NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013


        CARNAVAIS DE OUTRORA  I
  ESPAÇO GEOGRÁFICO E CENÁRIO; O CORSO
O  carnaval  de Pernambuco não dispõe de acervo histórico confiável e digno de suas tradições. Pouco do que acontecia nas ruas do Recife  durante o reinado de momo  nas primeiras décadas do Século XX  é conhecido das novas gerações. Nesse período da nossa história, Recife era uma cidade compactada no seu centro comercial, que englobava os bairros de Santo Antônio, São José e Recife antigo. Toda folia se concentrava no entorno da Praça da Independência, onde era armada a arquibancada principal da federação carnavalesca  de Pernambuco. Não havia as grandes avenidas de hoje. A Rua Imperial era a única ligação entre a zona sul e o centro da cidade. Bairros periféricos de então só existiam em seus centros, sem as vilas e as partes estendidas que formam novos bairros hoje. O transporte de massa era feito pelo bonde da companhia inglesa Pernambuco Tramways. A rede elétrica que alimentada o bonde impedia o desenvolvimento da cidade e a evolução de carros alegóricos e a muitas vezes até de porta-bandeiras.
O carnaval era uma brincadeira sadia até meados dos anos 50. O corso, um desfile de carros conversíveis particulares pelas principais ruas do centro do Recife, embelezava a paisagem da cidade  nos dias de carnaval. Cada carro levava os jovens de uma família. Moças e rapazes ricamente  fantasiados, jogavam confetes e serpentinas nos foliões espalhados pelas ruas; cantavam marchinhas, sambas ou frevos. E espargiam jatos de lança-perfume que odorizavam  o ambiente. Rua Nova, pracinha da Independência, 1º de março, imperador eram por algumas horas o corredor desses veículos estilizados pertencentes à classe média alta. O carnaval era festejado predominantemente nas ruas. Os clubes eram poucos, e fechados aos seus associados, quase sempre membros das classes abastadas da cidade. Quando chegava a hora dos desfiles das agremiações carnavalescas diante das autoridades da federação, o corso dava lugar ao frevo de rua dos clubes,  ao frevo de blocos das sociedades líricas  ou aos tambores dos maracatus ou às flechas dos caboclinhos. Havia ainda os clubes de alegorias, hoje extintos. Veremos em artigos posteriores  cada um desses grupos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário