MODERNIDADE, SIM; DEPRAVAÇÃO DOS COSTUMES, NÃO
Não esperava que tanta gente acessasse meu blog. Fiquei surpreso com as reações de alguns frequentadores do blog ao artigo intitulado Mundo pós-moderno; que sacanagem, postado no blog do dia 19 de agosto. A profª de história Luiza Lucena questiona minha posição diante da sociedade atual, "lembrando-me" que "o progresso social é permanente e irreversível" e lamenta que o autor não reconheça os progressos registrados e negue os valores conquistados pela sociedade atual". Marcos Acyole da Cunha, também professor de história, critica o que chama de "saudosista, conservador empedernido, idéias retrógradas", e insinua que o autor "gostaria que a sociedade regredisse aos costumes do século 19, quando os senhores de engenho matavam os pobres negros escravos e os enterravam na beira do rio". Outros, menos contundentes, também externaram suas opiniões a respeito do citado artigo, sempre contrárias às minhas posições ali expostas.
Agradeço a todos que acessaram o blog. Mas cabe aqui alguns reparos.Não desconheço os progressos registrados nessas últimas décadas nem nego a existência dessa nova sociedade. Também não sou retrógrado, saudosista nem conservador empedernido. Muito menos, almejo que se retorne aos costumes do século 19. Menino do campo, filho de administrador de engenho, fui testemunha ocular de ações bárbaras praticadas por senhores de engenhos e usineiros que exploravam o trabalhador, tratando-os como escravos; sei das torturas e mortes de trabalhadores do campo, que eram enterrados em meio ao canavial ou nas margens do rio.E isso entre os anos 30/40 do século passado, muitas décadas depois do fim da escravidão. Conheci a sujeição do ser humano ao patrão desalmado e perverso, prendendo o trabalhador ao barracão do engenho; quando terminava a semana, o miserável estava pendurado na caderneta do barracão, sem saldo para receber, necessitando de um "vale" fornecido pelo administrador para poder comprar produtos que não satisfaziam suas necessidades mínimas em termos de nutrição. Só levava pra casa farinha, café, sal e querosene.No máximo, um quilo de bolacha. Para alimentar a família sempre numerosa, que se virasse pescando à noite no rio em meio à escuridão. E precisava ter sorte, pois nessa fase a calda das usinas já tinha feito estragos na fauna do rio.
Oponho-me, isto sim, à degradação dos costumes sociais, à favelização do trabalhador que deixou o campo em busca de melhores dias nas cidades; às drogas, leves e pesadas, que destroem a vida de milhares de jovens e adultos escravizados ao vício que sustenta "empresários" malvados; aos desregramentos sexuais que levam à prostituição adolescentes, jovens e até crianças. Não aceito um sistema educacional sem compromisso com a ética, que gera promiscuidade e zomba dos valores morais indispensáveis à formação do caráter do aluno. Rechaço a permissividade ou essa falsa liberdade do tudo pode. Sou a favor da família, como célula- mater da sociedade; família estruturada na estabilidade moral e emocional do casal com seus reflexos positivos na educação dos filhos. Louvo o progresso da ciência e da tecnologia; sei que sem ele a vida das pessoas seria bem mais curta e muito mais sofrida. A informática, como ferramenta do desenvolvimento, retira o ser humano da verticalização do conhecimento e o insere na horizontalidade do saber, abrindo oportunidades para muitos. A medicina, a cirurgia e a nutrição estariam ainda empobrecidas se não fosse o concurso, a ajuda da tecnologia.
Finalmente, esse mundo pós- tudo, por não aceitar mecanismos de orientação ou controle social, é responsável por situações vexatórias como as que produziram os desregramentos que levaram à morte as adolescentes Maria Eduarda E Tarsila Gusmão e tantas outras jovens e crianças que diariamente são assassinadas neste e em outros países.
Obs.: O blog continua aberto às discussões. Infelizmente, não posso fornecer números de telefone fixo nem de celulares. O link do blog é suficiente para abordagem dos frequentadores às matérias aqui postadas.
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