SUAPE
EFEITOS
COLATERAIS DO DESENVOLVIMENTO
O desenvolvimento econômico
a partir do Complexo Portuário e Industrial de SUAPE dinamizou toda uma vasta região composta de municípios com as
mais diversas particularidades de
crescimento. Não apenas os municípios da Região Metropolitana do Recife, mas
também cidades limítrofes e até unidades administrativas do Agreste vem se
beneficiando do Polo de Desenvolvimento que é o citado porto. Santa Cruz do
Capibaribe, Toritama e Caruaru já se beneficiavam com a ampliação do Polo de Confecções do
Agreste. Pernambuco é hoje um dos maiores centros produtores e exportadores de
confecções do Brasil. E Caruaru já avança mais, diversificando sua produção
industrial. Além do Polo de Confecções, a Princesa do Agreste está atraindo um
parque industrial automobilístico onde vão ser fabricados e montados caminhões
e ônibus para o mercado local e
nordestino. Uma rede de fábricas de autopeças se instalará no entorno daquele município,
gerando muitos empregos e renda para a população do Estado. Mas o desenvolvimento chegou
também à zona da mata e litoral norte, descompressando o já impactado litoral
sul. Indústrias de automóveis e outras atividades produtivas estão sendo
instaladas nessa área e serão de vital importância para desenvolvê-la, mudando
o caráter da produção monocultora. A região tem uma indústria incipiente e as
novas propostas vão mudar essa situação. Inclusive, já se projetou a construção
de um porto marítimo na região para fazer fluir o transporte da produção
industrial sem impactar o centro expandido da Capital pernambucana.
Claro que toda mudança traz impacto. Econômico, político e
social, com reflexo no Meio Ambiente. É uma matriz de produção, como a usina
Salgado, que sai para dá espaço a novos projetos produtivos, de natureza
diferente, mas de maior poder econômico. Em consequência dessa mudança,
atividades agrícolas são substituídas por metalúrgicas, indústrias químicas,
cerâmicas e outras; pequenos rios ou veios dágua vão desaparecendo; restos de mata
são erradicados e muitas espécies
vegetais e animais que sequer foram estudados e catalogados vão sendo extintos
num prejuízo irreversível para o Meio Ambiente. Esses reflexos se fazem sentir
também no pequeno comércio varejista do entorno do porto. Embora o empreendimento
SUAPE tenha trazido incremento à produção, melhorado a renda dos trabalhadores
que ali atuam, há o problema da mão-de-obra especializada exigida pelas novas
tecnologias de produção ali instaladas. Como o mercado de trabalho local não
estava preparado para atender a essa demanda de produção, importou-se
trabalhadores de outros estados. Em SUAPE são encontrados trabalhando na
construção das empresas baianos, sergipanos, cearenses, alagoanos, paulistas,
etc. Como são de fora, mandam o maior volume dos salários que recebem para suas
famílias em seus estados de origem. Cestas básicas, vale refeição, transporte
por conta da empresa facilitam a vida desses trabalhadores, que procuram poupar
para enfrentar a realidade que os espera quando terminar essa fase de
construção e começar o processo de produção propriamente dito. O reflexo disso
é visível no pequeno comércio varejista da região. Uma queda acentuada das
vendas é referida pelos comerciantes. Por outro lado, o preço dos aluguéis
disparou em toda a orla do entorno do porto. Não se consegue mais casas para
alugar; os preços de compra das casas do entorno se multiplicaram por quatro, cinco, seis
vezes. A violência domina a região, pois
entre os trabalhadores que chegaram vieram bandidos que trabalham um turno e
assaltam noutro turno. São os óbices do progresso.
Nenhum comentário:
Postar um comentário