PLANOS DE SAÚDE
DA UFPE
A maioria dos funcionários da Universidade Federal de
Pernambuco (UFPE) optou há alguns anos pelo GEAP. Este é um plano de saúde
barato, por isso cabe no orçamento dos servidores de nível médio
da UFPE. Mas na prática é um plano com muitas deficiências. Tem uma rede
hospitalar diminuta com poucas opções de atendimento, poucos médicos e muitos
dos médicos cujos nomes constam no livro-manual fornecido pelo plano não mais
atendem esses usuários. A rede hospitalar anda sucateada; falta um hospital de
melhor porte para atender aos casos mais específicos. Se, por exemplo, um
servidor da UFPE usuário do GEAP tiver um AVC ou um
infarto terá dificuldades para conseguir
uma internação nessa área especializada.
Se conseguir uma vaga em UTI, talvez tenha alcançado um milagre. Por que
é que tem que ser assim?
A UFPE, através da PROGEPE, não apenas foi ineficiente, para não dizer incompetente, na tarefa de oferecer
aos servidores um plano enxuto. O
GEAP está descapitalizado, pelas baixas mensalidades pagas por seus usuários da UFPE e de outras
instituições federais. A PROGEPE tem se perdido em discussões acadêmicas,
autopromoção dos seus integrantes, principalmente da pró-reitora dessa área. Assiste-se, nesse palco de encenações, mais um capítulo da fogueira das vaidades. Mas o GEAP é um
plano viável do ponto de vista de ser o que cabe no salário dos servidores da
UFPE e no que tange a estratégias de logística. Quem emperra um melhor
desempenho do GEAP é a própria PROGEPE. Quando enviou à reitoria a nova tabela
de custeio do novo convênio a vigorara a partir de agosto de 2012 o GEAP
apresentou uma proposta na qual cabia ajustes. A reitoria, assessorada pela
PROGEPE, simplesmente aceitou a tabela. Sequer se deu ao trabalho de uma
discussão na qual fossem envolvidos diretores do GEAP, uma equipe técnica da
PROGEPE e representantes dos servidores, os mais interessados na questão. Resultado
dessa omissão: um aumento abusivo de mensalidades, em torno de 600%. Por que
não houve essa discussão? Simplesmente porque a PROGEPE está mais interessada
em implantar planos de saúde mais amplos que atendam ao perfil social e
econômico das elites da UFPE. Nunca houve interesse em oferecer aos servidores
de menor poder aquisitivo um plano que se sustentasse. Certo que um maior
número de planos de saúde oferece mais opções de atendimento médico aos servidores
da UFPE. Falta saber que tipo de servidor terá condições de fazer opção pelos planos de saúde apresentados pela PROGEPE. O
mais barato, que também tem enormes deficiências, tem mensalidade per capita em
torno de 1 mil e 200 reais, valor esse que é superior ao que o GEAP cobra pelo
casal de usuários. Outro plano cobra 2
mil e 600 reais, per capita.
A PROGEPE talvez esqueça que um contingente numericamente
significativo dos atuais servidores da UFPE é composto de aposentados. Pessoas
que já passaram dos 65 anos, muitos beirando os oitenta. Que outro plano senão
o GEAP agasalha esses servidores e seus dependentes? Aliás, não é a primeira
vez que a PROGEPE tenta oferecer aos
servidores da UFPE planos alternativos ao GEAP. Desde a gestão anterior que
essas tentativas vêm sendo colocadas. E quanto mais se trabalha nesse sentido
mais de enfraquece o GEAP. Será que é essa a intenção da PROGEPE? A direção do
GEAP prometeu melhorar o atendimento dos seus usuários da UFPE na vigência do
novo convênio a ser fechado entre as duas entidades. Convênios com algumas
clínicas do Hospital Português, do Memorial São José e retomada do atendimento
no Hospital São Marcos. É preciso contratar mais médicos. Mas para isso o GEAP precisa se capitalizar com as
novas mensalidades previstas no Plano de Custeio do novo convênio. E certamente
com acompanhamento da PROGEPE. O servidor, principalmente os aposentados, fica
desconfiado quando, no quesito saúde, se fala em PROGEPE. É aquela concepção
popular de quem, tendo certos amigos não precisa de inimigos. Mas vamos deixar
o barco singrar essas águas turvas que se apresentam diante dos servidores da
UFPE. O mínimo que eles pedem é que lideranças da categoria sejam convocadas
para formar com a PROGEPE uma comissão que acompanhe a implantação das medidas
prometidas pelo GEAP e fiscalize sua execução. É ridículo ouvir de autoridades
da reitoria informações de que “estão seguindo orientações do MEC”. Nós diríamos
que essas “orientações” na verdade escondem interesses locais e nacionais,
envolvem lobby das operadoras de Planos e Seguro de Saúde. Não custa lembrar
que a UFPE é uma instituição autônoma, que não precisa caminhar a reboque de
decisões pontuais do MEC nem de grupos de qualquer natureza.
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