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EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013


                   CARNAVAIS DE OUTRORA  II
                         CLUBES,   TROÇAS E BLOCOS
O bairro de São José era um dos grandes focos de atração do reinado de momo ai por volta de 1940. A Rua Imperial sedeava nada menos do que seis agremiações carnavalescas. Dois clubes, uma troça e dois clubes de alegorias. Destes dois últimos cuidaremos em outro artigo. Pão da Tarde, no 1º andar de um prédio perto da praça Sérgio Loreto, e Prato Misterioso, na esquina com a Rua do Chafariz, ali junto à construtora Burrioni, eram os dois clubes. Pão Duro, no 2º andar do mesmo prédio onde funcionava Pão da Tarde, era o nome da troça. A Rua de Jangada, além de ser ponto obrigatório de visitas das agremiações  da zona sul, tinha sua própria atração, a troça carnavalesca mista Beliscadas. Para quem tem menos de sessenta anos, a Rua de Jangada era um povoado que existia na Cabanga,  na faixa de terra entre a bacia do Pina  e a linha férrea; compreendia a Rua Pedro Marinho (também conhecida como Rua das Calçadas Altas) e a Colônia Z -1 de Pescadores.  Do Pina, lá do outro lado da ponte de ferro de setecentos metros de comprimento, num lugar chamado Bode, vinha Banhistas do Pina, famoso bloco carnavalesco ainda hoje visto como atração naquelas bandas. Outro bloco, Batutas de São José, ainda hoje desfila no carnaval e atrai aficionados da dança à sua sede. Mas, você sabe a diferença entre Clubes e Troças? Sabe o que é um bloco carnavalesco?
Clubes são agremiações carnavalescas de frevo de rua compostos de vários segmentos: o principal,  seu símbolo, o Estandarte(bandeira) ricamente confeccionado em seda e bordado a ouro ou simplesmente dourado, que levado pelo porta-estandarte ( vestido de tecidos finos, em modelos lembrando reis da antiguidade) comanda todo o séquito. Vem em seguida a ala da diretoria; seguem-se os cordões dos componentes, exibindo luxuosas fantasias, passistas, e a orquestra, composta de  instrumentos de sopro como trombone, saxofone, clarinetes, etc. Os clubes desfilam à noite. Troças  são agremiações de menor porte,   mas algumas tão luxuosas que se sobrepõem aos clubes. Foram gestadas nos subúrbios, como crítica aos costumes sociais. Têm praticamente as mesmas formações dos clubes, também  estandartes,  boas orquestras e tocam frevo; se classificam como de 1ª, 2ª e 3ª categorias. As troças desfilam durante o dia, e as de 1ª categoria disputam título junto à Federação Carnavalesca Pernambucana. Essa classificação vai caindo em desuso, pois só as troças mais fortes e estruturadas conseguem sobreviver. Blocos são agremiações líricas, que tocam frevo-canção e compostas principalmente por senhoras, moças e crianças; saem logo cedo e desta forma  as famílias podem participar diretamente dos folguedos carnavalescos sem os incômodos do calor forte do Nordeste;  os maridos, pais ou irmãos das mulheres faziam a segurança dos cordões  que separavam os integrantes do desfiles da multidão; os blocos nasceram no seio das famílias, como alternativa de divertimento para seus membros. O bloco se compõe de alas bem delimitadas, tem também seu estandarte e a orquestra é formada de instrumentos de pau e cordas, como violões, violinos, cavaquinhos, baixos, bandolins, flautas, clarinetes, contrabaixos, pandeiros, percussão, entre outros. Entre os blocos mais conhecidos, os já citados Banhistas do Pina e Batutas de São José,  Madeira do Rosarinho, Rebeldes Imperial, Bloco das Flores, Andaluzia, Pirilampo, entre dezenas de outros.

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