A política brasileira vive nestes momentos de efervescências eleitorais episódios difíceis de serem comparados com situações idênticas anteriores. Um quadro político que há bem pouco sinalizava para o acirramento das idéias, para o confronto desleal ou desaguando para a baixaria. Acirramento há, mas pontual; o confronto, embora num nível ainda inaceitável para padrões civilizados, foi menos desleal do que se esperava. E a baixaria ficou por conta de alguns "xiitas" de todas as facções partidárias.
Mas político é ente de idéias mutantes, sobretudo quando está em jogo seu interesse pessoal como postulante a algum cargo eletivo. E a definição das tendências dos eleitores brasileiros refletida nas pesquisas de intenções de voto que vêm sendo divulgadas pela mídia causou essa estranha "reviravolta" nos principais setores das oposições políticas brasileiras. Pois não é que o José Serra, candidato do PSDB/DEM/PPS/PV/PTB e companhia à presidência da República,num momento não mais de desespero, mas de quase conformação, chegou a afirmar que "Lula está acima do bem e do mal". Se bem que aqui e ali Serra bata na candidata do PT Dilma Rousseff, objetivando se apresentar como o "mais preparado", na verdade o ex-governador paulista patina sobre as informações escorregadias produzidas pelas pesquisas. E a campanha de Serra continua nesse banho-maria quase parecido com aquele "Lulinha paz e amor" da campanha passada do PT para conquistar a presidência.
No cenário local, as coisas não são diferentes. São até um pouco piores. A reeleição de Eduardo Campos já tá sacramentada, e ainda no quadro majoritário há a possibilidade de pela primeira vez na sua longa carreira política Marco Maciel perder uma eleição, superado nas urnas por Armando Monteiro Neto na disputa pela 2ª vaga para o Senado. Jarbas Vasconcelos, cada vez mais raivoso, vai se distanciando do Campo das Princesas, e atirando para todos os lados, não poupando correligionários. Acusa o governador, primeiro de adesismo fisiológico, depois de compra de votos e já não tem lá muita noção do que diz nesta campanha. O senador Sérgio Guerra, astuto habitante do raposário político pernambucano (para quem o Senado não dá mais) já sinaliza que de alguma forma caminhará para o campo majoritário oficial. Os outros oposicionistas, entre esbarrões e resmungos, remam numa maré de águas turvas, mas já vislumbram o porto onde vão amarrar seus barcos já furados e dando água. Na oposição, restam de fato a deputada Terezinha Nunes, que tenta reeleição, e a vereadora Priscila Krause, que postula pela 1ª vez uma vaga na Assembléia Legislativa.
E assim, nessa derrocada política, o PSDB e o DEM ( o resto é figuração) vão se esvaziando. Depois das eleições, com as debandadas já previstas nos quadros dessas duas agremiações, PSDB e DEM caminharão para a fusão como tentativa de sobrevivência política, e esse novo partido já nascerá enfraquecido. Os mais expoentes quadros da oposição não parecem mais tão expoentes assim. José Agripino, Tasso Jereissati, Rodrigo Maia, Artur Virgílio e outros oposicionistas envolvidos com suas campanhas eleitorais sairão desse pleito enfraquecidos. A queda de Serra, no plano nacional, e de Jarbas, nas hostes tupiniquins - apesar do ganho do governo de São Paulo, e talvez do de Minas Gerais, fará PSDB e DEM escorregarem ladeira abaixo. O partido de Jarbas também deverá passar por uma reciclagem.
O discurso de Jarbas Vasconcelos não tem eco nas camadas eleitorais do Estado. Ele se isola num PMDB dissidente aqui e esfacelado no resto do País ( a facção "oficial" da sigla com sede em São Paulo tem no seu presidente nacional Michel Temer o candidato a vice-presidente na chapa de Dilma) e assim Jarbas vê passar o sonho de ser presidente da República um dia. Suas manobras políticas não foram bem sucedidas nem no cenário nacional nem no local. Ele próprio precisa rearrumar seu grupo político - se é que ainda lidera alguma coisa - para não ter que enfrentar dificuldades maiores no futuro. Ele percebe que o que ele chamava de adesismo fisiológico ou compra de votos - fenômeno que vivenciou quando derrotou Miguel Arraes na disputa pelo governo, é, na verdade, o instinto de sobrevivência política dos quadros locais falando mais alto.
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