COPA DO MUNDO
DESVIOS DE
VERBAS E CORRUPÇÃO
A Copa do Mundo de Futebol é um evento quadrienal privado que envolve
bilhões de aficionados em todo o mundo. E o futebol é uma forma de lazer
apaixonante para milhões de brasileiros, além de ser fonte de emprego e renda
para milhares de pessoas de todas as categorias profissionais, idades e sexos
em todos os recantos do País. A Copa é comandada pela FIFA, com sede na Suíça e
com um alto padrão de excelência administrativa. Muitos jogadores de futebol,
grande parte deles de origem humilde, ficaram ricos graças aos altos salários
que recebem de acordo com a cotação do mundo esportivo. Não se pretende aqui
deslustrar o mérito desses artistas da bola. Eles são pessoas diferenciadas
pela capacidade de lidar com a bola e as emoções do jogo. Pelé é o brasileiro
mais conhecido no Planeta, e seu nome promove o Brasil mundo afora. Nas décadas
de trinta/quarenta, o Brasil não era conhecido nas principais cidades do mundo,
a não ser por alguns intelectuais e pelo setor diplomático. O País era então confundido
como uma província argentina, pois a correspondência que aqui chegava até inícios dos anos cincoenta era endereçada a algum órgão, e era comum ver-se
o endereçamento assim escrito: Recife,
Buenos Aires... Foi o futebol que promoveu o Brasil mundo afora, através
das conquistas de Copas do Mundo.
Os norte-americanos têm adoração por seus jogadores de futebol; o
futebol americano é o maior espetáculo dos Estados Unidos, seguido por outros
esportes de jogadores bem remunerados. A Europa paga os maiores salários aos
jogadores de futebol top. A propósito dos salários pagos a jogadores, lembramos
que o sábio alemão radicado nos Estados Unidos Alberto Einstein, indagado num
encontro familiar sobre o que era a teoria da relatividade, disse:
“Relatividade é um professor universitário ganhar algumas centenas de dólares
anuais e Joe Frazier (grande boxeador da época) perceber milhares de dólares
por cada luta”. Na antiguidade, os gladiadores eram bem alimentados e tratados
como heróis. Dentro do País, professores de níveis fundamental e médio recebem
os mais aviltantes salários para cuidarem da formação do futuro do Brasil. E professores
universitários, com mestrado, doutorado ou PhD, ganham entre 8.200 reais e 12.200
reais de remuneração básica. Preocupante mesmo é o salário atrelado ao mínimo
recebido pelo trabalhador sem formação acadêmica ou técnica. Todas essas
questões devem ser discutidas dentro de um contexto próprio. As universidades,
públicas ou privadas, não têm um padrão FIFA de gerenciamento e se destinam a
um determinado objetivo. Seus docentes são devidamente diferenciados pela
capacidade de lidar com o gigantesco e incomensurável mundo do conhecimento. Os
torcedores que se espremem dentro do transporte coletivo para chegarem a um
campo de futebol exercem seu legítimo direito de escolha de lazer. Não são tão
alienados como se diz por ai. Médicos, advogados, engenheiros, jornalistas,
escritores, padres e pastores, professores universitários e de ensino básico,
estudantes e trabalhadores em geral são torcedores e frequentadores dos
estádios. É por eles que existe o futebol, e é para eles que existe a Copa do
Mundo.
A Copa do Mundo, enquanto organização e promoção, é uma atividade
privada, já foi dito acima. Os estádios devem ser construídos e geridos pela
iniciativa privada. Quando ocorre o uso do dinheiro público para financiar os
trabalhos da Copa é porque houve falhas na articulação entre governo e a
subsidiária da FIFA no País, no nosso caso, a CBF. Ou má fé proposital. Nesses
casos, via de regra, ocorrem maracutaias entre gestores do futebol e políticos.
Os gestores atrasam propositalmente o cronograma das obras, que acabam
superfaturadas, ficam ameaçadas de não saírem e ai o poder público acaba arcando
com os custos complementares. Isto é inadmissível; essa não é uma conduta da
FIFA, mas de maus políticos que se aproveitam da situação para ganhar um
dinheiro pobre. A corrupção da política brasileira é responsável pelos desvios
de verbas públicas da educação, da saúde, dos transportes e de outros serviços
necessários à população. Os estádios de futebol do mundo inteiro, pela
quantidade de pessoas que participam ou gostam dos esportes, nunca serão
transformados em ruinas de coliseus dos tempos modernos. Os aficionados do
futebol deveriam ser contemplados com serviços de transporte e mobilidade padrão
FIFA. Mas os países a que pertencem não têm esse primor de gerenciamento.
Quando os países adquirirem esse padrão, com certeza oferecerão aos seus povos
educação e saúde de qualidade, transportes modernos, habitação condigna,
estradas bem feitas e custo de vida que não sacrifiquem seus cidadãos. Esse
objetivo pode ser alcançado no Brasil no longo prazo, com reformas estruturais,
começando pela política. Não adianta mudar o arcabouço administrativo do País se
os políticos que ai estão continuarem a dar as ordens.
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