CARNAVAIS
DE OUTRORA I
ESPAÇO GEOGRÁFICO E CENÁRIO; O CORSO
O carnaval de Pernambuco não dispõe de acervo histórico
confiável e digno de suas tradições. Pouco do que acontecia nas ruas do
Recife durante o reinado de momo nas primeiras décadas do Século XX é conhecido das novas gerações. Nesse período
da nossa história, Recife era uma cidade compactada no seu centro comercial,
que englobava os bairros de Santo Antônio, São José e Recife antigo. Toda folia
se concentrava no entorno da Praça da Independência, onde era armada a
arquibancada principal da federação carnavalesca de Pernambuco. Não havia as grandes avenidas
de hoje. A Rua Imperial era a única ligação entre a zona sul e o centro da
cidade. Bairros periféricos de então só existiam em seus centros, sem as vilas
e as partes estendidas que formam novos bairros hoje. O transporte de massa era
feito pelo bonde da companhia inglesa Pernambuco Tramways. A rede elétrica que
alimentada o bonde impedia o desenvolvimento da cidade e a evolução de carros
alegóricos e a muitas vezes até de porta-bandeiras.
O carnaval era uma brincadeira sadia até meados dos anos 50.
O corso, um desfile de carros conversíveis particulares pelas principais ruas
do centro do Recife, embelezava a paisagem da cidade nos dias de carnaval. Cada carro levava os
jovens de uma família. Moças e rapazes ricamente fantasiados, jogavam confetes e serpentinas nos
foliões espalhados pelas ruas; cantavam marchinhas, sambas ou frevos. E
espargiam jatos de lança-perfume que odorizavam
o ambiente. Rua Nova, pracinha da Independência, 1º de março, imperador
eram por algumas horas o corredor desses veículos estilizados pertencentes à
classe média alta. O carnaval era festejado predominantemente nas ruas. Os
clubes eram poucos, e fechados aos seus associados, quase sempre membros das
classes abastadas da cidade. Quando chegava a hora dos desfiles das agremiações
carnavalescas diante das autoridades da federação, o corso dava lugar ao frevo
de rua dos clubes, ao frevo de blocos
das sociedades líricas ou aos tambores
dos maracatus ou às flechas dos caboclinhos. Havia ainda os clubes de alegorias,
hoje extintos. Veremos em artigos posteriores cada um desses grupos.
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