CARNAVAIS DE OUTRORA IV
ESCOLAS DE SAMBA / CLUBES DE ALEGORIAS
ESCOLAS DE SAMBA / CLUBES DE ALEGORIAS
Por motivos alheios a nossa vontade, atrasamos os últimos
artigos desta série. Continuemos agora.
Recife tem escolas de samba sim senhor. O desfile das escolas de samba do
Recife não tem o fausto das exibições das entidades cariocas. Não tem barracões
espaçosos, carros alegóricos ricamente ornamentados nem sambódromo. A tradição
do carnaval daqui é dança no pé, desfile no chão. No mais, é tudo igual. Há
samba-enredo, compartimentação da escola em alas, bateria, e outros itens. Tudo
dentro das condições econômicas da terra e sem a mercantilização dos desfiles
cariocas. Vejamos, de imediato, algumas das mais famosas escolas de samba do
Recife: Preto Velho, Limonil, Unidos de Vila Escalaibe, Imperadores da Vila São
Miguel, Unidos da Mangueira, Estudantes de São José, entre outras. Algumas
escolas desapareceram, outras apareceram.
Clubes de alegorias são entidades carnavalescas que através da arte fazem
críticas aos costumes de época. No Recife, já não existem clubes de alegorias.
Os primeiros que apareceram tiveram vida curta. E eram sedeados na Rua
Imperial, ali bem próximo da ponte de Afogados e a poucos metros de Rebeldes
Imperial, o bloco já descrito. Na década de quarenta, Os Quatro Diabos
desfilaram com o tema anjos rebeldes. Houve insatisfação no grupo, e no ano
seguinte, dois clubes de alegorias estavam se preparando para brincar o
carnaval. Anjos Rebeldes, desfilou
com três carros. O desfile nem bem começou, e um temporal caído sobre a capital
pernambucana arrasou com as alegorias. Eram todos confeccionados com papel e cola aplicados
sobre moldes de arame. Nessa época não
existia ainda a petroquímica, de onde vem o plástico. Os carros destroçados
ficaram jogados no meio-fio, a pequena distância do local onde foram
confeccionadas as alegorias destruídas. Os clubes de alegorias se extinguiram,
pois era muito difícil arcar-se com os custos dos projetos; a rede elétrica dos
bondes que atrapalhava o desenvolvimento da cidade e dificultava a passagem dos
carros alegóricos; a escuridão total que
passou a ser a tônica dominante das noites recifenses em razão da segunda
guerra mundial. O Recife vivia em permanente estado de alerta, pois a qualquer
momento poderia ser alvo de um bombardeio por parte da aviação nazista.
Nenhum comentário:
Postar um comentário