NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013


                 A  IGREJA  E O PAPA
A partir das vinte horas de hoje (horário de Roma) a Igreja Católica Apostólica Romana entra no período de Sé vacante. O papa Bento XVI  deixa de ser o líder espiritual  dos católicos e chefe de Estado do Vaticano. Mas Joseph Ratzinger  não deixa de ser papa, título que é vitalício, e passa a chamar-se papa emérito. O trono do Bispo de Roma   ficará temporariamente vago,  até a eleição do novo papa que ocorrerá até antes da quaresma.  Não haverá nenhuma solução de continuidade na administração da Igreja. Uma instituição fortemente hierarquizada, o Vaticano tem quadros específicos para cuidar de cada detalhe administrativo da organização milenar.
A partir de segunda-feira, 115 cardeais com menos de 80 anos de idade (incluindo 5 brasileiros) decidirão a data da eleição do novo papa. Em tese, qualquer um dos votantes poderá ser votado e eleito papa. Esse ritual católico, chamado de conclave (com chaves) é  a portas fechadas, ficando os cardeais incomunicáveis com o mundo exterior. Primeiro, em votação secreta e em cédulas que serão imediatamente incineradas, tentarão eleger um nome que some tendências e agregue valores  de referência da Igreja. Haverá sempre no início mais de um candidato escolhidos pelos grupos de cardeais. O escolhido deverá receber dois terços dos votos. Não havendo o preenchimento desses requisitos, proceder-se-á   novos escrutínios. Persistindo o impasse, a eleição passará a ser por maioria simples. Até que um dos cardeais obtenha essa maioria. Quando a fumaça negra da chaminé da Capela Sistina for substituída por uma fumaça branca, é sinal  de que há novo papa.
O nome do novo papa será de pura escolha do mesmo.  Mas a tarefa dele não será nada fácil. Acredita-se que o novo ocupante da cadeira papal  deverá ser um cardeal da ala  mais conservadora da Igreja. O sentido dessa crença é que a Igreja vive hoje um momento de ebulição. Os casos de abusos sexuais praticados por  sacerdotes contra crianças ou até jovens escandalizaram a Igreja. E as medidas para punir esses sacerdotes  foram brandas demais. Casos mais recentes de escândalos administrativos, e que constituem um relatório reservado coligido por três cardeais, na verdade um dossiê contra a cúpula da Igreja  talvez tenha levado Bento XVI a renunciar ao papado. Caso o novo papa seja um cardeal de ideias liberalizantes, é possível que ele sofra pressões para divulgar o “relatório”. O que poderá causar tensões no seio da cúpula romana.


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013


             LEMBRANDO OS BONS TEMPOS
Bons tempos aqueles! Nos domingos, a gente ia à matiné lá no cinema do bairro. Ou jogava barra-a-barra com bola feita de meias  lá no areal do Chupa. Quando a coroa não estava  coberta pelas águas da maré enchente, cabia  uma bola de borracha.  Assistia as “séries” nas noites das segundas ou sextas-feiras. Pipoca, chiclete, às vezes sorvete. Tinha  também o circo - o Garcia ou o Nerino. E às tardes dominicais eram reservadas para o futebol. Campo do Sport ou do Náutico. O Santa Cruz não tinha estádio; treinava no campo do Ipiranga ou da Polícia Militar, ali no Derby. Minha geração não era de frequentar bares. Cerveja, só nos clubes granfinos; refrigerante, além do Fratelli Vita – acessível a poucos, só a gengibirra, disponibilizado em garrafinhas retornáveis. Não esquecendo o raspa-raspa, aquele sorvete feito com gelo rapado e mel cozido comprado na barraca da praça. Banhos de mar, que podiam ser ali na maré da Cabanga ou na praia de Boa Viagem; a do Pina fedia muito, por conta da descarga do saneamento no mar.  Ah, tinha o mergulho nas águas da maré cheia pulando de cima do Cais, hoje, José Estelita. Os botos, fazendo suas acrobacias,  nos enchiam de encanto. Mas atrás deles vinham os tubarões; chegavam pertinho da gente.
Bons tempos aqueles! De mistura com os meninos dos pescadores corríamos campos; o chupa ficava pequeno. Iamos conversar com seu Manoel, o portuga malcheiroso com os dedos cheios de anéis, alguns de ouro ou prata; pele descascando de tanto grude por falta de banho. O patrício tinha saudades da terrinha distante, mas vivia abandonado pela rica colônia portuguesa proprietária das padarias e bares da Cidade. Tão pobre, que todos os seus pertences cabiam numa sacola feita de lona que levava às costas. Dormia em qualquer lugar, ao abrigo das chuvas. Comia o que garimpava no lixo; seus “ventos” eram bem sonoros e os odores fétidos rapidamente se espalhavam num pequeno raio. O chupa era livre; lá adiante, atrás da sede do esquadrão de infantaria motorizada no forte das Cinco Pontas, ficavam as oficinas dos trens da empresa inglesa que explorava o setor. A Rua Imperial, por onde passavam os bondes, era o único acesso do lado  sul ao centro do Recife.
Bons tempos aqueles! Na praia, no futebol ou no cinema conversávamos entre amigos. Não existia essa febre de proteção que nada protege. Não havia essa cultura da homofobia, um sistema preconceituoso que tem a pretensão de lutar contra a discriminação racial. Meninos de pele escura ou “tostada”, como eram quase todos os garotos do bairro, brincávamos sem temer queixas à polícia ou enfrentar processo por discriminação. Lembro de dois sargentos do exército, ambos negros e boa praça naquele diálogo interessante. O 1º sargento Antônio Leite conversava com o 3º sargento Hugo Barbosa. Diante de um impasse, o último dizia para o primeiro: “Sejamos claros, Leite”. E era essa mesma inocência que presidia as brincadeiras dos amigos de minha geração. Castro Neves, visualizando o Antônio Ribeiro (Mereia) lá adiante, ele bem pretinho, chamava: ”Negão, vem pra cá, a turma está aqui”. E o Carlos Matias, todo produzido no seu habitual banho de loja, ao defender sua nova indumentária, ouvia do José Nicácio: “É fresco!”.  Ninguém brigava naquele grupo, eram todos amigos de verdade. Hoje, essa espontaneidade está fora de moda. Amigos estranham amigos; familiares se protegem dos próprios parentes. Ao falar alguma coisa, as pessoas olham para um lado e para o outro a fim de não serem surpreendidas por um desses pudicos legais que estão se lixando para moral ou bons costumes. Tempos difíceis estes!

DA SOCIEDADE DECADENTE À SOCIEDADE DEPRIMIDA
Tempos diferentes esses! Apesar de longo interregno para adaptação, a sociedade ainda cambaleia na assimilação de tantas transformações. As tradições familiares dos anos trinta foram atropeladas por ideias liberalizantes inoculadas na sociedade a partir de meados dos anos quarenta, e avançaram nos anos cincoenta  para se consolidarem a partir da década de sessenta; o festival de Woodstock, mais do que um evento musical, foi a arrancada para uma nova visão do mundo e dos problemas que o cercam. Os novos elementos que a partir de eventos como esse passaram a dominar a cena social do Ocidente traziam uma proposta radical: arquivar tudo que existia em termos de regras sociais. A sociedade não precisava de regras; as pessoas – células desse corpo vivo que é a sociedade, precisam tão somente de liberdade. Algo intrigante estava acontecendo. As moças cortavam os cabelos bem curtinhos e os rapazes deixam suas cabeleiras vastas e despenteadas dominarem a cena. A família deixou de ser um núcleo irradiante de confiança e centro de atração e afago para os membros da linhagem consanguínea. Costumes, crenças, tradições, tudo passou a ser questionado. Tudo que existia era passado. Urgia uma nova sociedade. Vivia-se uma era pós-moderna.
Mas o pós-modernismo chegou com um defeito de fábrica. Não é propriamente um sistema social novo, uma forma prática como queriam os jovens insatisfeitos de quarenta anos atrás  de pensar, produzir, administrar. Tornou-se um mero conceito, sem perspectivas claras para um futuro melhor para a humanidade. Mudaram o mundo, chegaram ao poder; destruíram a “sociedade decadente e falsa”, mas não construíram nada melhor para substituí-la. E deu no que deu. Woodstock venceu, mas transformou a sociedade ocidental  num  gigantesco polvo  de mil e um tentáculos, que sem comando nem controle, a tudo abarca, a todos oprime. Essa sociedade automatizada privilegia os mais capazes, mais astutos, aquela parcela que teve acesso a uma escola melhor e viu abrir-se a sua frente oportunidades de trabalho e crescimento. Não é só no Brasil ou nos países em desenvolvimento que esse fenômeno acontece. A velha e colonialista Europa – e sua cria, os Estados Unidos, também registra essa situação impensável na época da produção manufaturada. Essa visão econômica de redução dos custos de produção levou a sociedade ocidental a criar máquinas que pagam auxílio-desemprego, bolsa-família e demais benefícios dos programas sociais dos governos de cada país. Grandes parcelas da humanidade, peso maior no Ocidente, passaram a viver de esmolas. A decadência de outrora é o estado depressivo de hoje.

domingo, 24 de fevereiro de 2013


                               YOANI SÁNCHEZ
 A jornalista e filóloga cubana Yoani Sánchez está no Brasil. E visitará mais doze outros países mundo afora. Criadora do site geracion  y  e líder feminina  da  luta pela liberdade na ilha do Caribe, Yoani vem se revelando uma pessoa polêmica, controversa. Segundo a jornalista, dezoito pedidos seus para deixar Cuba foram negados pelo governo dos irmãos Fidel/Raul Castro desde 2006. Muitos dos argumentos usados pela jornalista são do conhecimento público, e aceito pelo bom senso. Ninguém quer uma ditadura em seu país; aqui temos belo exemplo e péssimas recordações do que foi  um regime de exceção. Resta saber se todos os argumentos expostos por  Yoani  são verdadeiros.
A dissidente cubana afirma que em sua terra não existe democracia; sabemos disso. Afirma que vive aprisionada em sua própria pátria, e faz ameaças quanto à possibilidade de impedirem seu retorno  à ilha. Fala das dificuldades em que vivem seus companheiros de ideário anticastrista. E afirmou em entrevista que a suspensão do embargo econômico a Cuba não traria melhoras para a ilha. Yoani omite seu silêncio diante das agressões norte-americanas ao território cubano; parece ignorar que seu país vive em regime de permanente ocupação pelos Estados Unidos em boa parte do seu território, como Gualtánamo, onde existe uma base naval americana, e  a Ilha dos Porcos, palco de insidiosa derrota norte-americana numa tentativa de invadir e dominar a ilha.  Yoani só não diz que é uma mulher rica para os padrões cubanos, e teve acesso a uma escola de qualidade como é a ministrada pelo governo cubano. Não faz referências ao nível cultural do povo cubano, às conquistas das ciências médicas na ilha nem ao apoio governamental às artes e aos esportes no seu país.. Ao apoio da maioria esmagadora dos intelectuais cubanos ao governo, entre outras omissões deliberadas. A dissidente chamou de “terroristas” as manifestações populares que interferiram nas suas atividades em cidade baiana. Mente quando afirma que há dezoito anos “tenta um visto para sair de Cuba desde 2006”. Na verdade, a jornalista morou   por um ano e meio na Suíça entre 2008 e 2009. É casada com um cidadão alemão, e tem um filho, com os quais viveu na Europa e viaja por essa “turnê” pelo mundo. Quem financia suas despesas com hospedagem, alimentação, transporte aéreo, traslado e outras regalias? Com certeza, o capitalismo internacional opressor, representado no caso pelos Estados Unidos. Yoani Sánchez é o reverso da mesma medalha de intolerância, beneficiamento e tráfico de influência. Uma charlatã.              
            

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013


                     ASTRONOMIA
        O PERIGO VEM DO ESPAÇO
Depois do susto do meteorito que caiu na Rússia, a apreensão geral motivada por declarações de cientistas sobre o despreparo tecnológico  das nações mais desenvolvidas para detectar corpos celestes que ameaçam a Terra. Detectar e enfrentar os perigos que vêm do espaço. Segundo astrónomos e físicos proeminentes norte-americanos e europeus, “corpos celestes rondando a Terra”, e não se pode precisar se eles continuarão indefinidamente em suas órbitas ou se poderão a qualquer momento entrar em rota de colisão com nosso Planeta.
Um desses cientistas afirmou, que meteoros com cem metros  ou mais de extensão podem ser monitorados pelos instrumentos de ótica espacial atualmente disponíveis. O problema é que há um grande número desses corpos celestes de menor tamanho que constituem uma ameaça real para nossa civilização. O que caiu na Rússia teria dezessete metros. E seria necessário instalar uma rede de vigilância espacial com supercomputadores espalhados pelo planeta para nos garantir uma proteção eficaz. Ao que parece, não temos  instalados nem dez por cento desses instrumentos de detecção de perigos vindos do espaço.
E uma vez detectado um corpo celeste de razoáveis proporções em rota de colisão com a Terra,  ainda pairam dúvidas sobre nossa capacidade de enfrentar e destruir o “inimigo”.  Surgem  discussões sobre formas de abordagem e técnicas de enfretamento. Em tudo isso, há um elemento crucial: o tempo. Tempo suficiente para  perceber a aproximação do perigo; tempo necessário para planejar as formas de enfretamento; tempo hábil para calcular velocidade e distância do petardo celeste e  pôr em execução a estratégia de destruição.
O importante é que meteoros não se transformem em meteoritos. Isto é, não atinjam a superfície da Terra, onde causariam estragos ainda não dimensionados. Uma das hipóteses de enfrentamento seria o uso da bomba atômica. Destruição ou desvio de trajetória  do corpo celeste apontado contra nós. Destruição total ou fragmentação?  A primeira hipótese é pouco aceitável, por incerta;  a segunda, formaria meteoritos que poderiam causar estragos menores. Assim como na Rússia. Afinal, que garantia temos contra ações de corpos celestes pequenos, médios ou grandes que podem cair sobre nossas cabeças?
Embora haja especulação a esse respeito, um meteoro caído sobre a superfície da Terra teria sido a causa da extinção dos dinossauros, da redução da cobertura vegetal do Planeta e de grandes perturbações climáticas com alterações das bacias dos oceanos e mares e das calotas polares e grandes montanhas.  Um evento como esse nos dias de hoje seria o fim da civilização humana. A vida dos diversos reinos se extinguiria por falta da luz do Sol; as cidades não resistiriam ao impacto da explosão equivalente a milhões de bombas atômicas: os mares sairiam do seu leito e formariam nova configuração geográfica em todo o Planeta; e durante muito tempo “a Terra ficaria escura”, e viveria  o início de uma nova glaciação. Imaginar hoje quais seriam  as consequências da queda sobre a Terra de um meteoro de grandes proporções seria um exercício de autoflagelação, uma visão dantesca do apocalipse.