NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

A  FÉ  DE  CADA  UM
Todo ano, nesses dias de fim de inverno e começos de primavera o Brasil inteiro assiste à manifestações culturais de fundo religioso de vários matizes. Por respeito  às crenças da diversidade étniica  brasileira, não se deve dizer que se trata de simples manifestações folclóricas, pois envolvem a fé de vários segmentos da sociedade brasileira.  De Norte a Sul, de Leste a Oeste, o colorido da nossa gente se faz presente. Hoje, por exemplo, os seguidores de cultos africanos comemoram o dia de Xangô. Ontem, manifestações ecléticas ocorridas principalmente na zona da mata norte comemoravam o culto da Jurema, uma manifestação da cultura indígena da região mesclada com componentes culturais africanos. Maracatus, caboclinhos, reisados, e outros eventos revivem a saga dos negros africanos escravizados e trazidos para o Brasil para trabalharem  na lavoura da cana-de-açúcar de Pernambuco e outros estados do Nordeste. Na Bahia, onde aportou maior número de escravos para tocarem a lavoura do cacau, o sincretismo religioso é típico; ali se reúnem quase todas as nações africanas cujos povos foram  barbaramente arrancados de suas terras natais para trabalharem como escravos do outro lado do oceano Atlântico.  E para manterem vivas  suas tradições se mesclaram com o culto cristão, impositivo, desumano e dominado pelo poder do dinheiro. No Norte do Pais, o Carimbó é a principal expressão artística da cultura africana ancestral.

Não importa que sejamos católicos, protestantes, espíritas, muçulmanos, budistas, judaicos... O que importa que é que respeitemos as opções religiosas do semelhante. Claro que não deverá haver invasão da cultura paralela, ou alheia; cada um mantém sua crença  ou sua devoção. Por que essa disputa pela fé, pelo culto alheio? Há espaço para todos. A sociedade brasileira é diferenciada. Ela se mantém unida na diversidade de suas manifestações culturais. Esse sincretismo vai se alargando. Essa performance cultural vai  evoluindo, se consolidando. E quando forem ouvidas as diversas culturas das diferentes regiões brasileiras, ai sim, é que vai se assistir ao colorido mosaico de uma sociedade mística, livre e unida. Cada região com sua cultura, cada pessoa ou grupos com sua crença; a fé de cada um.


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