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domingo, 17 de fevereiro de 2013


           CARNAVAIS DE OUTRORA  IV  
   ESCOLAS DE SAMBA / CLUBES DE ALEGORIAS
Por motivos alheios a nossa vontade, atrasamos os últimos artigos  desta série. Continuemos agora. Recife tem escolas de samba sim senhor. O desfile das escolas de samba do Recife não tem o fausto das exibições das entidades cariocas. Não tem barracões espaçosos, carros alegóricos ricamente ornamentados nem sambódromo. A tradição do carnaval daqui é dança no pé, desfile no chão. No mais, é tudo igual. Há samba-enredo, compartimentação da escola em alas, bateria, e outros itens. Tudo dentro das condições econômicas da terra e sem a mercantilização dos desfiles cariocas. Vejamos, de imediato, algumas das mais famosas escolas de samba do Recife: Preto Velho, Limonil, Unidos de Vila Escalaibe, Imperadores da Vila São Miguel, Unidos da Mangueira, Estudantes de São José, entre outras. Algumas escolas desapareceram, outras apareceram.
Clubes de alegorias são entidades carnavalescas que através da arte fazem críticas aos costumes de época. No Recife, já não existem clubes de alegorias. Os primeiros que apareceram tiveram vida curta. E eram sedeados na Rua Imperial, ali bem próximo da ponte de Afogados e a poucos metros de Rebeldes Imperial, o bloco já descrito. Na década de quarenta, Os Quatro Diabos desfilaram com o tema anjos rebeldes. Houve insatisfação no grupo, e no ano seguinte, dois clubes de alegorias estavam se preparando para brincar o carnaval. Anjos Rebeldes, desfilou com três carros. O desfile nem bem começou, e um temporal caído sobre a capital pernambucana  arrasou com as alegorias.  Eram todos confeccionados com papel e cola aplicados sobre moldes de arame.  Nessa época não existia ainda a petroquímica, de onde vem o plástico. Os carros destroçados ficaram jogados no meio-fio, a pequena distância do local onde foram confeccionadas as alegorias destruídas. Os clubes de alegorias se extinguiram, pois era muito difícil arcar-se com os custos dos projetos; a rede elétrica dos bondes que atrapalhava o desenvolvimento da cidade e dificultava a passagem dos carros alegóricos;  a escuridão total que passou a ser a tônica dominante das noites recifenses em razão da segunda guerra mundial. O Recife vivia em permanente estado de alerta, pois a qualquer momento poderia ser alvo de um bombardeio por parte da aviação nazista.

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