NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

            O  FIM  DAS   PROFECIAS

Desde tempos imemorados visionários e loucos preveem o fim do mundo. Como ser vivo que é a Terra, é claro que ela teve um começo, vive um meio e terá um fim. Mas esse ente tão complexo passou por períodos diversos, em idades diferentes e só se consolidou há relativamente pouco tempo. Filósofos e teólogos buscam uma explicação para as origens e o fim do mundo. Na verdade, eles buscam explicações escatológicas para a Humanidade. Pouca coisa se sabe sobre a Terra, a não ser uma idade presumida, um tempo útil de vida, igualmente presumido e, consequentemente, um fim. Claro que esse fim é focado na Humanidade, já que a Terra tende a se tornar um planeta inerte, sem recursos capazes de sustentar a vida sobre sua superfície. Como isso acontecerá?

É praticamente impossível dizer como esse processo se dará. Há conjecturas, baseadas na observação das reações ambientais desde que a Terra passou por essas variações físico-químicas, tomou forma e se consolidou. Isso levou bilhões de anos. Já a história da Humanidade é um evento relativamente recente. Os grandes animais dominaram a Terra há centenas de milhões de anos, estavam presentes em todos os continentes e desapareceram misteriosamente. Antes, pequenos animais habitaram as águas, migraram para a terra fixa e algumas espécies não se adaptaram ao novo ambiente e retornaram às águas. Essas mutações deram origem aos animais que conhecemos hoje. E ao homem também. Se os grandes animais habitaram a Terra há centenas de milhões de anos, a presença do ser humana na história varia muito de tempo. Se considerarmos a chamada civilização, essa história é bem recente, relativamente ao tempo do aparecimento da vida sobre a Terra. Houve uma época geológica em que a Terra era seca, os gases se aglutinavam em camadas bem acima da superfície. Eram densos, misturados e não produziam chuvas. Combinações químicas que se processaram através de bilhões de anos permitiram a aglutinação de moléculas de gases nobres, que foram caindo sobre a terra vazia em pequenas proporções, até que grandes agitações e tempestades acabaram por produzir chuvas intensas cujas águas caíram sobre todos os recantos do Planeta e preencheram todas as depressões da superfície. Formaram-se os mares, os rios, os lagos. Vieram as florestas, com elas a vida. O primeiro ser vivo foi sem dúvida uma bactéria.

Os primeiros ancestrais da raça humana apareceram sobre a Terra entre 3.600 e 4.500 anos atrás. Os grandes animais já haviam desaparecido há muito tempo. Como eram esses seres humanos. Na verdade, eram humanoides que viviam de forma rústica e se alimentavam do que colhiam na floresta ou pescavam nos rios. As formas primitivas evoluíram lentamente até formarem o homem atual. Eles apareceram como que de repente na história natural. E com certeza terão um fim idêntico. Isto é, a Humanidade se extinguirá tão lentamente como apareceu, e em meios a profundas perturbações climáticas. As profecias de tantos visionários nunca se confirmaram. E essa corrente de pensadores que preveem o fim do mundo para 2012 é tão surrealistas quanto as várias outras que previam o desaparecimento da Terra em épocas de passagem de ano. O fim das profecias seria o fim da história. E a história só acabará quando não houver mais quem escreva ou conte suas epopeias.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

 CRISE DE IDENTIDADE DO JUDICIÁRIO


                               "Há evidências de infiltração de bandidos por trás da toga"

                                                                                      - Ministra Eliana Calmon



O PODER JUDICIÁRIO, um dos pilares do tripé institucional da República e constitucionalmente responsável por zelar pela lisura do processo democrático que deve nortear as atividades públicas da Nação anda sofrendo de crise de identidade. As instâncias superiores desse Poder não se entendem. Nem os juízes e o pleno dos tribunais de justiça dos estados. Isso inclui a área da justiça eleitoral. Por outro lado, há um espírito corporativo que impede o pleno exercício das atividades judicantes através da ausência de transparência das suas várias instâncias via  manobras protelatórias das ações de maior interesse para a Nação e de ações de blindagem de autoridades judiciárias envolvidas em denúncias de corrupção.

Para garantir a lisura das ações do Poder Judiciária foi feita uma emenda constitucional que criou o Conselho Nacional de Justiça, órgão da sociedade para o controle externo do Judiciário. Esse Conselho vem prestando um excelente trabalho de fiscalizar as atividades dos Juízes, de todos os níveis. Claro que essa ação incomoda grande parte dos juízes e ministros dos órgãos superiores do Poder Judiciário. A venda de liminares, o beneficiamento de juízes denunciados ou investigados acusados da prática de atos incompatíveis com a função que exercem vêm sendo questionados pelo CNJ. Tudo corria como num País que se presa. Mas a insatisfação e a pusilanimidade de alguns membros dos tribunais superiores puseram água na fervura natural das ações do Conselho. Vendo colegas sendo investigados, não tendo muita margem para apadrinhar amigos processados por crimes diversos, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) puseram as unhas de fora.

Antes de analisarmos a pretensa lógica dos magistrados, lembremos que na estrutura judiciária do País já existem mecanismos de investigação, apuração, denúncias e julgamento dos juízes. São quatro hipóteses para se fechar um julgamento de um magistrado. E alguns juízes já foram punidos por via estrutural. Mas, nem sempre os casos mais impactantes, pela evidência da culpabilidade dos juízes acusados, chegaram àquele ponto que a sociedade espera que sempre aconteça. Juízes de vários tribunais do País foram acusados de corrupção passiva, passaram por um procedimento investigativo, mas o espírito corporativo acabou por desqualificar as denúncias, e os magistrados estão ai, impunes e exercendo suas funções. Foi por isso que se criou o Conselho Nacional de Justiça.

Recentemente, por demanda do presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), o ministro Marco Aurélio de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu liminar limitando a competência do Conselho Nacional de Justiça(CNJ). Por força dessa liminar, o CNJ não pode mais investigar ministros dos tribunais superiores. Na representação da AMB a estrutura do Poder Judiciário já conta com quatro instâncias para investigar seus membros. Seria descabida a interferência do CNJ. Ora, julgados por seus próprios pares, que não gostam de “cortar a própria carne”, expressão usual do jargão judiciário, tudo volta a ser como antes. Ou seja: nenhum ministro vai ser punido por corrupção. Haverá sempre aquela protelação, aquele acordo interno que não escapa à sociedade e tudo se arruma dentro do espírito de corpo do Judiciário.

A ministra Eliana Calmon, corregedora do Conselho Nacional de Justiça, foi enfática em uma declaração oficial: "Há evidências de infiltração de bandidos por trás da toga", afirmou a corregedora. O pronunciamento da ministra-corregedora não agradou ao ministro Ricardo Lewandoswki, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e membro do Supremo Tribunal Federal (STF) que embora não tenha sido ele agente-autor da liminar anulou uma investigação conduzida pelo CNJ na qual se apurava irregularidades da folha de pagamento dos tribunais superiores onde o nome do próprio Lewandoswki  aparece como tendo recebido dinheiro indevido. O citado ministro justificou sua intevenção no caso alegando que no momento da decisão (já era noite) só ele estava na sede do Supremo. Ao embasar suas alegações para anular a investigação defendeu como suficiente os mecanismos já existentes no sistema de fiscalização e punição dos ministros já constante do ritual do Judiciário. Diferente não foi a conduta do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Cezar Puluzo, ao fazer enfática defesa do Supremo e criticar a atuação do Conselho Nacional de Justiça, taxando suas decisões na área de investigação de ministros do Supremo como inconstitucional. A ministra Eliana Calmon rebateu as acusações contra o Conselho Nacional de Justiça, e entre outras coisas, afirmou que o CNJ,  nos autos anulados por Lewandoswki, "não investigava ministros do Supremo, mas folhas de pagamentos dos tribunais superiores" que apresentavam indicícios de irregularidades. A posição de Cezar Peluzo é tida como suspeita, pois ele próprio recebeu dinheiro a mais quando atuava em outro tribunal.

Infelizmente, há prós e contras nessa questão da existência do Conselho Nacional de Justiça. E essas posições antagônicas estão dentro dos próprios tribunais superiores. Claro, é uma corporação que se blinda e protege seus membros. Diferentemente do que pensam a Imprensa e a Ordem dos Advogados do Brasil, cujo presidente Ofhir Cavalcanti criticou a decisão do Supremo em limitar os poderes do CNJ e anular a partiipação da sociedade nos atos de fiscalização da atuação dos ministros e juízes e esvaziar os critérios de transparência das decisões desses magistrados.

As denúncias da ministra-corregedora do CNJ são de um impato demolidor. É bom lembrar que Daniel Dantas, o dono do Banco Oportunity, ao ser liberado da prisão por atos ilícitos, não demonstrava nenhum temor de ser condenado. Simplesmente afirmou que "Com o Surprem eu me entendo". Entende-se essa tranquilidade do bandido trasvestido de banqueiro que tantos golpes aplicou no sistema bancário brasileiro. Ele é amigo de Gilmar Mendes, e nessa ocasião Mendes era presidente do Supremo.Não há dúvidas de que o Poder Judiciário Brasileira sofre de um grave mal: uma profunda crise de identidade. Ainda que esta crise seja artificial, pois é de pura conveniência dos ministros que em vez de zelar pelo cumprimento das leis, se julgam acima delas.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

             DIREITOS   HUMANOS


Direitos Humanos foi tema discutido essa semana. Palestras para auditórios superlotados e preleções em sala de aula; cursos para formação de lideranças comunitárias, discursos pronunciados por gestores públicos dos três níveis de poder da República; intervenções de parlamentares nas tribunas municipais, estaduais e federais. Uma festa!

Mas, em meio a essas manifestações públicas de discussão desse tema tão importante, será que a população, parte mais interessada dessa discussão, já está suficientemente instruída sobre a estrutura da doutrina, da prática diária e da interiorização dos assuntos que constituem tão rico acervo cultural? Ela, a população, principalmente as camadas mais carentes, é o alvo e deveria ser igualmente credor prioritário dos Direitos Humanos. Mas, infelizmente, não é isso o que ocorre no dia a dia dessas pessoas. Pergunta a uma delas se sabe o que são Direitos Humanos. Para muitas são palavras sem sentido. Mas é preciso conscientizar essas pessoas sobre os direitos básicos do ser humano, que são os direitos delas.

O primeiro direito básico do cidadão é o direito à vida. O ser humano, uma vez concebido, tem o direito de nascer independentemente de quaisquer razões em contrário. A pessoa tem direito a  liberdade de expressão, o que inclui o direito de escolher e professar sua crença; tem o direito de ser respeitada em sua opções de vida e contar com um conjunto de meios que promovam sua  inserção social, seu crescimento profissional e intelectual, através de uma educação pública gratuita e universal de qualidade. A pessoa tem direito a uma moradia condigna, com água tratada, esgotamento sanitário, em lugar seguro e protegido das intempéries. A transporte público de qualidade e acessível a todas as camadas sociais; a uma mobilidade urbana, que permita seu deslocamento para o trabalho ou outros locais de atividades. O ser humano tem direito a um trabalho com renda condigna que lhe permita sustentar a si e a sua família. A uma alimentação com os nutrientes mínimos que lhe assegurem condições físicas para trabalhar. Tem o direito a assistência médica de qualidade, incluindo o acesso aos medicamentos necessários para seu tratamento quando precisar deles. Os trabalhadores precisam ser respeitados nos seus locais de trabalho e cumprirem apenas a jornada prevista em lei para cada categoria, e quando doentes terem acesso ao auxílio-doença e à aposentadoria, quando atingirem o limite de sua participação na atividade profissional.

O conjunto desses e de outros requisitos é que representa os Direitos Humanos. A educação, como forma de moldar o espírito e aprimorar a capacidade de assimilar os conteúdos e interpretá-los, em princípio, é a base de todos os direitos. Nos centros comunitários, igrejas, instituições culturais e, principalmente, na escola se deve discutir e começar a aplicação desses princípios que representam os Direitos Humanos.
O exercício pleno desses direitos só será possível quando as pessoas entenderem que são beneficiárias e guardiães dos mesmos, isto é, quando estiverem aptas a agir como cidadãos, com deveres e responsabilidades a cumprir, em uma palavra, souberem exercer a Cidadania.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

            PERDAS  IRREPARÁVEIS
                                         “Pobre gosta de luxo; quem gosta de lixo é intelectual”

                                                                                             - Joãozinho Trnta

Nesse fim de semana a cultura brasileira perdeu dois dos seus maiores baluartes. O carnavalesco Joãozinho Trnta, de 78 anos de idade e o ator e diretor Sérgio Brito, com 88 anos faleceram. O primeiro de complicações respiratórias e o segundo de provável infarto.

De Joãozinho Trnta pode dizer que revolucionou o carnaval carioca, e por extensão o brasileiro. Filho de família humilde do Maranhão, aportou no Rio de Janeiro ainda jovem. Foi bailarino do Teatro Municipal, mas sua vocação artística e sua alta capacidade de criação de cenários representativos da vida brasileira o levaram a montar carros alegóricos gigantescos que passaram a desfilar na avenida, mudando a feição estética do carnaval carioca. De baixa estatura e de relacionamento algo difícil, Joãozinho Trinta sabia dialogar com o belo e conhecia a miséria das populações periféricas das cidades brasileiras. Pesquisador de costumes, gênio na arte de esquematizar um quadro vivo e transformar esse quadro em uma representação de um realismo impressionante, o carnavalesco maranhense fez escola. Hoje em dia todo o carnaval do Rio e de São Paulo se inspira das ideias de um homem simples que levou o luxo para a avenida, certo de que a maioria das pessoas que assistiriam a esses desfiles era pobre. E foi com esse espírito metafórico de fazer o pobre se ver mergulhado no luxo dos desfiles que Joãozinho Trinta, numa célebre entrevista, que também expunha sua personalidade controvertida, afirmou que Pobre gosta de luxo; que gosta de lixo é intelectual.

Outro nome a se homenagear aqui é o de Sérgio Brito. Ator, diretor, criador de casas de espetáculos, Sergio Brito trabalhou no teatro, no cinema e na televisão. Como ator, figurou em mais de trinta novelas. Diretor se destacou na teledramaturgia e no teatro. Com sua voz possante e seu perfil esbelto, encantou gerações; atuou por mais de sessenta anos, e deixou sua marca nas artes brasileiras. Falta, entretanto, dizer que Sergio Brito era intelectual. Escreveu suas memórias e muitos roteiros para cinema e teatro.

O Brasil fica de luto com a partida desses dois baluartes das artes nacionais. Essas partidas representam perdas irreparáveis para a cultura brasileira.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

               O   DIA  DA  FAMÍLIA


Transcorreu nessa semana que passou o Dia da Família. Que noção temos hoje de família? Um amontoado de pessoas, cada uma com seus problemas pessoais e defendendo faca nos dentes um espaço só seu dentro da casa. É assim que se apresenta a família de hoje. Mas essa percepção é um desastre que tem dado lugar à violência, que infelizmente hoje começa dentro de casa. Perderam-se os valores da família, a ascendência e a descendência não se comportam como componentes de uma célula sadia que se reproduz criando aquela ambientação que era conhecida no seio das famílias até bem pouco tempo. Afinal, que é família?

Família, no sentido amplo do termo, é um grupo composto de pessoas com laços de sangue ou com ligações colaterais as quais se amam e zelam pelo bem-estar do grupo. Uma família necessita de um casal que se ame e divida os prazeres, a desventura, as emoções. E gere filhos que igualmente se amem e se respeitem. Esse é o núcleo da família. E esta é a célula que se ampliando gera a sociedade. Donde se infere que sociedade estável é aquela que se alicerça sobre famílias de formação consistente. Sem família estável não existe sociedade harmônica. Esses princípios, embora antigos, são atuais e atuantes. Fora deles, formam-se monstros corporativos, grupos competitivos, duelo pelo poder e ausência de ética nas tomadas de decisão.

A sociedade atual paga um preço muito alto por terem as famílias se afastado dos princípios éticos que balizavam sua formação. O lar, doce lar de décadas atrás se transformou num reduto de controvérsias, disputas e ódios. A falta de transparência das atitudes adotadas pelos membros da família esconde o ego de cada um dos seus membros. E a sociedade, refletindo esse clima psicológico, se transformou nisso que está ai. Nessa proximidade do Natal, as religiões deveriam levar seus membros a refletirem sobre essa dura realidade. As comemorações natalinas não têm sentido se não se levar em conta essa necessidade de uma retomada de atitudes, na qual todas as criaturas se autoanalisem e se conscientizem de que cada membro da família é uma partícula da célula que vai formatar a sociedade.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

        O  NOVO  CÓDIGO  FLORESTAL
INSTRUMENTO PARA BENEFICIAR DEVASTADORES  DA AMAZÔNIA

O Senado aprovou esta semana o novo Código Florestal Brasileiro. A versão aprovada pela Câmara Alta introduz emendas que farão a matéria retornar à Câmara dos Deputados. Mas não haverá nenhuma dificuldade para os deputados aprovarem essas emendas. A ação do lobby dos devastadores de florestas é muito forte no Congresso. Lá estão com longos mandatos deputados e senadores envolvidos com grandes negócios agropecuários na Amazônia e nas regiões de cerrados, encostas, etc. Pessoas poderosas cujos escrúpulos ( ou a falta deles) só levam em conta seus interesses econômicos e a compra do mandato para assegurar a manutenção de seus privilégios pessoais.

Blairo Maggi, senador e ex-governador do estado do Mato Grosso, é um dos maiores plantadores de soja do País. Também é tido como um dos maiores devastadores da Floresta Amazônica. E é justamente ele quem comanda as ações dos legisladores que elaboraram as normas do novo Código Florestal Brasileiro. Precisa ser dito mais alguma coisa? Há, sim, mais algumas coisas a se dizer. José Sarney, maranhense e senador pelo AP, também é um velho conhecido dos defensores da Floresta Amazônica. Todas as pessoas que acompanham a luta pela preservação da grande floresta tropical sabem da ação da família Sarney nessa tarefa de devastação da Amazônia. Apesar de seu filho Zequinha Sarney já ter ocupado o Ministério do Meio Ambiente, essa família está diretamente comprometida com o desmatamento da Amazônia para ocupar as áreas desmatadas com fortes programas de produção rural e criação de gado. Sabe outra figura que está na linha de frente dessa ação destruidora? Aquele velho conhecido, que está sempre na moita mas é líder maior desse movimento de mudanças do Código Florestal: Ronaldo Caiado, um dos parlamentares mais atuantes nas comissões do Congresso. Médico que talvez nunca tenha exercido a medicina, rico latifundiário, criador de gado, Caiado é o cérebro da antiga Frente Parlamentar da Agricultura. Na moita, ele critica o novo Código. Na verdade, ele quer uma versão bem mais liberal, onde os empresários do setor, leia-se: devastadores da Amazônia, possam agir da forma mais livre possível sob a falácia de que “é preciso produzir mais alimentos”.

Mas, por que o novo Código Florestal é tão ruim assim? Porque ele chega a ser bem pior do que a versão que modifica. No Código anterior, a devastação da Amazônia é tema recorrente nas discussões dos líderes políticos mais identificados com as questões do Meio Ambiente. Essa nova versão “limita” áreas a serem devastadas, mas não traz nenhuma novidade sobre preservação e recuperação dos mananciais que que formam a Bacia Fluvial Amazônica nem traz promessa de preservação dos serrados brasileiros, onde vivem espécies ameaçadas de extinção e algumas das quais endêmicas desses biomas. Essa “limitação” permite que áreas protegidas possam ser reduzidas em suas extensões. Pior: perdoa dívidas de quem desmatou até um certo número de hequitares. Regiões de matas ciliares devastadas e pertencentes a pequenos proprietários não precisam ser recompostas, e grande áreas de proteção dos mananciais ficaram nuas. Imaginem a quantidade de “pequenas propriedades” que se sucedem ao longo dos veios d´’agua grandes e pequenas espalhadas pela área florestal e outros pontos de presença marcante de espécies raras que ficarão sem cobertura vegetal e tendem a se degradar ainda mais com o passar do tempo.

Não vamos cair aqui em discussões técnicas; o texto do Código foi elaborado por técnicos e ajustado por políticos. A tendência desses técnicos é que deve ser levada em conta, e eles foram escolhidos pelos políticos que têm interesses na exploração econômica dos biomas. O Brasil inteiro sabe que a Floresta Amazônica já foi desmatada algo em torno de 30% (segundo dados oficiais), mas esses dados, embora assustadores em suas dimensões, não revelam os prejuízos causados às populações indígenas ou aos caboclos que vivem na Floresta e dela tiram seu sustento. As usinas hidroelétricas projetadas para a região amazônica cobrirão extensas áreas de mata, destruirão espécies vegetais que sequer ainda foram estudadas e catalogadas e deslocarão do seu habitat espécies animais já ameaçadas de extinção. Ninguém conhece os efeitos que tantas barragens de rios amazônicos causarão ao Meio Ambiente.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

         PRAIAS DO LITORAL SUL DA RMR


               O  PORTAL  DO  INFERNO

Quem ver a beleza das praias de Porto de Galinhas, Gaibu, Calhetas, Suape, Paiva, Enseada dos Corais, Itapuama e outros lindos recantos litorâneos do sul da Região Metropolitana do Recife tem a impressão que está visualizando o Paraiso. Fica só na impressão. Essas praias, até bem pouco refúgio de descanso semanal de muita gente que mora no Recife e em cidades vizinhas, estão hoje sob a mira de bandidos. O impacto populacional produzido pelas necessidades do polo Portuário e Industrial de Suape levou a uma importação de mão-de-obra para trabalhar nos canteiros do Complexo das atividades econômicas que ali se instalarão. E segundo alguns trabalhadores que pedem anonimato, no bojo dos milhares de pessoas que vieram de outros estados – principalmente, da Região Sudeste, para trabalhar em Suape, há um número significativo de bandidos. A quantidade de assaltos a moradores da orla e adjacências aumentou exageradamente nos últimos anos. O entorno de Gaibu se tornou uma terra de ninguém. Ali, as casas se transformaram em verdadeiras fortalezas. Muros protegidos por arame-farpado, cercas eletrificadas, grades em portas e janelas, todo esse aparato usado pelas pessoas que ali residem para se protegerem da bandidagem que infesta a área. A praia de Suape, onde até bem pouco se andava à noite pela beira-mar iluminada apenas pela luz da lua ou se dormia na areia até altas madrugadas, agora é um lugar perigoso para se viver.

O grande número de pessoas que trabalham em Suape inflou os valores imobiliários locais. As casas que antes podiam ser alugadas por 200 ou 300 reais agora custam de 800 a 1000 reais. E não se encontram casas disponíveis para alugar. Quase todas as moradias na área estão ocupadas por trabalhadores do Complexo de Suape. Quem escolhia aquelas praias para passar festas de fim de ano ou outros eventos de época fogem do entorno com medo dos assaltantes. A suntuosidade do Complexo Turístico do Paiva impressiona pela beleza arquitetônica, pelas vias bem cuidadas e pela facilidade de acesso às praias com a ponte recém-construída ligando Barra de Jangada à Praia do Paiva e facilitando o acesso às demais praias da localidade. Tudo ali vai se modernizando sob a influência de Suape. E de projetos turísticos que cada vez mais valorizam as casas, tornam a vida mais cara, mas não atentam para esse importante item que é a segurança das pessoas.

Principalmente em Enseadas dos Corais, de vasta extensão de areias brancas beijando as águas do mar, a violência se faz presente. O padrão aquisitivo dos moradores do lugar é dos mais altos em comparação com outras praias como Itapuama. A maioria usa as casas como ponto de veraneio, e quem se arrisca a morar ali vive prisioneiro em sua própria casa. Praia mesmo, só durante o dia, e em grupos. Sair sozinho para tomar um banho de mar é temerário. Pior ainda: quando o sol se queda no horizonte, todos se trancam em suas casas; a noite é dos marginais. Ali pertinho, em Gaibu, onde ficam importantes hotéis da orla e estão condomínios de luxo, além de belíssimas casas de propriedade de deputados, empresários e até de ex-governador a situação de segurança não muda. Ninguém se atreve a ir a uma praça, dá uma chegadinha à praia ou simplesmente sair à rua. Em sua edição de domingo, o Jornal do Comércio denuncia a situação de insegurança reinante naquela área litorânea. Um engenheiro que trabalha em Suape e mora em Gaibu, afirma que vista de longe aquela região litorânea parece o paraíso, mas arremata: “Para quem mora aqui é o inferno”. Comerciantes fecham seus estabelecimentos mais cedo. Donos de padarias, mercadinhos, bares e outros pontos de negócios vivem com medo. Todos eles já foram assaltados mais de uma vez. Alguns estão deixando o local.

A grandeza do Complexo Portuário e Industrial de Suape se expressa pelos números já apresentados em matérias anteriormente postadas pelo blog. Hoje, citaríamos apenas cinco mil viagens de ônibus para transportar os trabalhadores dos diversos empreendimentos ligados ao Complexo. É um movimento que engarrafa o trânsito nas horas de pico e degrada as estradas de acesso. As obras de reforço da estrutura viária em andamento logo mais estarão inauguradas, mas já nascerão insuficientes para escoar o trânsito de caminhões pesados, ônibus e outros veículos. Talvez porque as necessidades de transporte de um empreendimento dessas dimensões vão além da malha rodoviária. Só uma via férrea será capaz de dar respostas a essas necessidades. Há muitos projetos viários que a burocracia emperra sua execução naquela área. Mas enquanto não se pensar na ferrovia não se encontrará uma solução satisfatória para o problema.

Voltando aos problemas de segurança, a situação vai se agravar quando forem desativados os canteiros das obras do Complexo. Onde relocar milhares de trabalhadores que atuam nesses canteiros? O problema de habitação se agravará e a insegurança aumentará com pessoas sem trabalho, sem vínculo familiar local necessitando sobreviverem. É fácil imaginar o que poderá acontecer por aquelas bandas. Falar das belezas naturais das praias do Litoral Sul da Região Metropolitana do Recife já foi um exercício acalentador para quem teve o prazer de usufruir daquele ambiente até bem pouco quase paradisíaco. Quem hoje precisa morar ali, aquilo é o Portal do Inferno.

sábado, 3 de dezembro de 2011

 O  QUE ESPERAR DEPOIS DESSA CRISE?

O tema é recorrente. Mas mexe com todas as pessoas de todas as classes sociais. E no mundo inteiro. A economia mundial está em crise. E crise braba. Mas uma pergunta se faz necessária: quem determina quem. A economia se sobrepõe à política ou é o inverso? Seja lá qual for a teoria vencedora, a verdade é que a política mundial passa por uma revolução sem precedentes. Lembram a queda das bolsas em 1929? Papéis financeiros que sustentavam a liquidez das empresas perdiam o valor e eram jogados pelas janelas dos escritórios ou apartamentos. O mundo havia saído de uma Guerra Geral, a primeira guerra mundial, e se preparava para enfrentar outra, mais longa e mais ferrenha. A Rússia dominava o teatro europeu, e a União Soviética estava prestes a ser criada. Adolf Hitler lançava o nacionalismo Nazista, que viria a dar início à Segunda Guerra Mundial, secundado por Mussolini, do Partido Fascista na Itália, e pela sede de expansão e apetite sanguinário do imperador japonês. O mundo assistiu a episódios de um drama doloroso, com milhões de mortos e milhares de mutilados. Houve um ataque nuclear, na verdade, dois. Os Estados Unidos, sem necessidade, pois os japoneses já estavam derrotados em todas as frentes de batalha, lançaram uma bomba atômica de um megaton sobre Hiroshima e outra idêntica sobre Nagasaki. Um delírio humano, motivado por interesses políticos, econômicos e ideológicos.


Você sabe que a situação política do mundo atual é um pouco mais complicada do que o era nas décadas de 10 e 40? Durante a Primeira Guerra Mundial ninguém possuía bomba atômica nem foguetes balísticos teleguiados. Já no fim da Segunda Guerra é que Estados Unidos e Rússia se tornaram potências nucleares, desenvolveram sistemas de lançamentos de foguetes e criaram outras armas letais. Hoje, além de Rússia e Estados Unidos, França, Inglaterra, China, Índia, Paquistão e outras nações não declaradas têm armas atômicas. Só que as bombas atuais têm potencial de destruição milhares de vezes superiores às que foram jogadas contra as cidades japonesas. Alemanha, Itália e Japão compunham um eixo militar que disseminava a guerra por vários continentes. Os Estados Unidos, a Inglaterra e o Canadá possuíam as tropas melhor treinadas do Ocidente. E as esquadras americanas dominavam os mares. Os blocos militares mais fortes se concentravam, contudo, na América do Norte e na Europa Oriental. Hoje, não há mais aquele extremismo que levou ao confronto que terminou em 1945. Mas há no momento uma diversidade de grupos ideológicos explosivos dentro e fora das grandes potências militares do Ocidente.

Pior: a economia que sustenta a formidável máquina de guerra europeia está caindo aos pedaços; lá fica a OTAN, a organização militar que secunda os Estados Unidos ou à sua ordem distribui guerra onde surja qualquer ameaça aos interesses ocidentais; a economia americana – por sua vez a mais robusta e responsável pelo maior parque militar que o mundo conhece – também está em crise. O elemento principal que move a engrenagem industrial do Ocidente – o petróleo, está ameaçado de não chegar a essas fontes de consumo. O mundo árabe, maior jazida do combustível viscoso, passa por um momento de convulsão e definição política. Para onde vai essa parte do mundo?

A crise econômica mundial que a partir de 2008 derrubou os sistemas financeiros dos países mais ricos da Europa e também dos Estados Unidos não começou com a quebra do sistema de financiamento habitacional norte-americano. Os fatores que desencadearam essa crise são bem mais antigos. Têm motivos variados e estrutura complexa. Passa por processos históricos, alimenta-se de interesses econômicos e está encrustado em fortes doses de preconceito, ódios seculares e ranços étnicos e religiosos. De um lado, o Ocidente quer garantir as vias de escoamento para seu parque industrial do rico petróleo produzido no mundo árabe. De outro lado, tanto o Ocidente quanto o mundo oriental dominado pelo islamismo de há muito estão empenhados em confrontos religiosos. Os árabes são uma civilização diferente, milenar; têm costumes diversos dos ocidentais, incluindo ai sua concepção da criação do mundo e das coisas que o cercam. Seu Ente Supremo é diferente do Deus dos cristãos e dos judeus. E não aceitam comparações entre as duas Entidades Divinas. O Alá do Alcorão é único, e deve ser obedecido por todos. Donde se conclui que o Deus de cristãos e judeus seria uma versão grosseira da Divindade vista pelo Ocidente. Esse confronto ideológico já gerou guerras no passado, e continua disseminar confrontos no presente. Essa é uma questão, ao que parece, praticamente inconciliável. Mas os árabes têm petróleo e o Ocidente precisa desse combustível para mover sua extraordinária engrenagem industrial. E através de acordos, conchavos com ditadores das áreas produtoras de petróleo, os ocidentais vão encontrando sempre um meio de conseguir o óleo. Quando não mais conseguem através desses meios, utilizam a força para tal. Já se sabe que o mundo árabe é uma panela de pressão prestes a explodir. A cultura muçulmana está dividida em duas fações rivais e irreconciliáveis: sunitas e xiitas.

No Ocidente, principalmente na Europa, a coisa não é tão diferente. Povos diferentes deram origem aos atuais países europeus, e a rivalidade racial é latente entre os europeus. A coisa piora quando, depois de duas guerras mundiais com o Velho Continente servindo de palco de batalha, os líderes europeus, depois de idas e vindas, acordos e desacordos, criam um quase estadão chamado União Europeia, unificam a moeda, através de um Banco Central único e introduzem procedimentos administrativos e jurídicos unificados para suas deliberações. Fora a Inglaterra, que não abriu mão de sua valiosa Libra Esterlina, a maioria dos países europeus do Ocidente aderiram ao sistema. Agora, envoltos em problemas de diferenças econômicas, políticas e, por que não dizê-lo?, raciais, os países da União Europeia não se entendem. Ninguém quer perder seus privilégios, sua força política. E o resultado está ai: o volume de recursos (dinheiro) existente na União Europeia é insuficiente para fazer frente aos problemas que assolam as economias dos países-membros.

A crise econômica mundial focada na Europa é também uma crise de identidade entre os vários países que compõem a zona do euro. Em menores proporções, mas bem parecida com a crise política verificada atualmente entre os países do Oriente Médio e norte da África. E por extensão, uma crise que se alastra por todos os países, em todos os continentes. A Primavera Árabe, longe de ser florida, é feita de sangue. Como de sangue foram as primaveras europeias, têm sido a luta dos povos do Continente que buscam consolidar suas identidades culturais. E se a atual crise da União Europeia não vai terminar em sangue, a resolução dos graves problemas que afetam a Comunidade não será tão pacífica assim.

Para onde caminha a Humanidade? Ninguém sabe! Árabes em lutas intestinas, a elite social norte-americana ocupando as ruas e praças dos centros financeiros de Nova Iorque e de outras cidades para protestar contra o capitalismo; insatisfação generalizada em todo o mundo por causa da pressão sobre os trabalhadores e seus direitos; insurgências no mundo árabe derrubando ditadores que dominavam países há várias décadas. Eleições que fogem aos padrões democráticos em alguns países do Oriente Médio e norte da África. O capitalismo ocidental tenta se impor pela força ou por meio de conchavos, e até agora tem conseguido seus objetivos. Mas até quando essa situação mundial será mantida? Alguma coisa pobre contamina as relações entre os países dos vários continentes. E o grau de putrefação vai se agravando a cada dia. A convivência entre as diferenças culturais se deteriora em todos os continentes. O que é que está apodrecendo? Claro que os padrões de convivência entre as sociedades se deterioraram. É necessária uma nova definição de rumos, buscar saídas para essa crise que pode levar a Humanidade à implosão. Parece que o modelo econômico do Ocidente – o capitalismo, se esgotou. O modelo árabe não resolve nem os problemas internos de sua zona de influência. E ai, como fica? É esperar para ver. Talvez o que venha depois disso não seja nada agradável.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

 E  O  LIXO HOSPITALAR, POR ONDE ANDA?


Como andam as investigações para apurar responsabilidades pela importação do lixo hospitalar dos Estados Unidos? O assunto dominou a imprensa durante alguns dias, e de repente saiu de cena. É forte o lobby dos importadores de tecidos. E forte também é a máfia que está por trás de tudo isso. Por onde andam os lençóis encontrados em hospitais, hotéis e no comércio varejista? De que forma desapareceram? Ou não desapareceram, e continuam a ser vendidos nas lojas e nas feras do interior? A quantidade do material que circulava no comércio formal e informal é tão grande que não deixa dúvidas sobre a impossibilidade da mercadoria ter sido deixada de lado, lá num recanto, ou queimada, como era de se esperar. E em que lixão foi jogado o farto material cirúrgico usado que acompanhava lençóis, jalecos, fronhas, entre outras peças importadas?

Os consumidores que se cuidem. Nesse Natal muita roupa com forros de tecidos contaminados oriundos de hospitais norte-americanos, europeus e até brasileiros está nas prateleiras das lojas. Bactérias e vírus têm meios de sobrevivência que nem os médicos dominam completamente. E uma infecção latente e pontual poderá se espalhar por uma área desprotegida e criar um grave problema de saúde pública, principalmente no Nordeste. É bom que as autoridades falem ao público, expliquem o que foi e está sendo feito para resolver clara e definitivamente essa questão.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

CLIMA DE PROVOCAÇÃO EM BRASÍLIA
O DEPUTADO JAIR BOLSONARO VOLTA À CENA * CRIA DE 64, E SEM NENHUMA LUZ COMO PARLAMENTAR,  VEZ POR OUTRA PROCURA  O FOCO DAS CÂMERAS PARA MOSTRAR A DISCRIMINAÇÃO E O ÓDIO À DEMOCRACIA DO GRUPO QUE REPRESENTA.


A Democracia Brasileira ainda está num estágio preparatório. Esta na Constituição, mas nem aqueles que deveriam zelar por ela, e aperfeiçoá-la, são dignos dessa tarefa. Ontem, em Brasília, uma cena lamentável de provocação. E pelo das palavras e pelo conteúdo da questão, o decoro parlamentar foi ferido. Ninguém menos do que Jair Bolsonaro – sempre o Bolsonaro, cria de 64 e representante do que há de mais ultrapassado neste País, em discurso pronunciado anteontem na Câmara dos Deputados tentou, bem ao seu feitio, criar um clima de provocação que pudesse levar à agitação. Mente atrasada, sem nenhum destaque no exercício do mandato, Bolsonaro fez comentários desrespeitosos à pessoa da presidente Dilma Rousseff. Duvidou da feminilidade da presidente e insinuou que ela “podia ter simpatias por grupos homossexuais”. Esse deputado, representante da intolerância instaurada no Brasil em 1964, certamente não tem assunto mais importante para discutir. Mas ele é matreiro, aproveitou um plenário vazio na Câmara, para destilar seu veneno político e externar mais uma vez sua falta de educação democrática e sua conhecida formação preconceituosa. Comissão de Ética nele!
        SINAIS DE TRÉGUA NA PALESTINA

Os grupos rivais palestinos, Fatah e Hamas acenam para a possibilidade de um acordo que estabeleça o entendimento e a paz entre para aquele sofrido e desgastado povo do deserto lá no Oriente Médio. O presidente a Autoridade Palestina Mahmoud Abbas, líder do Partido Fatah, e o líder do movimento político partidário de oposição, no poder na Faixa de Gaza,Khaled Meshal, anunciaram, ontem no Egito, que chegaram a um acordo para pôr fim ao confronto entre as duas facções políticas. E se juntarão na tarefa de preparar eleições presidenciais que unifiquem a Palestina, dando-lhe condições de governabilidade.

Israel e os Estados Unidos têm interesses distintos nessa negociação anunciada pelos líderes palestinos. O único ponto que os une é a necessidade de manter a hegemonia militar de Israel na região. Quanto ao que poderá realmente acontecer, é esperar o desenrolar das negociações para ver no que vão dar.
CÂNCER PODERÁ ATINGIR NUMEROS ALARMANTES


O alerta é das autoridades sanitárias do País. Estimativas para 2012, do Instituto Nacional do Câncer, dão conta de que um milhão de pessoas poderão ser afetadas por essa doença maligna, degenerativa, progressiva e mortal. Quando é descoberto em tempo, através de exames periódicos a que as pessoas devem se submete, há mãos de 90% de chance de cura para o câncer. O Câncer é uma doença traiçoeira, porque silenciosa e quando seus sintomas aparecem muitas vezes já está em estado avançado.

A doença avança em todo o mundo. Condições genéticas, ambientais, nutricionais e outros fatores podem desencadear o mal. Os fumantes, as pessoas expostas a condições de trabalho em áreas de clima tóxico, a exposição demorada e sem proteção ao raios solares e outros fatores de risco precisam ficar atentos para a necessidade da prevenção da doença. O tratamento pode ser meramente cirúrgico ou uma combinação de quimioterapia e radioterapia. Às vezes é necessário usar a cirurgia mais essa combinação.

As mulheres acima dos quarenta anos, ou que tenham passado pela menopausa devem ficar atenta à forma mais letal de câncer, que atinge as manas. Testes de ambulatório previnem o câncer, detectando sinais de anomalias em simples exames anuais.

O câncer de pele pode ser desencadeado ou agravado nas pessoas que se expõem ao sol durante muito tempo. Porém, é conveniente que essas pessoas saibam que as horas mais indicadas para exposição ao sol são as que ficam antes das 9 e após as 16 horas. Isso, em termos, porque os raios ultravioletas penetram no interior das casas, através de janelas e portas de vidros ou dos carros sem películas protetoras e as várias formas de ação desses raios independem de horário. O filtro solar, quando usado adequadamente, protegem a pele, mas nada garante que os raios solares não invadam os espaços vazios deixados pela aplicação dos FPS.
DIA  NACIONAL  DE  AÇÃO  DE  GRAÇAS


Ato ecumênico espontâneo realizado ontem no Marco Zero reuniu milhares de praticantes de diversas religiões para comemorar o Dia Nacional de Ação de Graças. A data é um também é comemorada em outras partes do Planeta. É uma oportunidade de agradecer ao Criador as bênçãos recebidas durante o ano e um momento para reflexão sobre o que cada um fez nesse período e repensar atitudes que norteiem as praticadas diárias do ano seguinte. Católicos, evangélicos, espíritas e adeptos de outras religiões esqueceram suas diferenças organizacionais ou concepcionais para juntos louvarem ao Pai Supremo.

Nos Estados Unidos, o dia é comemorado com muita festa. Milhões de perus são sacrificados para saciar a fome de paz no jantar dos norte-americanos. Pena que o costume não possa ser seguido pelos mais pobres, os quais não dispõem de recursos para farta a mesa do jantar. Na Casa Branca o costume centenário reúne a família presidencial, amigos e colaboradores diretos.

Ainda arrotando os excessos do jantar, os norte-americanos acordam pela madrugada - às vezes nem dormem – para se lançarem às compras nas grandes lojas de departamento. Agradecem a Deus a oportunidade de fartura do ano inteiro, e começam a gastar para mudarem o ambiente pré-natalino. Adquirem todo tipo de produtos, muitas vezes supérfluos. Mas isso é necessário para fazer girar a economia dos estados Unidos. Essa é a lógica do capitalismo.

Apesar dessa conotação mercantilista, as comemorações do Dia de Ação de Graças são importantes, pois os seres humanos têm algo muito significativo: a necessidade de instantes de solidariedade em meio ao tumulto do cotidiano.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

MASSELA - A ANALOGIA

                 

                                      MASSELA - A ANALOGIA

                                                            Emílio J. Moura
                 


Massela - assim mesmo, sem erre e com esses - passava longas horas diante do espelho. Moça sensível que adorava flores e levava sempre ao colo uma gata siamesa. Mas, apaixonada por si mesma, não se cansava de admirar a própria beleza. Começava a se pentear após o demorado banho matinal com sabonete hidratante de essências variadas. Escovava lentamente as longas e densas madeixas, alisando-as com as mãos finas de uma fada; sutilmente, de cima para baixo. Sua fixação não estava apenas nos cabelos. Ela reverenciava todo o seu corpo marrom de linhas caprichosamente simétricas. Como se tivesse sido esculpido pelas mãos hábeis e firmes de um artesão atento.

Despida diante do espelho longo na vertical, fixado à parede do seu banheiro, conferia cada detalhe do corpo lindo. Começava alisando suavemente os seios quase em botão como se estivesse entrando na adolescência; usava as duas mãos para sentir na ponta dos dedos o detalhe dos bicos escuros dos mamilos naturalmente intumescidos. Depois, escorria as delicadas mãos busto abaixo. Palpava a cintura delgada como se a mensurasse na sua autopaixão. Tocava o umbigo e ia escorregando a mão até às coxas. Afastava-se um pouco do espelho para apreciar as pernas roliças e simétricas roçando uma na outra. Afastava-se mais um pouco, e curtia orgulhosa a sua silhueta sinuosa e harmônica, bela e estonteante. Não esquecia de olhar seus peszinhos de unhas diminutas, e, tais quais as das mãos, quase só visualizadas pelo toque lilás do esmalte. Os dedos, perfeitos, bem posicionados dentro do todo.

Agora, já mais perto do espelho, Massela acariciava seus braços longos e uniformes; os antebraços e as mãos lisas como seda. Voltava a vista para o busto, e finas listras brancas subindo dos seios e descendo pelas costas contrastavam com a cútis jambo da garota denunciando exposição aos raios solares na praia. Volvia o olhar para o rosto, e com uma pontinha da língua entre os dentes se deleitava com seu nariz regiamente em alinho com a boca de lábios finos e delicados. Os olhos, azuis e brilhantes, pequenos e ímpares movendo-se dentro de uma órbita protegida por cílios naturalmente cintilantes se assemelhavam aos da sua gatinha de estimação. As delicadas orelhas quase se perdiam em meio aos cabelos finos e lisos concentrados numa porção caída sobre o lado esquerdo do busto. Os traços uniformes do corpo da moça se definiam nos seus cincoenta e seis quilos e um metro e cincoenta e seis centímetros de altura. Nos seus vinte anos, nada sobrava. Nada faltava.

Massela era aluna de uma escola filantrópica num arrabalde da cidade. Freqüentava um curso de preparação para os exames supletivos do então ensino secundário do segundo ciclo (artigo 99). Moça de origem humilde, tentava um certificado para se inserir no mercado de trabalho. Já havia feito o curso de datilografia e o certificado a habilitaria a um emprego de melhor remuneração. Vestia-se bem, dentro das limitadas condições financeiras da família. Comportada e de mente centrada, não tinha esses hábitos já na época tidos por “moderninhos”. A família dela era ajustada, com os pais pacientes e conselheiros, vigilantes e severos. Sua única irmã tinha menos idade e... era adotada. Esta não confessava, mas nutria uma pontinha de inveja de Massela. Também era bonita. Mas ficava muitos anos-luz aquém da irmã.

Aprovada nos exames supletivos e sem maiores problemas empregada no escritório de uma famosa loja de material de pesca da cidade, Massela passou a conhecer um mundo diferente daquele do seu bairro. A esposa do patrão que também dava expediente no escritório, controlando a contabilidade, gostava muito da moça e a levava para as festas que freqüentava. Eram festas comportadas, sem muita bebida, e fumaça de cigarros só do lado de fora da sala de danças. O que importava era a emoção do convívio com os amigos. Conectada ao mundo social da classe média, Massela elegeu a dança sua arte de expressão corporal. Mas preferia dançar solta, sem formar um par. Logo arranjou um namorado, rapaz educado, estudante universitário; bem intencionado.

Mas a mente de Massela não se desgrudava da auto-admiração. Sexo era coisa que não visitava sua cabeçinha de moça bem educada. O namorado percebeu que Massela não estava muito interessada num casamento – objetivo maior de uma moça dessa época – e desfez o namoro. A menina nem se abalou. E continuava sem namorado, apesar do assédio da rapaziada das rodas sociais a que ela comparecia acompanhando a patroa. Agora bem vestida, no meio daquela gente bonita e perfumada, Massela se via espelhada na juventude alegre e divertida das noites festivas. Mas, não enxergava ninguém na sua frente que fosse tão bonita quanto ela. Gostava da companhia daqueles amigos, só não via neles nenhum que se equiparasse a ela em termos de beleza. A idéia do belo em Massela não estava associada à noção da utilidade real da beleza.

Com o passar do tempo, Massela ia cada vez mais se empolgando com sua própria imagem. Os amigos já iam se afastando, seus espaços sociais diminuindo. Como numa dinâmica que foge a qualquer controle, Massela não percebia o abismo em que estava caindo. Num ritmo quase frenético, dançava cada vez mais. Agora, desgarrada dos amigos, movimentava seu corpo em passos cada vez mais alucinantes. Exercitava sua necessidade de dançar nos salões já quase vazios dos finais de festas; na sala ou em qualquer cômodo da casa da família. Subia nos ônibus já agitando o corpinho perfeito. Aos poucos ia se desligando do mundo real em que vivia e entrando num mundo idealizado por ela como o lugar que a merecia. Agora, já sem emprego, começava a dançar pelas ruas ao compasso de qualquer som que ouvia.

Internada num sanatório para doentes mentais, Massela fazia os pacientes se mexerem ao som das músicas tocadas através de um rádio instalado na enfermaria. Sem responder a qualquer tratamento prescrito pelos médicos, teve a alta recomendada. Não se adaptando mais ao convívio da família, foi levada para um sítio em interior distante de propriedade de parentes. Nada nem ninguém a segurava. Correndo pelos campos floridos em sua volta, sequer parava para admirar uma das muitas flores de toque sutil abundantes ali. Ignorava os animais diversos e as plantas multicoloridas. Nem cachoeiras nem lagos; nem matas nem rios. Nada daquilo tinha significado para ela. Ela era a única coisa realmente bela que existia sobre a face da Terra. Exposta ao calor do sol a pino ou às chuvas torrenciais daqueles últimos dias, a moça corria montes e prados, vales e matas; sempre dançando. Aos farrapos e desfigurada, depois de alguns dias ausente da casa dos parentes, Massela foi dada como desaparecida. E desapareceu para sempre. As circunstâncias desse sumiço da garota tresloucada nunca foram devidamente esclarecidas. A única coisa que ficou na memória das pessoas que a conheceram foi que, apaixonada por si mesma e apartada da realidade existencial, Massela se afogou com sua beleza no grande espelho d’água da vida.



18.01.2008



-última página do livro Tipos e tópicos – perfis femininos que conheci (coletânea de contos ,editada e ainda não publicada)

(republicado a pedido)

terça-feira, 22 de novembro de 2011




     A  CRISE  MUNDIAL SE  AGRAVA
OS ESTADOS UNIDOS NÃO SE ENTENDEM INTERNAMENTE * A UNIÃO EUROPEIA PARECE À BEIRA DA FALÊNCIA * NO  ORIENTE MÉDIO E PARTE DA ÁFRICA CLIMA CAMINHA PARA GUERRA CIVIL.

O desgaste moral das lideranças políticas do mundo inteiro vem apontando para a necessidade de mudanças de atitudes das elites. O Planeta vai se tornando um lugar difícil de morar, conviver ou simplesmente passear. Para todos os lados que se olha há encrenca. Os interesses dos mais ricos ou das grandes elites se sobrepõem aos interesses maiores das populações de todas as nações. Ninguém quer perder um centavo dos seus lucros, as pessoas que têm o poder de decisão não recuam uns centímetros de suas posições. Pelo contrário, todos querem manter seus privilégios e alargarem seus raios de ação. Ainda que isso custe a estabilidade de uma nação ou a miséria de milhões de pessoas.


Os Estados Unidos, sempre citados como exemplo de vivência democrática dão um mau exemplo. Ali, onde está o maior PIB por nação do mundo, as lideranças não se entendem sobre como encontrar uma saída para pagar a monumental dívida nacional que ultrapassa o próprio PIB. Saída existe; só que um acordo para estabelecê-la esbarra nos interesses dos grupos partidários que representam os interesses de categorias sociais norte-americanas. Por exemplo: o governo, montado no Partido Democrata, quer aumentar os impostos da classe mais rica, representada pelo Partido Republicano, na oposição, e esta não aceita essa fórmula para resolver a questão. De sua vez, a oposição, representada, repita-se, pelo Partido Republicano, quer que o governo faça fortes cortes na área social, incluindo-se ai os programas sociais do atual governo, principalmente as ações de saúde beneficiando os mais pobres. O Partido Democrata, pensando nas próximas eleições presidenciais, rejeita essa ideia. Enfim, os ricos não cedem nem quando o problema é a saúde dos mais pobres; ceder é reduzir suas faixas de renda. E Democracia é isso: distribuição das riquezas.

O governo garante que não dará calote nos credores. A oposição torce para que isso aconteça, e enfraqueça eleitoralmente a candidatura do presidente Barack Obama. E ai, como fica? Pela estrutura da sociedade norte-americana, vai sobrar mesmo para os pobres. Os maiores cortes incidirão sobre os programas sociais, e arranjos serão feitos para que tudo não passe de uma discussão sem muito significado. Haverá cortes nos colossais gastos com a defesa dos Estados Unidos? Para o público, isso certamente será mostrado. Mas as autorizações de despesas militares dos Estados Unidos não dependem diretamente de decisões públicas do Congresso Americano; elas ocorrem nas comissões especiais do Congresso, sempre de conotação sigilosa. E não constam nunca do orçamento oficial de conhecimento do público. Mais uma vez, vai sobrar para os mais pobres! Se não houver um acordo para a crise, a nota dos estados Unidos poderá ser rebaixada, mais uma vez. Como se isso preocupassem os americanos!

Deixando de lado o Tio Sam, olha-se para a Europa e as pessoas se espantam com o amontoado de contradições na área econômica, social e política do berço da civilização ocidental. A França e a Itália, segunda e terceira maiores economias da União Europeia, não se sustentam de pé. Com dívidas cavalares, fuga de capital e dúvidas do Banco Central Europeu quanto à saúde econômica das duas nações, a União Europeia parece preste a esfacelar-se. A Alemanha, maior economia do bloco, sofre os efeitos internos da reunificação e externos da contaminação pela crise do Continente e do mundo todo. Sua majestade, desfilando nas ruas limpas e encantadoras de Londres em carruagens da Idade Média e protegida pela distância proporcionada pelo Canal da Mancha, parece menos preocupada. Parece! A crise é mundial, e atinge também a Inglaterra, que gasta fortunas só para manter os castelos e o aparato suntuoso da monarquia. Ninguém se assuste se qualquer dia desses o primeiro-ministro inglês venha sugerir a “terceirização” de alguns castelos da mais longa e bem sucedida monarquia que a história conheceu.

Na Síria, Bashar al Assad vai se segurando como pode. Seu domínio está chegando ao fim, e seu destino só Deus conhece.

A nota dominante nesse cenário internacional é a mais sugestiva do que realmente pode vir a significar a Primavera árabe. O Egito, depois de derrubar a ditadura de Mubarack, caiu sob uma ferrenha ditadura militar. A Junta Militar não dá sinais de que quer realizar eleições, nem passar o poder aos civis. A violência se espalha por todo o País. Prenúncio de novos conflitos, uma porta aberta para guerras civis que podem se espalhar por toda aquela região deserta e distante.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

 DIA  NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA


Transcorreu nesse 20 de novembro o Dia da Consciência Negra. A comemoração foi fixada através de decreto, e os atos cívicos tímidos registrados em todo o País visam resgatar a memória daqueles negros que lutaram e morreram na defesa de sua etnia e dos valores culturais da raça. Falar de Dia da Consciência Negra é lembrar Zumbi dos Palmares; é revisitar os palcos onde os negros se rebelaram contra os maus tratos que lhes eram infringidos por uma elite senhoril que via na cor da pele o diferencial para classificação social das pessoas. A Lei Áurea que pôs fim à escravidão teve um efeito legal positivo, mas não criou os mecanismos sociais necessários para a promoção da ração que libertava nem desmantelou o aparato hediondo de tortura moral e descriminação que ainda hoje é bem visível no cenário social do Brasil. Apesar da lei que pune com prisão quem se referir de forma desrespeitosa às pessoas de cor, os negros ainda são insultados em praça pública, menosprezados nos locais de trabalho, na escola e até dentro da família.


Já se alcançou um bom nível de conceituação quanto à integração real das raças ao conjunto antropológico que forma essa formidavel diversidade de cores e  costumes que caracteriza a população brasileira.  Mas a conscientização desse fato ainda não atingiu todas as camadas da população,  nem serviu de paradigma verdadeiro para essa integração. As próprias leis ainda carregam brechas através das quais se dá tratamento desigual a brancos e pretos nos locais de trabalho, inclusive, nas repartições públicas. Apesar de o Brasil ser uma nação mestiça, com elevado percentual de pessoas de cor visivelmente escura, é muito pequeno o número de pessoas de cor trabalhando nas repartições públicas ou exercendo atividades nas linhas de frente do comércio. Isto se explica facilmente. As pessoas de cor são geralmente oriundas de famílias pobres, e seu acesso à escola é prejudicado de várias maneiras. Com pouca escolaridade, é difícil passar num vestibular, ter boas notas em concurso público ou até ser aceito para funções simples no comércio e nos setores de serviços. Também não é fácil manejar equipamentos automatizados, e assim trabalhar nos grandes empreendimentos viários ou fabris.

Se for considerada a massa salarial paga aos trabalhadores, as pessoas de cor recebem menos do que os brancos pela prestação dos mesmos serviços. Muitas vezes a qualificação profissional da pessoa de cor é bem mais consistente do que a da pessoa de pele branca, e nem por isso os brancos deixam de receber maiores salários que as de cor. Quando se fala em cargo de direção, ai a situação se agrava. É muito pequeno, quase nulo, o número de pessoas de cor exercendo cargos de direção nas repartições públicas ou na iniciativa privada.

Os discursos empolados dos gestores públicos, dos intelectuais nas universidades e dos empresários enaltecendo a integração racial e comemorando o Dia da Consciência Negra ainda parece uma peça oca, ou palavras levadas pelo vento. Verdade que já temos ENEM que leva ao PROUNI, e um apreciável leque de oportunidades para ingresso das pessoas de cor na universidade. Mas ainda temos um sistema de ensino básico, onde essas oportunidades não estão tão presentes assim. Os remanescentes dos quilombolas, seus descendentes mais distantes – que são as pessoas mestiças -, ainda sofrem com o preconceito e as dificuldades de acesso ao ensino básico. O que se almeja é uma integração das raças, onde todas as cores formem um mosaico a emoldurar a unidade nacional, sua identidade cultural. Muitos preferem a segregação, a separação em etnias distintas. Isso não é bom para a estabilidade social do País nem para o planejamento de uma Nação desenvolvida e una  a médio e longo prazo.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

LIBERDADE, LIBERDADE! ABRE  AS ASAS SOBRE NÓS



Todos pedem liberdade; todos clamam por direitos. Liberdade de expressão, direito de ir e vir. Liberdade de reunião, direito de fazer o que quiser.

Que liberdade é essa que tanto se pede e nunca satisfaz aos que pedem?

Será que você pede liberdade para expressar suas apreensões quanto ao que vem por aí? Ou você exige mais direitos para continuar gritando contra tudo e contra todos?

Quais são suas reais apreensões? Você teme que lhe calem a voz com medidas arbitrárias? Ou você acha que tem pouco espaço para vociferar em casa ou em público? Afinal, que liberdade é essa pela qual você tanto sonha? Do alto dos meus mais de setenta anos de idade, tendo atravessado dois regimes ditatórias e lutado contra essas ordens de exceção, confesso que não compreendo bem o que é que você chama de liberdade. Segundo entendo, liberdade é uma dessas franquias democráticas consagradas nas constituições de todas as nações livres. E a tradição democrática ensina que ser livre é ocupar com racionalidade seus espaços de cidadania, vivenciando-os com compreensão e humildade, e exercer plenamente seus deveres de cidadão consciente do equilíbrio necessário à harmonia entre os seres humanos. É essa a liberdade que você reclama? Você está de posse de seus direitos constitucionais, e exerce realmente esses direitos? Se a resposta é afirmativa, o que é que tanto o preocupa?

Arrisco questionar: a liberdade pela qual você roga é mesmo essa faculdade de poder decidir sobre o que quer e para onde você pode ir ou vir ou é um desejo contido de poder fazer o que bem quiser, pouco lhe importando se sua ação vá incomodar ou prejudicar outrem? No caso afirmativo dessa última parte da pergunta, você estará confundindo liberdade com libertinagem. Você é, neste caso, uma pessoa com sérios problemas conceituais. Mais do que isso: você é uma pessoa em estado de perigo. Você está preste a tentar contra sua própria segurança.

Liberdade, no seu sentido lato, pressupõe domínio dessa faculdade de poder decidir o que é bom para você e para as outras pessoas. Implica afirmar que você é livre para pensar seu bem próprio e defender o bem-estar dos seus semelhantes. Em uma palavra: você é uma pessoa solidária. Caso contrário você não é livre coisa nenhuma. É, sim, escravo de aspirações nem sempre legítimas. É prisioneiro de concepções mentais, psicológicas e sociais deformadas. Está a um passo do fundamentalismo libertário, que no final das contas acaba abandonando a idéia de liberdade para impor vontades. Para defender a Liberdade é preciso libertar-se primeiro. Liberta-se de preconceitos; libertar-se de discriminações étnicas, raciais e sociais. Desarraigar-se de pressupostos políticos partidários e entender que ainda somos humanos, suscetíveis, portanto, de falhas e fracassos, mas potencialmente capazes de ações coerentes e conduta nobre.

Protejamo-nos, pois, sob as asas da liberdade, que nos alçará a um mundo pleno de Paz e Amor. Ou, ao contrário, se não a soubermos usar, poderá constituir-se em grilhões que nos manterão presos às paixões nem sempre nobres e a interesses que não são as legítimas aspirações da raça humana.

Enquanto não nos entendermos sobre o conceito real de liberdade, cantemos com o samba- enredo carioca: Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós...

                                                                                                                                             02.04.2007

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

                      DEMOCRACIA

A propósito da matéria A Falência das Ideologias recém-publicada pelo blog questiona-se sobre se o conceito ali exposto se aplica também à instituição chamada  Democracia. A Democracia, no nosso entender, é uma concepção de convivência interna de cada povo e de suas relações políticas, econômicas e diplomáticas com os demais povos. Não há, no rigor do termo, uma Democracia pronta, acabada. Repita-se que a Democracia é uma concepção de prática política consensual. Mesmo nas nações mais desenvolvidas, não se encontra uma prática democrática em sua inteireza. Concebe-se, sob essa epígrafe, o estabelecimento de um sistema político onde haja oportunidades para todos. Na sua etimologia, democracia vem de demos, termo grego para povo. Seria, pois, o regime do povo. Isso acontece em alguma parte do Mundo? Um dos maus exemplos de Democracia são - paradoxalmente - os Estados Unidos. Ali, durante centenas de anos, os negros foram calados, segregados. É bem recente a ação de integração racial americana. Foi introduzida no Tio Sam pelo governo do presidente John Fitzgerald Kennedy, no começo da década de 60 do século XX. Kennedy teve a ousadia de misturar raças numa civilização cujas bases raciais são uma mistura de descendentes de povos europeus altamente preconceituosa. As ações de Kennedy davam continuidade aos movimentos da sociedade civil organizada dos Estados Unidos, liderados pelo pastor negro Martin Luther King, conhecido o mártir da não violência, também assassinado pelos grupos segregacionistas americanos. Ainda hoje, em muitos estados norte-americanos, procura-se complementar a implantação das leis de integração racial criadas no governo Kennedy. Nesses estados, ainda existem bairros e escolas só para negros, onde os brancos não põem os pés. Situação essa bastante sulrealista para uma nação com o perfil internacional dos Estados Unidos.


O melhor exemplo de Democracia é o da Inglaterra (Reino Unido). Ali, o governo parlamentarista é eleito de forma indireta, pois os eleitores elegem apenas os deputados, e estes escolhem o primeiro-ministro. Mas, a Inglaterra bicameral, tem uma instância parlamentar vitalícia, composta por elementos da alta linhagem da sociedade – os Lords, indicados pelo chefe do governo monárquico. É interessante lembrar que foi um inglês – Winston Churchill (1874-1965), primeiro-ministro do Reino Unido durante a II Guerra Mundial, quem afirmou que “ A Democracia não é um regime ideal, mas nunca se inventou algo melhor”.

No Brasil, Democracia é um termo indefinido, como convém a uma palavra que indica concepção. Infelizmente, essa indefinição faz com que o chamado “jogo democrático” seja no nosso País um joguete de interesses mesquinhos das classes políticas, das elites. Um País de enorme potencial de recursos naturais, humanos e tecnológicos que podem ser transformados em riqueza, quando o é, os bônus do desenvolvimento ficam em poder das elites; os ônus são socializados, isto é, caem nas costas do povão.

Democracia plena seria aquela em que os recursos do desenvolvimento melhorassem a vida dos povos, de todas as nações. Com educação universalizada e de qualidade, com saúde plena e acessível a todos os indivíduos, transporte coletivo rápido, limpo, regular, ligando todos os pontos das regiões e cidades. Emprego pleno, com renda condigna para os trabalhadores. Um governo onde os cidadãos tivessem a liberdade de caminhar livremente, sem temerem ser emboscados lá na esquina. Onde as crianças desde cedo tivessem o amparo da sociedade, ofertando-lhes oportunidades de lazer e bem-estar, livrando-as do tráfico das drogas e se prepaando para um futuro tranquilo.Liberdade de expressão, crença e direito de reunião. Sem esquecer que direitos plenos subtendem deveres conscientes, espírito de cidadania. Em uma palavra, Democracia só existe quando a estrutura de governo sob sua égide seja montada de baixo para cima, isto é, com um povo livre, esclarecido e soberano decidindo seus destinos.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

             A  FALÊNCIA DAS  IDEOLOGIAS
O SONHO FOI REALMETE UM SONHO * FALIRAM O SISTEMA ECONÔMICO CAPITALISTA E O MODELO DE SOCIEDADE SONHADO * A GLOBALIZAÇÃO É TÃO VELHA QUANTO A COLONIZAÇÃO  E OPRESSÃO DOS POVOS  DOMINADOS * O MUNDO PRECISA DE NOVAS INSTITUIÇÕES; QUAIS?


As notícias vêm de todos os lugares. Dos centros econômicos e sociais mais sofisticados, como o centro financeiro de Nova Iorque, passam pelas cidades europeias socialmente mais desenvolvidas, atravessam recantos conservadores distantes e com visão de mundo diferente da nossa, como as nações de cultura muçulmana; descabam em países pobres do hemisfério sul, e, como não podia deixar de ser, se alastram também pela cidades brasileiras. Quaisquer que sejam os slogans ou bandeiras que apresentem; indiferente a qualquer conotação política, a verdade é que o mundo está em convulsão. Na Europa, há o medo de uma recessão; os Estados Unidos têm déficit maior do que o PIB; no Oriente Médio, terras de tradições milenares, há insurgências populares em praticamente todos os países. A África, afunda na miséria e na ignorância de povos secularmente explorados. Na América do Sul, pequenos países como a Bolívia podem se esfacelar e fazer nascer outras nações, como é comum na África. No Brasil, movimentos populares contra a corrupção pipocam nas capitais e grandes cidades, lembrando a época dos caras-pintadas que levaram à deposição de Collor.

Os analistas mais isentos procuram uma explicação para esse fenômeno. Tem-se que deixar de lado a politização dos fatos, evitando que grupos partidários tirem proveito da situação e contribuam para piorar ainda mais o cenário de crise que se atravessa nessa encruzilhada humana. Mas os analistas não encontram explicações, e continuam fazendo mais perguntas. Vivemos um momento histórico em que as grandes questões mundiais não terão respostas por um bom tempo; elas serão alimentadas pelas perguntas que se sucedem a cada episódio. As tentativas de se dá solução pontual ao problema que é global têm-se revelado inócuas, quando não desastrosas. Cada nação ou grupo de nação tem um projeto, ou elaboram projetos para enfrentar a crise. As nações mais poderosas, que há séculos sugam recursos das mais dependentes do ponto de vista econômico, têm projetos para seus problemas, que se resolvidos dessa forma agravarão o quadro geral. As potêncis econômicas e militares não pretendem perder um centímetro de terreno para as nações menos desenvolvidas. No meio dessa discussão encontram-se os chamados emergentes, Brasil e China no meio, que adotaram providências monetárias e cambiais que se não as blindaram dos efeitos catastróficos da crise que avassala todos os mercados, pelo menos serviram de barreiras para minimizar os efeitos dessa crise em suas economias.

A Europa – quem diria! – é o cerne da grande crise e o centro irradiador das tensões que inquietam o mundo inteiro. Países como Itália e Espanha, buscam soluções políticas conservadoras para seus velhos problemas econômicos. A mudança de governo nesses dois países não tem como dá respostas positivas aos problemas do conjunto das nações do Bloco Europeu da zona do euro. Assim como a ajuda econômica à Grécia, que também muda de governo, não vai tirar do fundo do poço a nação que irradiou saber e serviu de base para a cultura ocidental. A Inglaterra, escudada em sua moeda forte, procura resistir à crise. Mas o abalo é muito forte, e mexe com suas estruturas econômicas. A Alemanha, maior centro produtor e exportador do Velho Continente, sofre redução em suas atividades industriais. A França, não tem fôlego para navegar sem derivas nesse mar tempestuoso da economia europeia contemporânea. Pior: há indícios de recessão em todo o continente, e se isso não for revertido, os efeitos dessa queda de produção dos grandes centros industriais afetarão todos os outros países, inclusive os Estados Unidos.

Qual a saída?

Eis ai mais uma pergunta que se vai juntar às que vêm sendo feitas nestes últimos anos.

Parece que não tem saída. O perigo de tudo isso é que a Europa sempre resolveu suas crises fazendo guerras. Há clima para guerras num mundo de mercado unificado como o europeu? A pergunta é mais uma que se faz. Mas, pelo menos a esse respeito, parece haver uma resposta: não. O mundo mudou, a Europa mudou. A globalização tornou cada nação dependente da outra. Para se montar um motor de carro as peças são fabricadas em diversos países.

Então, que está acontecendo no cenário internacional? Esta pergunta pode ser igual às outras; mas pelo menos se abre uma janela para enxergar melhor a crise. E a primeira impressão que se tem é que essa crise representa o cansaço ideológico da globalização. E no rastro desse cansaço, pensando-se num sentido mais amplo, vai a falência do sistema capitalista conservador e depilador de energias já esgotadas. Os pensadores modernos, principalmente depois dos anos 50 do século passado, imaginaram que tudo que havia sido estabelecido estava superado. E chegaram à conclusão de que tudo devia ser mudado. Era o pós-modernismo. Só não pensaram num modelo ideológico que pudesse ocupar o lugar da massa falida da sociedade superada. A globalização não era nenhuma novidade, já existia e começara a funcionar desde muito tempo atrás, quando Estados Unidos e Europa dominaram o mundo, transformando-o num imenso feudo, colonizando povos e dominando culturas. O resultado de tudo isso está ai. A insatisfação generalizada contra o sistema. O melhor exemplo disso é ver a intelectualidade norte-americana ocupando espaços nas praças de Nova Iorque, protestando contra o capitalismo superado e sanguinário que os sufoca.

Vivemos, pois, o pós pós-modernismo. Um enorme vazio cujo abismo se aprofunda a cada tentativa de solução. Faliram o sistema econômico e o modelo de sociedade que não passou de um sonho, faliram os sonhos de um geração deslumbrada que não sabia que o progresso só se atinge com trabalho e respeito, começando por cada um respeitar seus próprios limites. Estamos órfãos de ideologias! E de instituições sustentáveis.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

           


    
                VISIONÁRIOS DE PLANTÃO


Alguns amigos me vinham pressionando para uma opinião sobre a configuração dos números repetidos do calendário. Como por exemplo, 11.11.11, recém-ocorridos. Não damos muito valor a esse tipo de questão. Não somos adeptos de Numerologia, Astrologia ou dessas coisas como a influência das cores na formação da personalidade do indivíduo. Por isso, não fizemos qualquer referência à coincidência da data em questão. Ora, nem os astrólogos, a julgar pelo que disse um dos exponentes dessa crença, viram qualquer “novidade” na configuração dos números.

Imaginem se um grupo de gente que anda a cata de coincidência de números no calendário para dizer qualquer bobagem sobre ”influências astrais” na vida das pessoas ou da Natureza entender que no próximo ano, a configuração 12.12.12 possa ter alguma relação com as previsões de um antigo “vidente” que teria previsto ( nunca vi essa afirmação expressa de forma taxativa) que o mundo acabaria em 2012. E não foi apenas um desses videntes a quem se atribuem poderes excepcionais que teria vaticinado esse desiderato. Um monge católico, barbudo, como era praxe na época, teria feito tantas previsões, que segundo os mais simplórios acreditam, se confirmaram! A cabeça dele poderia ter uns parafusos a mais ou a menos.

Somos daqueles que acreditam num Poder Supremo, um Ente Soberano, Único, Infinito, Imutável, Força Inteligente que gerou o Universo e cria constantemente através de Leis perenes cuja estrutura foge a essas questiúnculas formuladas por videntes, visionários ou teólogos da vez.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

             UPPs -  EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO
    Uma entrevista com Marcola fala do que poderia ter sido feito para o Rio, e por extensão, o País,  não ser hoje refém de bandidos e do crime organizado. O bandido fala das causas dessas mazelas que afetam o Brasil.

Um aparato militar invadiu as favelas da Rocinha e do Vidigal e penduricalhos no Rio de Janeiro. O Estado oficial sofre a interferência de um estado informal encrustado dentro     dele. As Unidades de Polícias Pacificadoras (UPPs) têm contribuído de forma positiva para deslocar o tráfico de uma favela para outra. Prende traficantes famosos, como aconteceu nesse fim de semana quando foi localizado na mala de um carro de luxo o chefe do tráfico da Rochinha, conhecido como Nem. A ação conjunta  das polícias levou um pouco de tranquilidade a milhares de favelados do Estado. A zona Sul do Rio, a mais rica, está algo protegida por um cinturão militar que obedece a um planejamento estratégico para “pacificar”  a área. O objetivo dessas ações é proteger o Maracanã, palco dos eventos esportivos da Copa do Mundo no Estado do Rio de Janeiro. Difícil vai ser pacificar mais de 800 favelas distribuídas pela antiga capital da República. Essa ações que agora estão sendo realizadas, buscam tapar o buraco do descaso das autoridades federais, estaduais e municipais que nunca olharam as periferias, nunca levaram em conta as necessidades de educação, saúde, lazer, entre outras, principalmente das crianças e dos jovens de décadas atrás. Para entender melhor o que acontece no Rio de Janeiro – ou o que poderia não ter acontecido ali, vejamos o que fala um dos mais famosos bandidos em entrevista concedida em maio de 2006. É doloroso, revoltante, mas é o pré-relatório do que se poderia dizer de uma análise mais profunda dessa questão que nos horários nobres está invadindo os lares dos brasileiros. Confira.
                                     ENTREVISTA COM MARCOLA
                                     23/05/2006
"ESTAMOS TODOS NO INFERNO. NÃO HÁ SOLUÇÃO; POIS NÃO CONHECEMOS NEM O PROBLEMA".

Você é do PCC?

- Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre e invisível... Vocês nunca me olharam durante décadas... E antigamente era mole resolver o problema da miséria... O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias... A solução é que nunca vinha... Que fizeram? Nada. O governo federal alguma vez: alocou uma verba para nós? E nós só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a "beleza dos morros ao amanhecer", essas coisas... Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de medo... Nós somos o início tardio de vossa consciência social... Viu? Sou culto... Leio Dante na prisão...

- Mas... A solução seria...

- Solução? Não há mais solução, cara... A própria idéia de "solução" já é um erro. Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo? Solução como? Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento econômico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma "tirania esclarecida", que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice (ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir? Se bobear, vão roubar até o PCC...) e do Judiciário, que impede punições. Teria de haver uma reforma radical do processo penal do país, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais e federais (nós fazemos até conference calls entre presídios...). E tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria numa mudança psico-social profunda na estrutura política do país. Ou seja: é impossível.Não há solução.

- Você não tem medo de morrer?

Vocês é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês não podem entrar e me matar... Mas eu posso mandar matar vocês lá fora... Nós somos homens-bomba. Na favela tem cem mil homens-bomba... Estamos no centro do Insolúvel, mesmo... Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira. Já somos uma outra espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês. A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração... A morte para nós é o presunto diário, desovado n’uma vala... Vocês, intelectuais, não falavam em luta de classes, em "seja marginal, seja herói"? Pois é: chegamos, somos nós! Ha, ha... Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né? Eu sou inteligente. Eu leio, li 3.000 livros e leio Dante... Mas, meus soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto desse País. Não há mais proletários ou infelizes ou explorados. Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro Alien escondido nas brechas da cidade. Já surgiu uma nova linguagem. Vocês não ouvem as gravações feitas "com autorização da Justiça"? Pois é. É outra língua. Estamos diante de uma espécie de pós-miséria. Isso. A pós-miséria gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, internet, armas modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação da espécie social, são fungos de um grande erro sujo.

- O que mudou nas periferias?

Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem US$ 40 milhões, como o Beira-Mar, não manda? Com 40 milhões a prisão é um hotel, um escritório... Qual a polícia que vai queimar essa mina de ouro, tá ligado? Nós somos uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado no "microondas"... ha, ha... Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes. Nós temos métodos ágeis de gestão. Vocês são lentos e burocráticos. Nós lutamos em terreno próprio. Vocês, em terra estranha. Nós não tememos a morte. Vocês morrem de medo. Nós somos bem armados. Vocês vão de três-oitão. Nós estamos no ataque. Vocês, na defesa. Vocês têm mania de humanismo. Nós somos cruéis, sem piedade. Vocês nos transformam em superstars do crime. Nós fazemos vocês de palhaços. Nós somos ajudados pela população das favelas, por medo ou por amor. Vocês são odiados. Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produto vêm de fora, somos globais. Nós não esquecemos de vocês, são nossos fregueses. Vocês nos esquecem assim que passa o surto de violência.

- Mas o que devemos fazer?

Vou dar um toque, mesmo contra mim. Peguem os barões do pó! Tem deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas. Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana? Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas... O país está quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano, e o Lula ainda aumenta os gastos públicos, empregando 40 mil picaretas. O Exército vai lutar contra o PCC e o CV? Estou lendo o Klausewitz, "Sobre a guerra". Não há perspectiva de êxito... Nós somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas... A gente já tem até foguete antitanques... Se bobear, vão rolar uns Stingers aí... P’ra acabar com a gente, só jogando bomba atômica nas favelas... Aliás, a gente acaba arranjando também "umazinha", daquelas bombas sujas mesmo... Já pensou? Ipanema radioativa?

- Mas... não haveria solução?

Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a "normalidade". Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer uma autocrítica da própria incompetência. Mas vou ser franco... Na boa... Na moral... Estamos todos no centro do insolúvel. Só que nós vivemos dele e vocês... Não tem saída. Só a merda. E nós já trabalhamos dentro dela. Olha aqui, mano, não há solução. Sabe por quê? Porque vocês não entendem nem a extensão do problema. Como escreveu o divino Dante: "Lasciate ogna speranza voi che entrate!" Percam todas as esperanças. Estamos todos no infeno.

-NOTA DA MODERAÇÃO:  A ENTREVISTA INCLUSA É DE AUTORIA DESCONHECIDA. ALGUNS CRONISTAS A ATRIBUEM A ARNALDO JABOR.




























































sexta-feira, 11 de novembro de 2011

                   O   PICADEIRO  DE  BRASÍLIA


A Esplanada do Poder em Brasília vem se constituindo num verdadeiro picadeiro. Figuras hilárias desfilam nos corredores do Congresso, nas salas dos tribunais superiores e nos gabinetes do Executivo. Fatos circenses se desenrolam na Esplanada dos Três Poderes. Assistiu-se ao cinismo de Orlando Silva (PC do B); irrita a cara-de-pau de Ricardo Teixeira, presidente da CBF e dá nojo de ver Agnelo Queiroz (PT), governador do Distrito Federal, este demonstrando o maior desprezo pela coerência e pela decência e um inacreditável desrespeito pela opinião pública brasileira.

De futebol, já falamos aqui não faz tempo. E é sobre esse submundo nojento dos bastidores do futebol profissional que se identificam, como unha e cutícula, o presidente da CBF e o governador de Brasília. Ambos patrocinam ações danosas aos cofres públicos, vergonhosas para os brasileiros e que não têm nada a ver com a diversão maior do nosso povo. A Bancada da “Bola” (atenção para as aspas!!!), composta de representantes corruptos, dá respaldo político às decisões dessa curriola de malfeitores que gerem os esportes ou já o geriram de alguma forma há algum tempo. Os deputados dessa bancada blindam Teixeira e outros próceres dos subterrâneos da imoralidade dos esportes. Romário que o diga! O ex-craque da seleção brasileira, agora ostentando o cargo de Deputado Federal que lhe foi conferido pela população do Rio de Janeiro, tenta enquadrar Ricardo Teixeira e outros cartolas do futebol envolvidos com a organização da Copa do Mundo de 2014. Essa gente vai propositadamente empurrando a construção dos estádios ( arenas) com a barriga. Sabe que quando chegar o momento de prestar contas à FIFA, a cartolagem vai entregar os encargos financeiros ao governo. E o dinheiro público financiará obras que por sua natureza pertencem à iniciativa privada.

Os problemas deste País não podem ter sua solução nas mãos dessa súcia de apropriadores dos recursos públicos. E este País não pode continuar refém de indivíduos como os que estão acima citados. Deputados, senadores, ministros, autoridades que deveriam engrandecer a Nação, simplesmente a envergonham com suas atitudes desrespeitosas. E se não bastassem as aberrações dos já citados, vem a encenação circense do ministro do trabalho Carlos Lupi (PDT). Sempre desconfiei que a cabeça desse cidadão tivesse um parafuso que deveria ser apertado ou afrouxado. E nunca entendi porque ele demorava tanto tempo no cargo de ministro de estado. Agora entendo que suas artimanhas são daquelas que até o diabo duvida. O ministro, que já deveria ter sido demitido em nome da honra de uma Nação, demonstrou nesta 4ª-feira na Câmara dos Deputados que está com a profissão trocada. Blindado pela ala governista, saiu-se incólume, isto é, continua ministro, e a população brasileira, com as trapalhadas de Lupi, fica achando que ele tem vocação para o picadeiro.

Nada mais ridículo para um ministro de estado dizer as coisas que Lupi disse em entrevistas veiculadas pela mídia televisiva e depois repetidas no âmbito da Câmara, acrescidas daquelas declarações acintosas não à pessoa da presidente, mas à Instituição Presidente da República. Francamente, abrir os braços diante das câmeras e afirmar: “Dilma, eu te amo” é uma atitude própria de picadeiro e incompatível com a ordem hierárquica que deve ser minimamente observada pelos cidadãos.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

                       UNIÃO   EUROPEIA:
                                   OU LARGA O EURO OU IMPLODE

Desde a década de 50 do século passado que as nações europeias buscam uma fórmula capaz de congregá-las sob um estatuto político e econômico comum. Unificaram procedimentos para a política energética, com o tratado sobre o carvão. Vieram as políticas agrícolas e sobre pesca. Deliberaram sobre a comercialização do aço e dotaram medidas protecionistas que reforçassem as relações comerciais e protegessem seus produtos. Finda a Grande Guerra, em 1945, a Europa estava como terra devastada. As diversas políticas nacionais não ajudavam na recuperação da economia combalida e na reconstrução de pequenas nações dizimadas pela guerra. A primeira medida efetiva nesse sentido foi a criação da Comunidade Econômica Europeia, com o estabelecimento do Mercado Comum Europeu. As primeiras tentativas animaram os europeus do Ocidente, principalmente para fazer face ao poderio militar e econômico do Leste. As dissidências do bloco soviético já eram bastante visíveis, mas ainda assim a União Soviética representava sério perigo à estabilidade política do Continente.

Finalmente, em 7 de fevereiro de 1992, com a assinatura do Tratado de Maastricht, é constituída a União Europeia, uma organização supranacional que institucionaliza um grupo de nações sob um regime jurídico e econômico unificado e com um papel político a direcionar as medidas a serem adotadas por seus países-membros.

A União Europeia é composta de 27 países, sendo que 11 deles não adotaram a moeda comum europeia: o euro. Entre os países europeus da zona do euro são encontrados os mais ricos do Continente; a Inglaterra, contudo, não abriu mão de sua forte moeda- a libra esterlina. A União Europeia, nos moldes em que foi ciada, era uma promessa de sucesso. Ficou na promessa. A França, que sempre aspirou ao comando das ações econômicas mundiais, foi perdendo terreno. Não conseguia fazer frente ao crescente poderia militar, tecnológico e econômico dos Estados Unidos. E o regime híbrido de sua estrutura parlamentarista acabou jogando a Nação num atoleiro.

A União Europeia de hoje é uma saco de gatos. Com todos os seus países atolados em dívidas, não se vislumbra, a curto prazo, uma saída para a grande crise econômica que se abate sobre a organização e sobre a Europa como um todo. Verdade que essa crise econômica é mundial, mas ela rebate com toda força sobre a Europa. Nos Estados Unidos, o jogo de cintura do presidente Barack Obama e a própria instituição americana tem meios para superar qualquer crise que ameasse a estabilidade econômica do País. Um ajuste político, um acordo com o Congresso e tudo se resolve. A União europeia, não. Para salvar a instituição é necessário um volume de dinheiro que o Banco Central Europeu não possui. O BCE não financia dívidas de governos, e são justamente os governos europeus da zona do euro que estão afundados em dívidas. Nações como a França e a Itália, ambas de economia sólida, estão patinando nos desmandos de seus governantes e na insustentabilidade dos seus regimes políticos em épocas de crise. A Itália, dentro de um turbilhão de problemas políticos, não tem como sair da crise sem ajuda externa. Seu déficit supera seu PIB, e vai crescendo geometricamente. Portugal e Espanha ficaram mais pobres depois que adotaram o euro. A Grécia faliu, e sua recuperação econômica está difícil de ser alcançada. Os países que integravam o bloco soviético e que foram admitidos à União Europeia são uns penduricalhos a complicarem a estabilidade do bloco.

Qual a saída?

Depois de muitas reuniões, que se repetem semanalmente, nenhuma solução visível. Os países emergentes, como China e Brasil, são agora citados pelas autoridades da União Europeia como alternativa para uma saída. Mas tanto China como Brasil, devidamente advertidos do enrosco que é a EU, passaram colocar condicionantes para ajudar os europeus. As condições chinesas certamente não serão aceitas, o Brasil sem duvidas aproveitará a oportunidade para conseguir alguns dividendos econômicos e políticos.

Finalmente, muitos experts já vislumbram o desmoronamento total do sistema europeu do euro. A Grécia, sem salvação, deve deixar de lado o euro e retomar sua antiga moeda. Portugal e Espanha talvez precisem seguir também esse caminho. E essa ideia deve crescer no seio dos líderes dos países-membros depois que as atuais gestões forem substituídas por novas lideranças. O euro pode até se fortalecer e o sistema político do grupo se revigorar. Mas o contrário é uma hipótese mais viável. A história relata que essas fusões dificilmente dão certo. Principalmente quando os indivíduos nacionais são tão heterogêneos como os 27 países que compõem a União Europeia, com destaque para aqueles que compõem a Eurolândia. Se o euro vai continuar sendo uma forma insuficiente de se equilibrar as contas europeias, os países da EU ficam diante de duas saídas: ou largam o euro ou o euro acaba com a organização.