NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

segunda-feira, 8 de julho de 2013


         UMA CULTURA BRASILEIRA
No momento em que o País passa por uma sacudidela que pode acordá-lo de uma letargia secular, é importante lembrar  pensadores que entre fim do Século XIX  e começos do Século XX, começaram a formar uma consciência cívica que daria formas a uma cultura brasileira, diferenciando-a do modo de viver português. As elites políticas brasileiras, infelizmente, estavam atreladas a interesses portugueses. Mas uma elite intelectual, diminuta, porém dinâmica, pensava um Brasil para os brasileiros. Ainda não inteiramente livres da influência econômica portuguesa, Machado de Assis, José de Alencar, Monteiro Lobato, Humberto de Campos  lançaram as bases culturais de um pensar brasileiro. Mas foi Olavo Bilac - com certeza uma figura desconhecida das gerações pós anos quarenta, quem mais contribuiu para a formação de uma cultura brasileira. Olavo Bilac, jornalista, escritor, poeta, conferencista, defensor das causas cívicas foi membro fundador da Academia Brasileira de Letras;  como  inspetor do ensino aproveitava essa condição para fazer conferências sobre o civismo, e seu trabalho e sua obra eram  voltados principalmente para a juventude. Homem comprometido com os ideais de uma pátria culta, cívica, sem pobreza, o “príncipe dos poetas” sofreu intensa reação da corrente modernista e de grupos liberais.
Conto para velhos, Profissão de fé, Penópolis, Sarças de Fogo, Alma inquieta, Via láctea, entre outros, são alguns dos livros de Bilac. Sua obra fala de temas variados, e lendo-as as crianças e jovens aprendiam desde a identificar quantos dias  os meses têm, as festas de cada mês, a conhecer a configuração do firmamento; astronomia, botânica, biologia, geografia e outras ciências naturais e sociais estão presentes na obra do Príncipe dos Poetas. Veja a sensibilidade do romantismo de Bilac: “Ora (direis) ouvir estrelas certo / Perdeste o senso e eu vos direi no entanto / Que para ouvi-las muitas vezes desperto /  E abro a janela pálido de espanto / (...) Perguntai agora tresloucado amigo / Que conversas com elas que sentido / tem o que dizem quando estão contigo / E vos responderei amai para entende-las / Pois só quem ama pode ter ouvido / Capaz de ouvir e de entender estrelas”.
Nestes momentos de efervescência cultural, mas, infelizmente, de pouco patriotismo é de se lamentar as condições miseráveis em que vivem os professores do ensino básico do Brasil. Salários baixos, humilhantes, sem condições de reciclagem dos conhecimentos, pois não têm dinheiro para adquirirem  revistas especializadas, bons dicionários, canais a cabo voltados para suas especialidades, em uma palavra: desmotivados. E é exatamente em momentos como este que se lamenta a falta de estímulo aos professores. Alguns que demonstrassem habilidades e comprometimento com ideais cívicos poderiam se estimulados a desenvolverem atividades especiais conclamando os alunos a se interessarem pelo estudo e  se interessarem pela história e símbolos da Pátria. Mas o que se ver é professores abandonando o magistério (um foi ser barbeiro, outro foi dirigir taxi e outro preferiu ser muitos  dos que ficam  representam uma parcela de insatisfeitos, desmotivados. Falta uma política pública para o ensino, que pudesse criar outros Olavo Bilac.

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