Mais intrincado do que parecia, o Caso Serrambi evidencia não apenas os problemas pertinentes a um processo dessa natureza, mas também expõe as mazelas de uma sociedade fingida, sem rumo. As famílias das duas moças assassinadas têm posições diametralmente opostas. O pai de Tarsila, que chega acompanhado da esposa ao fórum tem certeza que a justiça será feita; e justiça para ele é a condenação dos irmãos kombeiros.
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A mãe de Maria Eduarda, que chega desacompanhada do pai da inditosa moça, garante que os réus serão absolvidos, pois acredita na inocência deles. O pai de Maria Eduardo, conhecido usineiro daquela área, chegou ao fórum sozinho e não quis falar com a imprensa. Não se sabe o que ele pensa a respeito do assassinato de sua filha. O casal é separado, e parece haver uma guerra surda entre os ex-cônjuges.
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Essas diferenças de atitudes dos pais das duas adolescentes mortas em condições ainda desconhecidas chama a atenção da sociedade para uma maior reflexão sobre o valor da família e da necessidade de se observar padrões éticos no rito de educação dos filhos. Ali estão duas famílias com os mesmos problemas, o mesmo sofrimento, o mesmo drama. Mas divididas em suas perspectivas psicológicas e morais, com objetivos diversos daqueles que se era de esperar dos genitores de duas garotas assassinadas. Que há por trás dessa diversidade de comportamento? Afinal, eles sabem das filhas que tinham. Será que interesses outros, diferentes do sempre esperado resgate da verdade sobre o que realmente aconteceu naquela noite fatídica há sete anos, estão a lançar sombras sobre o julgamento?
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O promotor garante que há nos autos provas suficientes para condenação dos réus. E ainda sinaliza para provas "bomba"que constariam de gravações autorizadas pela justiça de conversas entre os acusados e o ex-promotor Miguel Sales; essas gravações comprometeriam os acusados. Já o advogado de defesa tá seguro de que não existe nos autos nenhum elemento de prova de que os irmãos kombeiros tenham algo a ver com o crime. A tomada de depoimento foi finalizada. Agora o processo entra na fase de debates, e ai vai-se ver quem é que tem mais bala na agulha; se a promotoria ou a defesa. A decisão dos jurados vai depender da qualidade e da consistência desse confronto de argumentos.
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Seja lá qual for o veredicto do caso, restará sempre uma dúvida: quem realmente matou Maria Eduarda e Tarsila Gusmão? Onde elas morreram? E de que morreram? Quem escondeu os cadáveres? Como e por que os corpos foram transportados da cena do crime para um canavial do engenho Camela? Houve mesmo o exercício de força bruta capaz de ceifar as vidas das duas adolescentes? Ou tudo foi resultado de orgias sexuais, muito álcool e overdose de sabe-se lá quantas drogas pesadas? Serrambi, Serrambi, vigia tuas famílias e as visitas que recebes!
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