NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013


DA SOCIEDADE DECADENTE À SOCIEDADE DEPRIMIDA
Tempos diferentes esses! Apesar de longo interregno para adaptação, a sociedade ainda cambaleia na assimilação de tantas transformações. As tradições familiares dos anos trinta foram atropeladas por ideias liberalizantes inoculadas na sociedade a partir de meados dos anos quarenta, e avançaram nos anos cincoenta  para se consolidarem a partir da década de sessenta; o festival de Woodstock, mais do que um evento musical, foi a arrancada para uma nova visão do mundo e dos problemas que o cercam. Os novos elementos que a partir de eventos como esse passaram a dominar a cena social do Ocidente traziam uma proposta radical: arquivar tudo que existia em termos de regras sociais. A sociedade não precisava de regras; as pessoas – células desse corpo vivo que é a sociedade, precisam tão somente de liberdade. Algo intrigante estava acontecendo. As moças cortavam os cabelos bem curtinhos e os rapazes deixam suas cabeleiras vastas e despenteadas dominarem a cena. A família deixou de ser um núcleo irradiante de confiança e centro de atração e afago para os membros da linhagem consanguínea. Costumes, crenças, tradições, tudo passou a ser questionado. Tudo que existia era passado. Urgia uma nova sociedade. Vivia-se uma era pós-moderna.
Mas o pós-modernismo chegou com um defeito de fábrica. Não é propriamente um sistema social novo, uma forma prática como queriam os jovens insatisfeitos de quarenta anos atrás  de pensar, produzir, administrar. Tornou-se um mero conceito, sem perspectivas claras para um futuro melhor para a humanidade. Mudaram o mundo, chegaram ao poder; destruíram a “sociedade decadente e falsa”, mas não construíram nada melhor para substituí-la. E deu no que deu. Woodstock venceu, mas transformou a sociedade ocidental  num  gigantesco polvo  de mil e um tentáculos, que sem comando nem controle, a tudo abarca, a todos oprime. Essa sociedade automatizada privilegia os mais capazes, mais astutos, aquela parcela que teve acesso a uma escola melhor e viu abrir-se a sua frente oportunidades de trabalho e crescimento. Não é só no Brasil ou nos países em desenvolvimento que esse fenômeno acontece. A velha e colonialista Europa – e sua cria, os Estados Unidos, também registra essa situação impensável na época da produção manufaturada. Essa visão econômica de redução dos custos de produção levou a sociedade ocidental a criar máquinas que pagam auxílio-desemprego, bolsa-família e demais benefícios dos programas sociais dos governos de cada país. Grandes parcelas da humanidade, peso maior no Ocidente, passaram a viver de esmolas. A decadência de outrora é o estado depressivo de hoje.

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