RESTAURAÇÃO DO IMPÉRIO
Não é bem uma campanha nacional. É saudosismo retrô de grupos
insatisfeitos com o tipo de sociedade que temos. Restaurar o império no Brasil
chega a soar como piada. Certo que a República anda mal, mas ela é o somatório
das nossas ações, da nossa fé numa sociedade melhor. Cadê o fruto dessas ações
e dessa fé? Quem dita normas não é o regime
sedeado num palácio, é o povo através de suas lideranças, e que povo brilhante
nós temos! Faltam-nos educação básica,
acesso à saúde, investimentos indutores
de atividades que gerem emprego e renda; não temos habitação decente para a
maioria da população nem segurança ou transportes de massa humanizados e
acessíveis a todos. Entre outras carências. Mas, mudando a matriz do regime
teremos a reversão desse quadro social precário? Claro que não. Não temos uma
civilização instruída como a norueguesa nem o glamour do povo inglês. Essa
condição, Noruega e Inglaterra
conquistaram em milhares de anos de lapidação dos seus povos. Somos um País ainda na sua fase de
adolescência, temos uma cultura própria, um povo que é um caldeirão de cores,
gestos e simbologias.
Grupos universitários isolados, alguns parlamentares e até
professores comungam dessa ideia esdrúxula de que nossa vocação é a monarquia.
Que elementos históricos e culturais essas pessoas utilizam como base de
concepção? Fomos subjugados por uma monarquia estrangeira que só fez sugar
nossas energias e nossas riquezas; até mesmo o imperador nascido no Brasil
vendeu nossa soberania, e, portanto, nossa independência. Quem seria o rei na hipótese
de uma restauração da monarquia? A “família imperial” ou alguém eleito pelo
povo? A atual “família imperial”
brasileira é composta de parasitas e farristas dos salões europeus sustentados
por nós, pobres contribuintes. Alguns deles, num exemplo do que seria o Estado
imperial brasileiro, andaram desviando e vendendo bens históricos mantidos no
palácio de Teresópolis. Num encontro casual com universitários, há décadas, conhecemos
o pretenso herdeiro do trono brasileiro. Trata-se de um rico empresário. Seria
esse o perfil do imperador do Brasil. É importante que se concentre forças e se
gaste energias no sentido de oferecer aos nossos jovens uma educação de
qualidade, com conhecimentos tecnológicos e científicos que nos permita uma arrancada
para a maioridade nacional. Dentro de um espírito republicano construído sobre
pilares éticos e econômicos sustentáveis. Mudar esse Congresso que ai está,
reformar essas instituições, aperfeiçoando-as no intuito do bem comum. É bom
lembrar um líder mexicano, Benito Pablo Juarez. Questionado sobre os valores da
monarquia, ele respondeu: “Quando um rei
erra, muda o povo; quando um presidente erra, o povo pode muda-lo”
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