DIA DO
TRABALHADOR
TRABALHADORES LUTAM POR SEUS DIREITOS – ALGUMAS BANDEIRAS
DEFENDIDAS PELAS CENTRAIS - O FANTASMA
DA CRISE TRABALHISTA EUROPEIA AMEDRONTA OS TRABALHADORES BRASILEIROS – OS
SERVIDORES PÚBLICOS E OS TRABALHADORES DA INICIATIVA PRIVADA
Primeiro de Maio é o Dia Nacional do Trabalho. O conceito de
trabalhador passou por mudanças nessas últimas décadas. No Brasil, Getúlio
Vargas transformou o cenário do mercado de trabalho, introduzindo o
salário-mínimo, estabelecendo as férias remuneradas, regulamentando a carga
diária de trabalho e criando a Carteira do Trabalhador, instrumento que tem
sido de inestimável valor para comprovar tempo de serviço e requerer
aposentadoria. Muitas tentativas de derrubar as conquistas conseguidas pelo trabalhador
desde Getúlio Vargas têm sido identificadas, denunciadas e rejeitadas graças a
união da classe trabalhadora. Ultimamente, nuvens negras pairam sobre o
ambiente de trabalho no mundo inteiro. A crise econômica europeia tem
privilegiado a redução do custeio da produção industrial e do trabalho no
comércio nos países do Velho Continente. Isso viria em detrimento do ganho
salarial dos trabalhadores europeus; lá houve corte nos salários e aumento da
carga de trabalho. O objetivo deles está coerente com a lógica capitalista:
aumentar os lucros dos mais ricos. No Brasil, há uma tendência inversa:
busca-se aqui reduzir a carga horária
sem perda de salário. O movimento sindical brasileiro é forte, e apesar de
fragmentado em diversas centrais representativas dos sindicatos, tem força para barrar
manobras do tipo das que estão sendo implantadas na Europa.
A diferenciação de regimes de trabalho no Brasil entre trabalhadores da
iniciativa privada e servidores públicos tem complicado há muito tempo a
criação de um modelo centralizado de direitos e deveres, com um regime único
para todo o serviço público. Os trabalhadores da iniciativa privada ganham
menos do que os servidores públicos, têm menos direitos reais e têm um sistema
de aposentadoria perverso. Agora mesmo, o ministério da Previdência criou a
aposentadoria suplementar para os servidores públicos que deixam de se
aposentar com salário integral; os futuros servidores devem pagar a uma
seguradora para assegurar uma
suplementação da aposentadoria oficial, agora limitada a um valor irrisório.
Somadas as duas aposentadorias, os valores a serem pagos aos futuros servidores
que se aposentarem não atenderão aos requisitos mínimos de manutenção do padrão de vida do
trabalhador do setor público quando em atividade. Mas isso só atinge os
trabalhadores públicos do Poder Executivo. Os servidores do Congresso Nacional
(Câmara dos Deputados e Senado), bem como os servidores do Judiciário continuam
ampliando seus privilégios, e estão de fora dessa aposentadoria suplementar, já
que aqueles dois Poderes, por terem estrutura própria e independência em
relação ao Executivo, não são alcançados
por medidas adotadas pelo Ministério da Previdência. Os trabalhadores da iniciativa privada defendem bandeiras de lutas de conteúdos
ousados. Como a redução da carga horária acima citada, que abriria espaço para
a criação de novos postos de trabalho. Alguns líderes do movimento sindical, no
entanto, são cautelosos nessas colocações. De
nossa parte entendemos que a simples redução da jornada de trabalho não
traria essa abertura de novas vagas. O que deveria ser tentado, e colocado como
bandeira de luta, deveria ser a ampliação da capacidade instalada do parque
industrial brasileiro e a criação de novos turnos de trabalho, como o noturno. Isso, sim, traria novos empregos, ampliaria o mercado interno e buscaria integrar as várias regiões do País nesse esforço para desenvolvimento da nossa economia. As centrais
também deveriam colocar como prioridades a luta pela melhoria da qualidade do
ensino fundamental ( e não só do ensino médio e superior) e a questão da saúde
pública. Estes itens deveriam estar presentes nas pautas de discussões dos
trabalhadores com o setor patronal e com o governo. O deságio da folha de
pagamento com renúncia fiscal por parte do governo também ajudaria na luta em
favor desses dois itens citados. A redução dos lucros dos banqueiros igualmente
melhoraria a discussão. A lógica capitalista do lucro a qualquer preço, mesmo
com o sacrifício do trabalhador, é uma ideia a ser revista, buscando-se novos
mecanismos de compensação para os investimentos no setor produtivo a partir
desses lucros. Atualizar as bandeiras de lutas, manter a vigilância para
assegurar a liberdade de expressão das categorias laborais, entre outros itens,
fortaleceria a luta dos trabalhadores.
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