QUEM ENTENDE A
EUROPA?
O que acontece na Europa contemporânea? A União Europeia é um
pandemônio se observada pela ótica tradicional dos países ocidentais; no
Oriente Europeu, parece continuar o feudo politico da época dos tzares. Os
últimos resultados das eleições em três países europeus de quadrantes diferentes mostram
que uma unidade de ações políticas e postulações jurídicas ainda é coisa distante
de alcançar; um túnel escuro sem nenhuma luz lá no outro extremo. Na França,
tudo bem; o País tem tradições democráticas acumuladas através de séculos.
Sarcozy, com seu discurso de arrocho fiscal que beneficiava as elites e ferrava
os trabalhadores perdeu para o socialista François Hollande; o socialista apontava para mudanças na
política econômica trazendo benefícios para a população. Lá na ponta do
Mediterrâneo, Antonios Samaras, ultraconservador e com uma ponta de xenofobismo
no seu discurso ganhou as eleições, mas
não chegou a primeiro-ministro. Não conseguiu o número de cadeiras no
Parlamento suficientes para formar um governo; nem de coalizão. A
legislação do País determina que nesses
casos o segundo ou o terceiro colocado forme o governo. Nem o segundo nem o
terceiro conseguiram votos suficientes no Parlamento para formar o governo. Então, em situações tais, a complicada legislação eleitoral grega determina que o presidente
da República intervenha, convocando novas eleições.
Mais próximo do Polo Norte, a Rússia realizou eleições em
meio a protestos, e à moda antiga, trocou seis por meia dúzia. Isto é: o ex-presidente
Vladimir Putin que exercia agora as funções de primeiro-ministro se elegeu
presidente e nomeou para primeiro-ministro o presidente que deixava o cargo,
Dmitri Medvedev. Uma troca de gentilezas com um fundo de corrupção, já que
ambos dominam o Parlamento Russo. O Stalinismo passou; a URSS, da qual ambos
faziam parte, também. A proposta de mudar a política dos tzares ficou no papel.
A Rússia continua um feudo político, onde há “rei” e “vice-rei”. A Espanha
despenca ladeira abaixo com o rebaixamento do seu status econômico e perda de receitas; é lamentável ver cidadãos espanhóis ajoelhados em praça pública medingando alguns centavos com que possa comprar pão para levar para casa. Um país com a tradição da Espanha ter metade de sua população economicamente ativa desempregada; fome e humilhação, mercê de uma política de "austeridade" imposta pelas autoridades europeias produzem revolta; a Espanha está em convulsão, com seus trabalhadores protestando nas cidades; um situação insustentável; a crise espanhola pode terminar numa guerra civil. Portugal piorou desde que adotou o euro.Cidadãos portugueses são vistos catando no lixo alguma coisa que possa ser transformada em comida, senão buscando ali a própria comida. A convulsão social também está presente nas cidades portuguesas; os trabalhadores da terra de Camões, tais como os da terra de Cervantes, não aceitam a política que corta os benefícios sociais conseguidos com muita luta. A postura dos europeus dos países duramente afetados pela crise tem caráter de insurgência; insurgência que já é identificada em quase todos os países do Planeta. A começar pelos árabes, com regimes econômicos concentrados, povos sem emprego, mal nutridos e dominados por uma perversa ordem de sucessão familiar ou de casta. O modelo capitalista ultrapassado castiga os que mais contribuem para o progresso dos paísse europeus, isto é, os trabalhadores. Os países do
leste que fazem parte da EU já eram pobres e empobreceram mais ainda quando entraram para a União Europeia. A Itália
afundou na corrupção. A quebra das exportações resultou em desemprego, desespero e revolta. A Inglaterra, isolada geograficamente do Continente, tem lá seu problemas. Só a
Alemanha, sob as mãos firmes de Angela Merkel, continua dando as ordens por lá.
Até Hollande tomar posse. A França via querer comandar as ações políticas da Europa, e isso ameaça a posição da primeira-ministra alemã. A União Europeia é um sonho que vai ficando pela
metade. A Grécia deve sair ou ser expulsa da zona do euro. A Rússia, antigo
gigante que afrontava o poderio militar e econômico do Ocidente, hoje se
contenta com a classificação de “emergente”. A Federação Russa não cogita de entrar para a União Europeia, e certamente não teria seu pedido aceito.
Com tantas culturas em jogo, com tantas rivalidades seculares, é quase
impossível a implantação de uma Grande Federação onde as normas jurídicas e os
dispositivos políticos se aproximem de um procedimento uniforme.
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