A IGREJA
E O PAPA
A partir das
vinte horas de hoje (horário de Roma) a Igreja Católica Apostólica Romana entra
no período de Sé vacante. O papa
Bento XVI deixa de ser o líder
espiritual dos católicos e chefe de
Estado do Vaticano. Mas Joseph Ratzinger não deixa de ser papa, título que é vitalício,
e passa a chamar-se papa emérito. O
trono do Bispo de Roma ficará temporariamente vago, até a eleição do novo papa que ocorrerá até
antes da quaresma. Não haverá nenhuma
solução de continuidade na administração da Igreja. Uma instituição fortemente
hierarquizada, o Vaticano tem quadros específicos para cuidar de cada detalhe
administrativo da organização milenar.
A partir de
segunda-feira, 115 cardeais com menos de 80 anos de idade (incluindo 5
brasileiros) decidirão a data da eleição do novo papa. Em tese, qualquer um dos
votantes poderá ser votado e eleito papa. Esse ritual católico, chamado de conclave (com chaves) é a portas fechadas, ficando os cardeais
incomunicáveis com o mundo exterior. Primeiro, em votação secreta e em cédulas
que serão imediatamente incineradas, tentarão eleger um nome que some
tendências e agregue valores de
referência da Igreja. Haverá sempre no início mais de um candidato escolhidos
pelos grupos de cardeais. O escolhido deverá receber dois terços dos votos. Não
havendo o preenchimento desses requisitos, proceder-se-á novos escrutínios. Persistindo o impasse, a
eleição passará a ser por maioria simples. Até que um dos cardeais obtenha essa
maioria. Quando a fumaça negra da chaminé da Capela Sistina for substituída por
uma fumaça branca, é sinal de que há
novo papa.
O nome do
novo papa será de pura escolha do mesmo. Mas a tarefa dele não será nada fácil.
Acredita-se que o novo ocupante da cadeira papal deverá ser um cardeal da ala mais conservadora da Igreja. O sentido dessa
crença é que a Igreja vive hoje um momento de ebulição. Os casos de abusos
sexuais praticados por sacerdotes contra
crianças ou até jovens escandalizaram a Igreja. E as medidas para punir esses
sacerdotes foram brandas demais. Casos
mais recentes de escândalos administrativos, e que constituem um relatório
reservado coligido por três cardeais, na verdade um dossiê contra a cúpula da
Igreja talvez tenha levado Bento XVI a
renunciar ao papado. Caso o novo papa seja um cardeal de ideias liberalizantes,
é possível que ele sofra pressões para divulgar o “relatório”. O que poderá
causar tensões no seio da cúpula romana.