonas rurais e/ou as dificuldades de transporte para as crianças
irem estudar a quilômetros de distância, somadas a impossibilidade de se
contratar mão de obra nos sítios ou mini
propriedades, complicam a aplicação dos dispositivos do ECA com relação ao
trabalho infantil. No Japão, as crianças desde os quatro anos de idade aprendem
com os pais como lidar com a terra. E lá, nesse gigante do Oriente os índices
de escolaridade são os mais altos do mundo. Precisamos aprender com os
japoneses como educar nossos filhos, treiná-los como sucessores nas nossas
atividades profissionais e encontrar meios e ideias capazes de preparar um ambiente
social no qual escola e família estejam associadas nessa tarefa de educar adequadamente
hoje para não termos que reprimir amanhã.
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