CARNAVAIS DE OUTRORA II
CLUBES, TROÇAS E BLOCOS
O bairro de São José era um dos grandes focos de atração do
reinado de momo ai por volta de 1940. A Rua Imperial sedeava nada menos do que seis
agremiações carnavalescas. Dois clubes, uma troça e dois clubes de alegorias.
Destes dois últimos cuidaremos em outro artigo. Pão da Tarde, no 1º andar de um
prédio perto da praça Sérgio Loreto, e Prato Misterioso, na esquina com a Rua
do Chafariz, ali junto à construtora Burrioni, eram os dois clubes. Pão Duro,
no 2º andar do mesmo prédio onde funcionava Pão da Tarde, era o nome da troça.
A Rua de Jangada, além de ser ponto obrigatório de visitas das agremiações da zona sul, tinha sua própria atração, a
troça carnavalesca mista Beliscadas. Para quem tem menos de sessenta anos, a
Rua de Jangada era um povoado que existia na Cabanga, na faixa de terra entre a bacia do Pina e a linha férrea; compreendia a Rua Pedro Marinho
(também conhecida como Rua das Calçadas Altas) e a Colônia Z -1 de Pescadores. Do Pina, lá do outro lado da ponte de ferro de
setecentos metros de comprimento, num lugar chamado Bode, vinha Banhistas do
Pina, famoso bloco carnavalesco ainda hoje visto como atração naquelas bandas.
Outro bloco, Batutas de São José, ainda hoje desfila no carnaval e atrai
aficionados da dança à sua sede. Mas, você sabe a diferença entre Clubes e
Troças? Sabe o que é um bloco carnavalesco?
Clubes são agremiações carnavalescas de frevo de rua compostos de
vários segmentos: o principal, seu
símbolo, o Estandarte(bandeira) ricamente confeccionado em seda e bordado a
ouro ou simplesmente dourado, que levado pelo porta-estandarte ( vestido de
tecidos finos, em modelos lembrando reis da antiguidade) comanda todo o
séquito. Vem em seguida a ala da diretoria; seguem-se os cordões dos
componentes, exibindo luxuosas fantasias, passistas, e a orquestra, composta
de instrumentos de sopro como trombone,
saxofone, clarinetes, etc. Os clubes desfilam à noite. Troças são agremiações de menor porte, mas
algumas tão luxuosas que se sobrepõem aos clubes. Foram gestadas nos subúrbios,
como crítica aos costumes sociais. Têm praticamente as mesmas formações dos
clubes, também estandartes, boas orquestras e tocam frevo; se classificam
como de 1ª, 2ª e 3ª categorias. As troças desfilam durante o dia, e as de 1ª
categoria disputam título junto à Federação Carnavalesca Pernambucana. Essa
classificação vai caindo em desuso, pois só as troças mais fortes e
estruturadas conseguem sobreviver. Blocos são agremiações líricas, que
tocam frevo-canção e compostas principalmente por senhoras, moças e crianças;
saem logo cedo e desta forma as famílias
podem participar diretamente dos folguedos carnavalescos sem os incômodos do
calor forte do Nordeste; os maridos,
pais ou irmãos das mulheres faziam a segurança dos cordões que separavam os integrantes do desfiles da
multidão; os blocos nasceram no seio das famílias, como alternativa de
divertimento para seus membros. O bloco se compõe de alas bem delimitadas, tem
também seu estandarte e a orquestra é formada de instrumentos de pau e cordas,
como violões, violinos, cavaquinhos, baixos, bandolins, flautas, clarinetes,
contrabaixos, pandeiros, percussão, entre outros. Entre os blocos mais
conhecidos, os já citados Banhistas do Pina e Batutas de São José, Madeira do Rosarinho, Rebeldes Imperial, Bloco
das Flores, Andaluzia, Pirilampo, entre dezenas de outros.
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