NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013


     LEMBRANÇAS  DA  JUVENTUDE
A  juventude é o período mais festejado de nossas vidas. Principalmente para quem a viveu em tempos de costumes e cultura diferentes. As coisas aconteciam de forma natural para as pessoas de minha geração. Não eram cultivados esses princípios de proteção ambiental e preservação de espécies. O tempo custava a passar. Não havia transporte de massa, televisão e outros recursos atuais Rádio só para quem podia comprar um "aparelho". Jornais não chegavam por lá. No interior, o começo do século vinte marcava uma etapa de grande desenvolvimento econômico para o Nordeste, notadamente para Pernambuco. Os engenhos banguês existentes perto dos rios começavam a ser substituídos pelas indústrias mecanizadas – as usinas. Isso na zona da mata.  Os majores perdiam força e davam lugar aos coronéis. Nas fazendas, pelo Agreste e pelo Sertão, a agricultura ia se aperfeiçoando com a chegada dos primeiros tratores. O progresso vem sempre acompanhado de efeitos colaterais que se refletem principalmente no meio ambiente. A  exigência de cada vez mais água para irrigar as culturas e mover o maquinário das usinas implantou tecnologias avançadas e  aumentou a oferta de mão-de-obra  nas  três regiões  produtoras do Estado. Mas o excesso de subprodutos das usinas não foi suficientemente dimensionado, e por falta de utilidade esse enorme volume  de material biológico produzido pelo recém-instalado parque industrial acabou  descartado nos rios. Começa a degradação.  A poluição desses meios aquáticos teve efeito desastroso sobre a vida dos peixes e crustáceos que os habitavam. A pesca era farta até então. Enormes quantidades de peixes eram vendidas nas feiras da região. Do mesmo modo, eram exibidas à venda nas feiras grandes quantidades de arribaçãs, pássaros que aproveitavam o verão quente do Nordeste para acasalar e reproduzir nas coberturas vegetais do Agreste e do Sertão. A caça predatória, com destruição dos ninhos, acabou com essa  colossal fonte de alimento  representado pelas  aves de arribação. Alimentos cozidos no mesmo dia, frutas e verduras fresquinhas, carnes verdes, peixes, caça, galinhas criadas no quintal! Dieta saborosa e sadia. Tempos bons que não voltam mais. Aliás, bons para quem podia desfrutar dessas riquezas de uma sociedade disciplinada, amarrada a regras rígidas ditadas pelas elites. Já os trabalhadores e suas famílias, morriam de fome  em meio a toda aquela riqueza. Saudade de quê?

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