CRÔNICA DE GOSTOS E MANIAS
Os poucos e bons amigos que possuo vivem a me convidar para
passar um fim de semana em suas casas. Alguns deles recebem em suas chácaras. Mas
sei que não sou boa companhia para esses momentos. Tímido como sou tenho
algumas dificuldades para atender a
tantos convites. Não é só uma questão de timidez. Sou portador de algumas
idiossincrasias, uma palavra difícil para substituir manias. Algumas colegas de classes já me rotulavam de bitolado. Santas bitolas que me impedem
de fazer certas "zueiras" que me descaracterizariam. Sou pródigo à
mesa e quase nulo na sala de visitas ou no terraço. Nem tanto! Invertendo a ordem, não faço uso de bebida
alcoólica alguma. Nunca fiz. E acho estranho a avidez com que pessoas de todas as
idades e sexos consomem todo tipo de
bebida. Pra mim, um suco já é suficiente. E não é qualquer sabor. Goiaba, nem
pensar. Sou alérgico a essa fruta, e médico cearense já me advertiu, quando fui
a uma emergência de lá ainda adolescente, que eu poderia morrer de um
choque anafilático usando a dita cuja. O
odor da fruta me perturba. Algumas
frutas cítricas meu estômago rejeita, caso da acerola, da pitanga, do limão e do abacaxi. Mas tenho
paixão sem cura por laranjas.
Fico imaginando como um dos meus amigos se surpreenderia se
eu aparecesse por lá. Ora, não como carne de nenhum berrante. Esse tipo de
carne me cheira almiscarado. Talvez um trauma de infância, quando lá no engenho
meu pai mandou matar um bode velho. O odor da carne do pai-de-chiqueiro a
ferver no tacho de cobre invadia todas as dependências próximas à casa-grande.
Ah!, tem uma exceção: a carne de veado era e é um prato que me apetece (já
disse que sou idiossincrásico!). Também não me ofereça buchada, dobradinha, lasanha,
pizza... Contentar-me-ia com um pirão de
siri (melhor que caranguejo) ou uma farofa de ovo com galinha assada no forno,
de preferência à lenha. Bom mesmo, no entanto, é um prato de feijão com peixe (ou
frango), acompanhado de uma salada colorida e uma fruta como sobremesa. E se
tocar a zabumba, com reco-reco, triângulo e pandeiro, ah! tô fora; não danço
coisa alguma. Mas aprecio esse tipo de música. Anfitriões costumam oferecer
charutos; eu ficaria bêbado só com o cheiro do fumo. Verdade que já fumei, isso
68 anos atrás. Sei que você tá com uma pergunta engatilhada ai na sua cabeça!
Ah, isso ai é outra história. Uma namorada da adolescência, que me achava
"certinho demais" pro gosto dela , já me fez essa pergunta.
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