UMA CULTURA BRASILEIRA
No momento em que o País passa
por uma sacudidela que pode acordá-lo de uma letargia secular, é importante
lembrar pensadores que entre fim do
Século XIX e começos do Século XX, começaram
a formar uma consciência cívica que daria formas a uma cultura brasileira,
diferenciando-a do modo de viver português. As elites políticas brasileiras,
infelizmente, estavam atreladas a interesses portugueses. Mas uma elite
intelectual, diminuta, porém dinâmica, pensava um Brasil para os brasileiros.
Ainda não inteiramente livres da influência econômica portuguesa, Machado de
Assis, José de Alencar, Monteiro Lobato, Humberto de Campos lançaram as bases culturais de um pensar
brasileiro. Mas foi Olavo Bilac - com certeza uma figura desconhecida das
gerações pós anos quarenta, quem mais contribuiu para a formação de uma cultura
brasileira. Olavo Bilac, jornalista, escritor, poeta, conferencista, defensor
das causas cívicas foi membro fundador da Academia Brasileira de Letras; como inspetor do ensino aproveitava essa condição para
fazer conferências sobre o civismo, e seu trabalho e sua obra eram voltados principalmente para a juventude. Homem
comprometido com os ideais de uma pátria culta, cívica, sem pobreza, o
“príncipe dos poetas” sofreu intensa reação da corrente modernista e de grupos
liberais.
Conto para velhos, Profissão de
fé, Penópolis, Sarças de Fogo, Alma inquieta, Via láctea, entre outros, são
alguns dos livros de Bilac. Sua obra fala de temas variados, e lendo-as as
crianças e jovens aprendiam desde a identificar quantos dias os meses têm, as festas de cada mês, a
conhecer a configuração do firmamento; astronomia, botânica, biologia,
geografia e outras ciências naturais e sociais estão presentes na obra do
Príncipe dos Poetas. Veja a sensibilidade do romantismo de Bilac: “Ora
(direis) ouvir estrelas certo / Perdeste o senso e eu vos direi no entanto /
Que para ouvi-las muitas vezes desperto / E abro a janela pálido de espanto / (...)
Perguntai agora tresloucado amigo / Que conversas com elas que sentido / tem o
que dizem quando estão contigo / E vos responderei amai para entende-las / Pois
só quem ama pode ter ouvido / Capaz de ouvir e de entender estrelas”.
Nestes momentos de efervescência
cultural, mas, infelizmente, de pouco patriotismo é de se lamentar as condições
miseráveis em que vivem os professores do ensino básico do Brasil. Salários
baixos, humilhantes, sem condições de reciclagem dos conhecimentos, pois não
têm dinheiro para adquirirem revistas
especializadas, bons dicionários, canais a cabo voltados para suas
especialidades, em uma palavra: desmotivados. E é exatamente em momentos como
este que se lamenta a falta de estímulo aos professores. Alguns que
demonstrassem habilidades e comprometimento com ideais cívicos poderiam se
estimulados a desenvolverem atividades especiais conclamando os alunos a se
interessarem pelo estudo e se interessarem
pela história e símbolos da Pátria. Mas o que se ver é professores abandonando
o magistério (um foi ser barbeiro, outro foi dirigir taxi e outro preferiu ser muitos
dos que ficam representam uma parcela de insatisfeitos, desmotivados.
Falta uma política pública para o ensino, que pudesse criar outros Olavo Bilac.
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