RELIGIÃO E POLÍTICA -
MISTURA EXPLOSIVA
Revendo noticiário de
abril de 2013 me impressionou a insensatez do pastor Marco Feliciano. O
ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal, em defesa
feita nos autos de um processo por estelionato a que responde perante a Comissão,
declara peremptoriamente: "Há uma maldição divina sobre os africanos". E para embasar sua "convicção", diz que "Africanos descendem de cão (ou
cam), filho de Noé". E arremata:
"Cremos em bênçãos, não podemos ignorar as maldições". Feliciano tem
o topete de insinuar que grupos africanos "que se converteram" ao
Cristianismo superaram essa maldição. Conversei com alguns teólogos sobre as
afirmações de Feliciano. Um não quis se pronunciar a respeito, um segundo disse
que as declarações de Feliciano são "desprovidas de conteúdo histórico e
teológico" e um terceiro foi suscito: "Marco Feliciano é um ator que
privilegia a ribalta".
Desde tempos antanhos
europeus exploram os africanos. A civilização do trigo venceu e dominou a
civilização da mandioca. Assim como essa civilização do trigo venceu a civilização do milho, subjugando os grupos étnicos
do continente americano. Tudo foi roubado dos africanos, até a dignidade e o
direito à liberdade. As monstruosidades praticadas em nome do Cristianismo
pelos invasores europeus com certeza têm a aprovação de Feliciano; devem ter o
cunho de "obras da divindade". A África é um lugar exuberante, com
florestas, rios e animais exóticos, a maioria endêmica. Tem um povo de muitas
culturas, que vive feliz no seu belo cenário. Berço antropológica de todas as civilizações,
conforme fontes arqueológicas, a África é um continente rico em recursos naturais,
por isso a cobiça européia.
Marco Feliciano responde,
no Supremo Tribunal Federal (STF) a processos por discriminação de cor, raça e
religião. Corrupto, como todos os outros que lá estão, Marco Feliciano está
convencido que deu visibilidade à CDH, ele se acha. É protegido pelas cúpulas políticas mais
corruptas do cenário político brasileiro. Nem todos os evangélicos se consideram
representados por ele. E se o deputado, que pretende ser senador, for condenado
pode pegar de 3 a 8 anos de prisão. Pena que vivamos num País tão desigual,
inclusive no que tange à religião. E no qual, radicalismo como o de Marco
Feliciano e seu envolvimento com as práticas da velha política mostra, nessa mistura explosiva entre política e religião, um
fundamentalismo odioso que em nada contribui para melhorar a sociedade.
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