LEMBRANÇAS
DA JUVENTUDE
A juventude é o
período mais festejado de nossas vidas. Principalmente para quem a viveu em
tempos de costumes e cultura diferentes. As coisas aconteciam de forma natural
para as pessoas de minha geração. Não eram cultivados esses princípios de
proteção ambiental e preservação de espécies. O tempo custava a passar. Não havia transporte de massa, televisão e outros recursos atuais Rádio só para quem podia comprar um "aparelho". Jornais não chegavam por lá. No interior, o começo do século
vinte marcava uma etapa de grande desenvolvimento econômico para o Nordeste,
notadamente para Pernambuco. Os engenhos banguês existentes perto dos rios
começavam a ser substituídos pelas indústrias mecanizadas – as usinas. Isso na
zona da mata. Os majores perdiam força e
davam lugar aos coronéis. Nas fazendas, pelo Agreste e pelo Sertão, a
agricultura ia se aperfeiçoando com a chegada dos primeiros tratores. O
progresso vem sempre acompanhado de efeitos colaterais que se refletem
principalmente no meio ambiente. A
exigência de cada vez mais água para irrigar as culturas e mover o
maquinário das usinas implantou tecnologias avançadas e aumentou a oferta de mão-de-obra nas
três regiões produtoras do
Estado. Mas o excesso de subprodutos das usinas não foi suficientemente
dimensionado, e por falta de utilidade esse enorme volume de material biológico produzido pelo recém-instalado
parque industrial acabou descartado nos
rios. Começa a degradação. A poluição
desses meios aquáticos teve efeito desastroso sobre a vida dos peixes e
crustáceos que os habitavam. A pesca era farta até então. Enormes quantidades
de peixes eram vendidas nas feiras da região. Do mesmo modo, eram exibidas à
venda nas feiras grandes quantidades de arribaçãs, pássaros que aproveitavam o
verão quente do Nordeste para acasalar e reproduzir nas coberturas vegetais do
Agreste e do Sertão. A caça predatória, com destruição dos ninhos, acabou com
essa colossal fonte de alimento representado pelas aves de arribação. Alimentos cozidos no mesmo
dia, frutas e verduras fresquinhas, carnes verdes, peixes, caça, galinhas
criadas no quintal! Dieta saborosa e sadia. Tempos bons que não voltam mais.
Aliás, bons para quem podia desfrutar dessas riquezas de uma sociedade disciplinada,
amarrada a regras rígidas ditadas pelas elites. Já os trabalhadores e suas
famílias, morriam de fome em meio a toda
aquela riqueza. Saudade de quê?
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