UMA FADA-DENTISTA CHAMADA MARINA
Faz uns 30/40 anos que um dentista me aconselhou fazer uma recauchutagem mandíbulo-buco-facial. Essa nomenclatura complicada queria dizer que eu deveria repor dentes mastigadores (queixais, no popular), que me foram erroneamente extraídos entre a infância e a adolescência e recuperar os dentes "cortadores" (caninos, aqueles da frente). Era que eu, sem ter mais os dentes mastigadores, passei a mastigar com os dentes cortadores. Claro que o resultado seria o desgaste dos dentes de frente. Há coisa de doze anos cheguei a fazer um tratamento na clínica de Dentística II do profº Adolfo (Curso de Odontologia da UFPE). Uma aluna delicada me adensou os dentes desgastados, mas o fim do semestre foi também o fim do tratamento.
No começo do ano passado, com dor de dente, fui a uma dentista. Ela se recusou a extrair o dente, afirmando que havia nele um canal ainda fechado e que eu procurasse um serviço especializado em reabilitação oral, indicando-me a Odonto Cape. Condições econômicas pouco favoráveis me inibiram de tomar a iniciativa de buscar o tratamento indicado. Até que, já com dificuldades nutricionais por não mastigar adequadamente os alimentos e prejudicar a absorção de nutrientes, resolvi tomar uma atitude. Marquei uma consulta, e passei por uma bateria de exames clínicos e radiológicos, bem como a uma moldagem da estrutura dos dentes, ossos da boca, etc. Primeiro fui atendido por dra. Luiza, um doce de pessoa, que me mandou para o dr. Eduardo; este é minha referência no Odonto Cape. Mas Dr Eduardo acabou me encaminhando à drª Marina Peregrino, que por sua vez me encaminhou para um trabalho de "limpeza", a ser realizado por drª Marluce, o que foi feito em duas sessões. Finalmente, marcaram a cirurgia.
No dia da cirurgia, numa tarde de 5ª-feira, cheguei à Clínica Odonto Cape algo apreensivo. Não sabia exatamente como seria o procedimento cirúrgico. Além do mais, tinha horror àquela maquininha com suas brocas fazendo ruídos desagradáveis dentro de minha boca. Instalado numa cadeira de dentista, inclinado para trás e para baixo (olha que tenho problemas de labirinto), confesso que não senti o horror da cadeira do dentista. E tudo isso tem uma explicação: a cirurgiã que me operava, uma moça bonita, simpática, de mãos de fada, depois de fazer a anestesia de praxe, manobrava os instrumentos com a habilidade que Deus lhe dera. Drª Marina Peregrino não parecia operar minha boca, mas massagear minhas gengivas. Aliás, enquanto operava, drª Marina cantava música da MPB, com uma voz suave e tranquilizante, e isso teve na cirurgia um efeito tão positivo quanto o da própria anestesia. Só não dormi porque precisava odececer aos comandos de "fecha a boca, abre a boca, morde lentamente, abre devagar". Quinze dias depois, me submeti a nova cirurgia, e em ambos os casos tive um pós-operatório rápido, sem inchaço, sem dor, tranquilo.
Quando voltei para a 2ª cirurgia, disse na sala de cirurgia uma brincadeira que fez rir quem lá estava. Falei que disse aos amigos que naquele dia estava voltando à "câmara de tortura". Feliz de quem é "torturado" pelas mãos da drª Marina! Na verdade, estava confiante nas mãos habilidosas de drª Marina, e certo de que, no meio da cirurgia, sua voz ao meu pé-de-ouvido seria um lenitivo para aquelas minhas horas como paciente num ato cirúrgico. Drª Marina Peregrino, bonita, sensível, competente, solidária, continue cantando ao ouvido dos seus pacientes na cadeira de cirurgia. Eles se sentem mais seguros assim. Você me fez decidir por um tratamento que eu adiava há décadas. Receba, nesse agradecimento, o testemunho de minha admiração e do meu respeito. E como costumo sempre terminar minhas mensagens do orkut, permita-me dizer: "Beijos, linda".
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