SECA, FOME E DESCASO
O NORDESTE É VIÁVEL PARA IRRIGAÇÃO E PRODUÇAÕ DE ALIMENTOS *A
TRANSPOSIÇÃO DO EXCESSO DE ÁGUAS DOS RIOS AMAZÔNICOS PARA O NORDESTE * O PAÍS
TEM RECURSOS FINANCEIROS E TECNOLOGIA PARA ESSA EMPREITADA * FALTA VERGONHA
PARA TOMAR UMA DECISÃO POLÍTICA * OS NORDESTINOS SÃO FORTES E TRABALHADORES.
“O nordestino é sobretudo um forte”.
O fenômeno da seca que assola grande extensão da região
nordestina é com certeza uma fatalidade climática. Mas a tecnologia hoje
disponível é capaz de criar mecanismos de proteção das populações do semiárido nordestino
contra esse flagelo. Há água em
abundância em certas épocas na região norte do País, e para trazê-la ao semiárido
nordestino seria necessária uma engenharia de ponta construindo uma série de
canais, pontes, túneis, etc., que levaria alguns anos para serem concluídos. O
regime de propriedade da terra existente no País trava um pouco essa proposta.
Mas a soberania do Congresso Nacional poderá alterar alguns dispositivos desse
regime de propriedade, abrindo espaço para captar uma parte do excesso de água
existente naquela região. Seria possível formar uma enorme bacia fluvial
nordestina, integrando todos os biomas regionais e oferecendo água para
minimizar a seca do Nordeste. Combater a fome crônica de milhares de pessoas
residentes em determinadas áreas dos estados afetados pela seca. Essa
transposição do excesso de águas da região norte do País para o Nordeste poderia
em etapas sucessivas de obras integrar todas as bacias fluviais do Brasil. O
País poderia se transformar num celeiro mundial. As obras seriam caras,
demandariam enormes somas de recursos financeiros, mas seria um investimento de
efeito permanente. Dinheiro há, tecnologia também; falta decisão política. Uma
política de integração nacional verdadeira que por sua natureza grandiosa e
humanitária mobilizaria todas as camadas da população brasileira. Haveria com
certeza alguns atritos políticos e sociais por contrariar muitos interesses de grupos latifundiários, mas pontuais e logo abafados pela
natureza magestosa da obra; em boa quantidade, municípios do Nordeste seriam deslocados
para regiões mais altas ou simplesmente extintos. Canais avançariam em cascata
sobre regiões em processo de desertificação. A reposição de parte da mata atlântica
melhoraria o ciclo das chuvas e restauraria nascentes de rios que secaram, tornando-os
perenes. Em pouco tempo, com os canais comunicantes, a
mata atlântica e a floresta amazônica acabariam se encontrando e formando um novo
ecossistema de duração muito além dessas pequenas intervenções que têm pouco alcance
sobre a devastação causada pela seca e pelo desmatamento responsável pelo agravamento das condições climáticas da região. As complicações climáticas viriam em função de processos naturais, mas a ação humana precipitou o agravamento da ação da natureza. Uma ação em grande escala para irrigar a região e recompor os biomas melhoraria os índices de desenvolvimento econômico do Nordeste e seria de fundamental importância para o crescimento do PIB da região e do País. Os fins justificariam os meios.
Agora, seria necessária muita seriedade das autoridades nessa
tomada de decisão. Não esse descaso de
obras que começam e não são concluídas; o problema da seca é gigantesco e exige
soluções igualmente gigantescas. Não esse arremedo de transposição das águas do
São Francisco, um rio que aos poucos perde sua vasão em virtude da destruição de grandes
trechos da mata ciliar e consequente erosão periférica com assoreamento do seu
leito. Obras que projetadas há tantos anos vão ficando pelo caminho,
abandonadas. A seca no Nordeste obedece a um regime cíclico. Um padre, já no século
XVI, estudou a questão da estiagem nordestina e montou um gráfico dos anos em
que ela ocorreria. Mas foi Euclides da Cunha, um cientista que entendia de
química, física, biologia e outras ciências naturais que na função de
jornalista cobria a guerra de Canudos viu de perto os efeitos da seca, estudou sua gênese e traçou um
cronograma climático que mostra as secas que passaram e as que estão por vir.
Os sertões, livro que já completou 100 anos, é um referencial para o estudo da
questão da seca do nordeste. Através dele é possível prever os anos de maior
escassez ou ausência de chuvas, e determinar onde esse fenômeno será mais arrasador.
Esse tipo de intervenção seria muito mais útil do que todo esse aparato para
sedear a Copa 2014. Significaria a abertura de frentes de trabalho, a avanço da
fronteira agrícola, a fixação do homem à sua terra, empregos permanentes. A logística
dessas obras criaria corredores de transporte rodoviário e fluvial, para escoar
a produção. A pesca, induzida pelo povoamento dos rios, lagos e açudes com espécimes
típicos da região, traria um aporte à
alimentação dos nordestinos, e possíveis sobras para exportação. Nesse esquema
de transformação econômica e social tem que se pensar no médio e no longo
prazo. Os nordestinos, que no dizer de Euclides da Cunha, são “Sobretudo uns
fortes”, representam mão-de-obra básica para uma empreitada dessa natureza. Não
se pode combater a seca, pois ela é um fenômeno natural que tende a se agravar
com o passar dos tempos. A transposição do excesso de águas dos rios amazônicos
poderá frear um pouco a velocidade com que essa catástrofe avança. Haveria
mudanças climáticas, com regimes de chuvas que transformaria a paisagem natural
do Nordeste.
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