REMOVENDO A LAMA DA CAMPANHA
EM DESESPERO, E NA CURVA DESCESSIVA, SERRA BAIXA O NÍVEL
AS IRREGULARIDADES DE HOJE VÊM SE REPETINDO HA DÉCADAS
O semanário Carta Capital em sua edição do dia 15 do corrente comenta os bastidores da política brasileira nas últimas décadas, e explica o mar de lama que corre por baixa da campanha eleitoral em curso. E mais: revela que a quebra de sigilo fiscal utilizada por José Serra para tentar reverter os números das pesquisas de intenção de voto para a presidência d República não é um fato novo, é um requente de sujeiras semelhantes que vem sendo praticadas desde o governo de FHC. Pior ainda: Os personagens desse novo e nada confortante cenário de denúncias têm muito a ver com os mesmos personagens que enlamearam as campanhas eleitorais desde que Lula ingressou na disputa pela presidência. Ao usar a quebra do sigilo fiscal de sua filha Verônica Allende Serra como uma manobra para prejudicar sua campanha, o candidato de PSDB esconde que essas quebras de sigilo vinham sendo praticadas há tempo pela mesma Verônica Serra. E com um detalhe muito importante: Verônica Serra sempre trabalhou associada a outra Verônica, a Verônica Dantas, mulher do banqueiro Daniel Dantas, dono do banco Oportunnity e autor de uma série de crimes contra o sistema econômico brasileiro.
As acusações contra a Ministra da Casa Civil Erenice guerra não deixam de ser um capítulo lamentável de burla dos procedimentos protocolares do governo federal. É de um certo modo incompreensível que uma funcionária do alto escalão da República não tenha cumprido os trâmites legais antes de assumir o cargo, sem declarar seus bens e informar que tinha parentes trabalhando em funções importantes da gestão. Isso mostra uma falha do governo e do PT no trato da coisa pública. Mas o presidente Lula demitiu a ministra e o órgão corregedor do governo fez uma censura pública à conduta da ex-ministra. Defensores da candidatura Serra afirmam que a censura veio "muito tardia", porque censura se faz a funcionário em exercício; acontece que Erenice Guerra é funcionária de carreira do palácio do Planalto. Mas a oposição quer mais. Quer que a candidata Dilma, que antecedeu Erenice Guerra na Casa Civil vá prestar esclarecimentos sobre o vazamento do sigilo fiscal de José Serra e sua filha aos senadores. É o caso de se perguntar: esses vazamentos de informações confidenciais de contribuintes foram pedidos por quem e a quem beneficiariam? A oposição e o próprio Serra insinuam que tais vazamentos visavam prejudicar sua candidatura. De que forma isso poderia acontecer, se nenhum dado financeiro do candidato foi exposto? A vítima, no caso, seria a própria Dilma acusada de ter dado ordens para que procedimentos incorretos como esse e outros mais fossem feitos.
É curioso notar que o personagem que seria diretamente prejudicado pela violação dos seus dados fiscais, no caso, Eduardo Jorge, vice-presidente do PSDB tenha sido, ele próprio, a primeira pessoa a promover o vazamento das informações que ele obteve da Corregedoria do Governo Federal. E mais curioso ainda é que esse vazamento, que incluiria o nome de Serra, de sua filha e de outras pessoas ligadas ao PSDB tenha sido correlacionado a um chamado esquema São Paulo/Minas Gerais, envolvendo no seu início as demandas do partido de oposição para a escolha do seu candidato à presidência. A postulação era feita por José Serra e Aécio Neves. Aécio, estribado nas pesquisas sobre sua mesa, já previa situação difícil para a sigla e não se arriscaria a deixar o governo de Minas para entrar numa campanha presidencial duvidosa. Optou pelo senado, e saiu do páreo para presidente.
E por falar em esquema, nada mais vergonhoso do que foi feito por Verônica Serra quando ocupava importantes cargos em atividade privada durante o governo de FHC. Ela e a Verônica Dantas, criaram uma empresa chamada Decidir.com e sediaram a mesma na Argentina, de onde se expandiu para o Chile, a Florida e paraísos fiscais do Caribe. Criaram ainda outras empresas em vários outros países. Tanto na decidir.com como em outras empresas, Verônica Serra vendia no exterior a idéia de "investimentos seguros e sem sustos" no Brasil, principalmente em São Paulo, onde Serra era secretário de planejamento do governo paulista. Posteriormente, Verônica atuou de forma mais ostensiva em suas empresas de promoção de investimentos no Brasil, mostrando que o País era um mercado promissor na área de saúde. Claro: seu pai, o Serra, era o ministro da saúde do governo FHC. Principalmente na época de quebra de patentes dos genéricos, o tráfico de influência de Verônica foi mais vigoroso. Por essa época, a Decidir.com deixou expostos no seu site os dados fiscais de 60 milhões de pessoas, brasileiros de todas as tendências, incluindo ai o então presidente Fernando Henrique Cardoso. Esse vazamento de sigilo fiscal propiciado por Verônica, gravado em CD, era vendido por camelôs no mercado livre da zona da 25 de março/estação da Luz, centro de São Paulo.
Vem agora a parte mais escabrosa da história. Para prejudicar a candidatura de Lula à presidência da República, numa de suas investidas para isso. Inventou-se um chamado Dossiê Caimã, segundo o qual pessoas ligadas ao PSDB estariam abrindo contas secretas no exterior para depósito de dinheiro supostamente desviado de órgãos públicos. E a autoria desse dossiê foi atribuída ao PT "num propósito deliberado de prejudicar o candidato do partido concorrente". O documento "forjado" pelo PT, era na verdade parte de um livro escrito pelo jornalista Amaury Junior a ser lançado em 2011. Essa aparição de Amaury Junior serviu para esclarecer muita coisa que se propalou na época e ainda se fala hoje. Quem, a essa altura dos acontecimentos, pode afirmar que o atual caso de vazamento do sigilo fiscal não tenha relação com os mesmos delitos do grupo da Decidir.com? Serra afirmou em entrevista que esse vazamento de dados sigilosos era trabalho de "quadrilha", o que despolitizaria o fato. Mas agora, na curva acentuadamente declinante apontando sua inevitável derrota nas eleições de 3 de outubro próximo, Serra requenta o caso da violação do sigilo fiscal atribuído à funcionária Adeilda Ferreira da Receita Federal em Mauá, SP, e coloca como vítima sua filha Verônica e depois seu esposo. Mas, toda essa manobra tem como objetivo induzir a sociedade brasileira a acreditar que a maior vítima é ele próprio, Serra. Só não diz que esses vazamentos ocorreram entre março e outubro do ano passado, quando Dilma ainda não era candidata. E ele, Serra, já brigava com Aécio Neves por sua indicação como candidato. Uma pergunta: Como a Decidir.com teve acesso à informações sigilosa sem ser empresa de recuperação de crédito? Supõe-se que as atividades de Verônica Serra teriam o aval de FHC, que deveria ter determinado um procedimento de investigação, e nada disso fez. Ao contrário, FHC tentou silenciar o procurador da Justiça federal Francisco Assis Pereira, que começou a cobrar providências para os delitos praticados contra a base de dados da República.
Não é preciso citar aqui outros nomes de pessoas e autoridades que tiveram seu sigilo violado por funcionários da Receita Federal. O fato mostra que há a necessidade de um controle mais rigoroso do acesso às informações sigilosas. Mas também se adverte para a necessidade de maior responsabilidade do governo no trato da coisa pública. Diferente de FHC, Lula mandou apurar as violações, demitiu a chefe da casa civil e colocou a polícia federal nas investigações. Nunca é demais afirmar: Verônica Serra e Verônica Dantas fizeram ( ou fazem?) parte de uma quadrilha que agia com fins econômicos, políticos e eleitorais, em proveito próprio ou de terceiros. Elas foram processadas por vários delitos dessa natureza, mas o procurador-geral da República Geraldo Brindeiro, também conhecido como o engavetador-geral da República nunca deu andamento a esses processos. O caso ainda recente da operação Satiagraha expôs os crimes praticados por Daniel Dantas, que passou poucos dias na cadeia beneficiado por medida liberatória proferido pelo presidente do STF, Gilmar mandes. E as duas Verônicas foram indiciadas pela polícia federal em 2008, e respondem a processo por crimes de lavagem de dinheiro,evasão de divisas, sonegação fiscal,formação de quadrilha, gestão fraudulenta de instituição financeira e empréstimo vedado. É essa figura notável que Serra coloca como coitadinha, vítima de armação de petistas. O site da Decidir.com, criado em Miami por Verônica Serra, divulgava um aviso bastante curioso" Encontre em nossas bases de licitações a oportunidade certa para se tornar um fornecedor do Estado". Era um verdadeiro balcão de negócios facilitados nos Estados Unidos dirigido por Verônica Serra, cujo pai era então ministro da saúde, uma pasta recheada de um enorme potencial licitatório. E a filha de Serra trabalhava em parceria com Verônica Dantas, irmã do banqueiro Daniel Dantas com poder de fogo por participar das privatizações realizadas no governo FHC. Repita-se: um balcão de negócios que rendeu muito dinheiro a essa gente que agora se apresenta como vítima de sujeiradas do governo atual. Esses velhos personagens, fisgados em maracutaias pela polícia federal e respondendo a processos na justiça, voltam à cena política brasileira, tentando enlamear a campanha eleitoral em andamento. A Rede Globo de Televisão e o SBT, como já foi dito aqui no blog, beneficiam a campanha do tucano, dão destaques ao que interessa ao candidato do PSDB e omitem a origem e a natureza dos fatos que estão sendo apurados pelo governo.O ADTV divulga esses fatos e informa que um grupo de cidadãos pertencentes a um "Movimento dos sem mídia" entrou na justiça com uma queixa contra o favorecimento do candidato tucano por essas redes de televisão. A sociedade brasileira, aos poucos, vai despertando para a necessidade de renovação dos quadros políticos e reformas políticas, eleitorais e aperfeiçoamento das instituições públicas. Renovar, é a palavra de ordem.
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