NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

segunda-feira, 14 de maio de 2012


                                                 SUAPE
         EFEITOS COLATERAIS DO DESENVOLVIMENTO
O desenvolvimento  econômico a partir do Complexo Portuário e Industrial de SUAPE dinamizou toda uma  vasta região composta de municípios com as mais diversas particularidades  de crescimento. Não apenas os municípios da Região Metropolitana do Recife, mas também cidades limítrofes e até unidades administrativas do Agreste vem se beneficiando do Polo de Desenvolvimento que é o citado porto. Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e Caruaru já se beneficiavam  com a ampliação do Polo de Confecções do Agreste. Pernambuco é hoje um dos maiores centros produtores e exportadores de confecções do Brasil. E Caruaru já avança mais, diversificando sua produção industrial. Além do Polo de Confecções, a Princesa do Agreste está atraindo um parque industrial automobilístico onde vão ser fabricados e montados caminhões e ônibus para o mercado  local e nordestino. Uma rede de fábricas de autopeças  se instalará no entorno daquele município, gerando muitos empregos e renda para a população  do Estado. Mas o desenvolvimento chegou também à zona da mata e litoral norte, descompressando o já impactado litoral sul. Indústrias de automóveis e outras atividades produtivas estão sendo instaladas nessa área e serão de vital importância para desenvolvê-la, mudando o caráter da produção monocultora. A região tem uma indústria incipiente e as novas propostas vão mudar essa situação. Inclusive, já se projetou a construção de um porto marítimo na região para fazer fluir o transporte da produção industrial sem impactar o centro expandido da Capital pernambucana.
Claro que toda mudança traz impacto. Econômico, político e social, com reflexo no Meio Ambiente. É uma matriz de produção, como a usina Salgado, que sai para dá espaço a novos projetos produtivos, de natureza diferente, mas de maior poder econômico. Em consequência dessa mudança, atividades agrícolas são substituídas por metalúrgicas, indústrias químicas, cerâmicas e outras; pequenos rios ou veios dágua vão desaparecendo; restos de mata são erradicados  e muitas espécies vegetais e animais que sequer foram estudados e catalogados vão sendo extintos num prejuízo irreversível para o Meio Ambiente. Esses reflexos se fazem sentir também no pequeno comércio varejista do entorno do porto. Embora o empreendimento SUAPE tenha trazido incremento à produção, melhorado a renda dos trabalhadores que ali atuam, há o problema da mão-de-obra especializada exigida pelas novas tecnologias de produção ali instaladas. Como o mercado de trabalho local não estava preparado para atender a essa demanda de produção, importou-se trabalhadores de outros estados. Em SUAPE são encontrados trabalhando na construção das empresas baianos, sergipanos, cearenses, alagoanos, paulistas, etc. Como são de fora, mandam o maior volume dos salários que recebem para suas famílias em seus estados de origem. Cestas básicas, vale refeição, transporte por conta da empresa facilitam a vida desses trabalhadores, que procuram poupar para enfrentar a realidade que os espera quando terminar essa fase de construção e começar o processo de produção propriamente dito. O reflexo disso é visível no pequeno comércio varejista da região. Uma queda acentuada das vendas é referida pelos comerciantes. Por outro lado, o preço dos aluguéis disparou em toda a orla do entorno do porto. Não se consegue mais casas para alugar; os preços de compra das casas do entorno  se multiplicaram por quatro, cinco, seis vezes.  A violência domina a região, pois entre os trabalhadores que chegaram vieram bandidos que trabalham um turno e assaltam noutro turno. São os óbices do progresso.

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