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quarta-feira, 9 de maio de 2012


         SECA,  FOME   E    DESCASO

O NORDESTE É VIÁVEL PARA IRRIGAÇÃO E PRODUÇAÕ DE ALIMENTOS *A TRANSPOSIÇÃO DO EXCESSO DE ÁGUAS DOS RIOS AMAZÔNICOS PARA O NORDESTE * O PAÍS TEM RECURSOS FINANCEIROS E TECNOLOGIA PARA ESSA EMPREITADA * FALTA VERGONHA PARA TOMAR UMA DECISÃO POLÍTICA * OS NORDESTINOS SÃO FORTES E TRABALHADORES.

“O nordestino é sobretudo um forte”.

O fenômeno da seca que assola grande extensão da região nordestina é com certeza uma fatalidade climática. Mas a tecnologia hoje disponível é capaz de criar mecanismos de proteção das populações do semiárido nordestino  contra esse flagelo. Há água em abundância em certas épocas na região norte do País, e para trazê-la ao semiárido nordestino seria necessária uma engenharia de ponta construindo uma série de canais, pontes, túneis, etc., que levaria alguns anos para serem concluídos. O regime de propriedade da terra existente no País trava um pouco essa proposta. Mas a soberania do Congresso Nacional poderá alterar alguns dispositivos desse regime de propriedade, abrindo espaço para captar uma parte do excesso de água existente naquela região. Seria possível formar uma enorme bacia fluvial nordestina, integrando todos os biomas regionais e oferecendo água para minimizar a seca do Nordeste. Combater a fome crônica de milhares de pessoas residentes em determinadas áreas dos estados afetados pela seca. Essa transposição do excesso de águas da região norte do País para o Nordeste poderia em etapas sucessivas de obras integrar todas as bacias fluviais do Brasil. O País poderia se transformar num celeiro mundial. As obras seriam caras, demandariam enormes somas de recursos financeiros, mas seria um investimento de efeito permanente. Dinheiro há, tecnologia também; falta decisão política. Uma política de integração nacional verdadeira que por sua natureza grandiosa e humanitária mobilizaria todas as camadas da população brasileira. Haveria com certeza alguns atritos políticos e sociais por contrariar muitos interesses de grupos latifundiários, mas pontuais e logo abafados pela natureza magestosa da obra; em boa quantidade, municípios do Nordeste seriam deslocados para regiões mais altas ou simplesmente extintos. Canais avançariam em cascata sobre regiões em processo de desertificação. A reposição de parte da mata atlântica melhoraria o ciclo das chuvas e restauraria nascentes de rios que secaram, tornando-os  perenes.  Em pouco tempo, com os canais comunicantes, a mata atlântica e a floresta amazônica acabariam se encontrando e formando um novo ecossistema de duração muito além dessas pequenas intervenções que têm pouco alcance sobre a devastação causada pela seca e pelo desmatamento responsável pelo agravamento das condições climáticas da região. As complicações climáticas viriam em função de processos naturais, mas a ação humana precipitou o agravamento da ação da natureza. Uma ação em grande escala para irrigar a região e recompor os biomas melhoraria os índices de desenvolvimento  econômico do Nordeste e seria de fundamental importância para o crescimento do  PIB da região e do País. Os fins justificariam os meios.

Agora, seria necessária muita seriedade das autoridades nessa tomada de decisão. Não  esse descaso de obras que começam e não são concluídas; o problema da seca é gigantesco e exige soluções igualmente gigantescas. Não esse arremedo de transposição das águas do São Francisco, um rio que aos poucos perde sua vasão em virtude da destruição de grandes trechos da mata ciliar e consequente erosão periférica com assoreamento do seu leito. Obras que projetadas há tantos anos vão ficando pelo caminho, abandonadas. A seca no Nordeste obedece  a um regime cíclico. Um padre, já no século XVI, estudou a questão da estiagem nordestina e montou um gráfico dos anos em que ela ocorreria. Mas foi Euclides da Cunha, um cientista que entendia de química, física, biologia e outras ciências naturais que na função de jornalista  cobria a guerra de Canudos viu de perto os efeitos da seca, estudou sua gênese e traçou um cronograma climático que mostra as secas que passaram e as que estão por vir. Os sertões, livro que já completou 100 anos, é um referencial para o estudo da questão da seca do nordeste. Através dele é possível prever os anos de maior escassez ou ausência de chuvas, e determinar onde esse fenômeno será mais arrasador. Esse tipo de intervenção seria muito mais útil do que todo esse aparato para sedear a Copa 2014. Significaria a abertura de frentes de trabalho, a avanço da fronteira agrícola, a fixação do homem à sua terra, empregos permanentes. A logística dessas obras criaria corredores de transporte rodoviário e fluvial, para escoar a produção. A pesca, induzida pelo povoamento dos rios, lagos e açudes com espécimes  típicos da região, traria um aporte à alimentação dos nordestinos, e possíveis sobras para exportação. Nesse esquema de transformação econômica e social tem que se pensar no médio e no longo prazo. Os nordestinos, que no dizer de Euclides da Cunha, são “Sobretudo uns fortes”, representam mão-de-obra básica para uma empreitada dessa natureza. Não se pode combater a seca, pois ela é um fenômeno natural que tende a se agravar com o passar dos tempos. A transposição do excesso de águas dos rios amazônicos poderá frear um pouco a velocidade com que essa catástrofe avança. Haveria mudanças climáticas, com regimes de chuvas que transformaria a paisagem natural do Nordeste.

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