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NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

                             TRABALHO  INFANTIL
                    TEORIZAÇÃO E PRÁTICA

Necessária e louvável sob todos os aspectos a campanha de combate ao trabalho infantil no País. As definições do que seja trabalho infantil é que nem sempre ajudam a entender o processo de fiscalização e aplicação de sanções aos infratores. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e leis que o complementam muitas vezes criam dificuldades para aplicação dos dispositivos legais e foco das questões objetivas. Toda interpretação é subjetiva, dependendo do que o interpretador entenda como infração o ato que está observando. Há um excesso de teorização e de generalização dos fatos objetos do ECA e seus complementos. Não é fácil reprimir o trabalho infantil nos grandes centros urbanos onde famílias  marginalizadas pela pobreza utilizam  suas crianças em trabalhos de limpeza de para-brisas nos cruzamentos de trânsito ou a pretexto de esmolar a caridade pública     das avenidas principais  das cidade para  melhorar a renda familiar. Se é difícil coibir aqui, imaginem como não o é proibir que crianças e adolescentes ajudem os pais nos trabalhos do campo, principalmente na agricultura familiar. Uma família de agricultor cujo casal já passou dos quarenta e ainda tem crianças e adolescentes necessita da ajuda dos filhos para o trabalho no roçado. Se a fiscalização flagra um desses menores trabalhando com uma enxada ou outa ferramenta qualquer pune os pais, processando-os por usar trabalho infantil. Comparando o trabalho de crianças nos cruzamentos com o trabalho delas no roçado da família, ver-se como é difícil conciliar a culpabilidade dos pais nesses dois casos e a aplicação da lei. Na cidade há como diversificar as maneiras de as famílias  conseguirem  algum tipo de ajuda para  se sustentar. No campo só há o que a roça produz. E se o casal não dá conta do trabalho no roçado, vai ter que contratar trabalhadores para o ajudar nas tarefas. E vão pagar com que recurso? A agricultura nesses casos é de subsistência, ou pura sobrevivência.

Os programas sociais do governo ajudam um pouco a minorar o sofrimento das famílias de agricultores familiares, mas no campo a situação é diferenciada da que se registra nas cidades. Inúmeras cidades não possuem escolas suficientes para absorver todas as crianças em idade de estudar e os adolescentes. Também não dispõem,  essas cidades, de áreas de lazer para ocupar o tempo das pessoas nessas faixas etárias. Pior: as crianças do campo, geralmente distantes dos centros urbanos, nem sempre dispõem de transporte para se locomoverem de suas casas para a escola, quando essas existem. Na Zona da Mata há mais atenções a esses itens importantes da questão. Mas no Agreste e no Sertão o transporte já é difícil para quem mora na zona urbana,  que não pensar sobre o que acontece na área rural?

A solução desse problema ainda está bem longe. Os gestores públicos devem se debruçar sobre a questão com o carinho e a responsabilidade que ela merece. Levar escolas aos mais distante rincões deste Nordeste, aparelhar essas escolas com equipamentos de lazer e desenvolvimento das funções cognitivas das crianças cujos pais têm pouco estudo ou são analfabetos. Assistentes sociais orientarão as atividades dos menores, permitindo que els ajudem os pais num determinado espaço de tempo e dentro das suas características de idade e força de trabalho e em seguida se dediquem ao estudo e ao lazer. Conviver com a realidade é bem melhor do que teorizar sobre uma situação de bem-esta imaginária, bem longe da realidade vivida pelas famílias de pobres agricultores que a ausência de ações do poder público transformou nessa gente carente do interior. A noção de cooperativismo ainda passa ao longe dessa pobre gente. Vamos legislar em favor das crianças pobres, criando mecanismos que as libertem do trabalho infantil; para isso precisamos trabalhar bastante para que essas crianças de hoje não reproduzam mais tarde o estado de pobreza em que vivem suas famílias. Levar o conhecimento ao interior mais  distante, integrando as comunidades através de ações concretas de educação de qualidade e formação de cidadania. Libertar as crianças do trabalho que ocupa seu tempo útil se consegue colocando-as na escol perto de suas casas, o que  é também um ato de libertá-las da prostituição infantil, do cooptação pelo tráfico e de outros descaminhos da vida.


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