UMA
PAIXÃO DESMEDIDA
Em vez de senhor, eu
sou teu servo. Espontaneamente me submeto às tuas manhas. Gosto desse teu jeito
de ser, de pedir quase implorando sem necessitar fazer essa cena. Adoro teus
meneios e essa tua fissão por mim. Aprecio esse carinho, essa maneira de te dar
sem cobrar nada em troca. Sentado no meu
escritório, sinto saudades de ti. É como se tivesse passado muitos anos sem te
ver, e estivemos juntos não faz três horas. O cafezinho daqui não tem o sabor daquele que
sabes fazer! E aquele leitinho esperto que pões no meu café me aguça o apetite.
Feijão, arroz, frango, ninguém faz como tu sabes fazer. A salada crua,
multicolorida, verdadeira obra de arte, complementa meu prazer à mesa. Ah,
esqueci do suco, um sabor diferente a cada dia; cajá, mangada, graviola, pinha...
Sou teu escravo, não
teu senhor! Sem querer, tu me dominas mente, coração e apetite. Teu jeito
brejeiro, na simplicidade do teu vestir; essa sandália rasteira e teus longos cabelos, sempre soltos... tua voz mansa, suave,
baixinha, quase sussurrando ao meu é de ouvido, tudo isso me apaixona. E me faz dependente de
ti. Somos dois em um, como se dividíssemos o mesmo e único espaço. Não consigo me
imaginar sem ti. Quando dizes que não queres morrer antes de mim, eu sito que
estás dizendo as minhas palavras. Morrer é uma palavra muito forte; falamos de
vida, vida a dois. E se o amor é bom enquanto dura, esperamos que o nosso dure
a eternidade.
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