NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

quinta-feira, 3 de maio de 2012


                         J U I Z O   D E   V A L O R

a)O Bem é um atributo imanente do homem;

b)O Mal é um produto pertinente ao ser humano;

c) A beleza é condição essencial na sociedade

Qual a resposta correta?:

- questão  “a”

- questão “b”

- questão “c”

Qualquer resposta às questões acima formuladas  induzirá o pesquisador ao erro. Seria  falsa e ao mesmo tempo, ironicamente, verdadeira, dependendo de um conjunto de fatores onde a questão esteja contextualizada. Como entender essa multiplicidade de percepção dos fenômenos culturais  humanos?  Como perceber de forma racional esse confronto de ideias sobre a natureza mental e psicológica do homem?

Comecemos perguntando se o homem é realmente mau por natureza. Como resposta teremos um enorme leque de argumentos prós e contra. Quem garante, por outro lado, que a maldade seja algo pertinente ao ser humano? Como embasar essa tese? Mas, como também negar que o homem é bom e esse atributo possa ser visível na maioria de  suas  manifestações sociais?

O que é beleza? Quais parâmetros  servem para definir um perfil do belo?

Esse conjunto de grandezas  culturais constitui  um tema delicado  que dominou a cabeça de pensadores e filósofos de todos os tempos. E inquieta os estudiosos dos nossos dias. Não há uma receita pronta, uma fórmula acabada e definitiva para equacionar essas questões. A opinião de uma pessoa ou de um grupo que se interesse em encontrar respostas para essas questões vale na medida em que suas considerações apontem para um determinado caso. O Bem e o Mal podem ser dimensões opostas de um mesmo conceito. E a noção de beleza pode estar implícita ao discurso de determinados grupos étnicos ou sociais. Determinar, pois, o que é Bem ou  Mal, bem como o que é feito ou bonito é fazer um juízo de valor dessas grandezas culturais.

Em sentido amplo, o juízo de valor tem suas particularidades. Ou seja, tem variadas  acepções quando se discutem valores ou disciplinas diversas. No  Direito, na Economia, na Política, na Teologia e em outras áreas humanas busca-se o mérito do julgamento. No caso do Direito, uma decisão de mérito de conteúdo abrangente pode se transformar numa Jurisprudência, o que atrelará a uma Súmula Vinculante todo julgamento de questões semelhantes. Isto é, todo caso idêntico submetido ao crivo do colegiado de toga em tese já está previamente decidido em função da Jurisprudência. Em Economia o juízo se fará de forma mais direta quanto à destinação dos recursos econômicos, principalmente os de natureza pública; objetiva-se verificar se foram realmente aplicados e quais seus resultados na vida das pessoas ou grupos populacionais a que se destinavam. Na Política a aplicação do princípio já é mais complicada. Uma questão de ordem política pode ser apreciada em qualquer esfera dos três Poderes da República. O Poder Executivo, por comportar o controle administrativo dos ativos econômicos do País  é o mais contingenciado, pois suas ações podem precisar de apreciação do Congresso ou do Supremo Tribunal de Federal (STF). Os agentes do Poder Executivo têm suas ações fiscalizadas pelo Tribunal de Contas da União, no caso da esfera federal, ou aos Tribunais de Contas dos Estados quando se tratam dos entes federativos. O Congresso tem a função constitucional de fazer as leis e fiscalizar as ações do Poder Executivo. É auxiliado nessa tarefa pelo Tribunal de Contas da União e outros órgãos institucionais. Ao Judiciário cabe zelar pelo cumprimento das leis. O Supremo Tribunal Federal  (STF) é o guardião da Constituição da República. Já um julgamento político, sempre na órbita do Congresso Nacional, se faz através de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), de responsabilidade de uma das casas legislativas, ou de uma Comissão Parlamentar Mista (CPMI), quando a decisão deve ser prolatada pelas duas casas do Congresso. E esse julgamento político pode extrapolar os limites jurídicos, pois os resultados devem tão somente satisfazer interesses de grupos partidários interessados em preservar suas imagens e dá uma satisfação à sociedade, sem qualquer compromisso com a isenção, a lisura ou ética ou princípios doutrinários. Nesse cipoal de normas que é a estrutura dos Poderes o juízo de valor é um requisito importante, pois das decisões adotadas por qualquer dos órgãos ou instâncias dessa estrutura depende o equilíbrio das relações entre os três poderes.

Com relação a Teologia, o tema mais premente é a escatologia, cuja apreciação foge ao foco dessa discussão; porém, é importante lembrar que os cristãos também inviabilizam a discussão, uma vez que contingenciados na sua crença de que “Deus é bom, mas também é justo”, não podem emitir nenhum juízo dessa sentença já que eles é que serão objetos de julgamento no juízo final.

 Afinal, o que é juízo de valor? Aqui interessa tão somente o significado filosófico da expressão. Assim, juízo de valor é o simples enunciado de uma apreciação. Desta forma, como  apreciação, é circunstancial. Dante, na sua visão do Inferno não generaliza o espectro de culpa; particulariza o perfil pecaminoso de cada um dos personagens que desfilam em sua narrativa.  O juízo de valor não se aplica a uma abrangência de temas; se refere a um determinado caso em discussão. A questão do Bem e do Mal depende em grande parte das convicções religiosas ou concepções éticas de quem faz a apreciação; e está sujeita a contestação de grupos opostos. Já o tema da beleza depende de valores culturais diversos. O Renascentismo europeu criou a ideia do belo a partir do perfil mentalmente esculturado daquilo que parecia ideal aos padrões estéticos daquela importante fase da evolução cultural da humanidade. Esse conceito não se aplica a outras civilizações fora da esfera europeia. Na África, por exemplo, os pigmeus apreciam as mulheres de seios adiposos e de nádegas bem dilatadas. É um fenômeno atípico da cultura humana dita civilizada, mas típico de um segmento cultural localizado. Os homens europeus modernos, por outro lado, preferem as mulheres sul-americanas, principalmente as mulatas. Bem diferentes das mulheres de pele branca e cabelos lisos do Velho Continente. Já não se contentam com os modelos de beleza criados pelos famosos pintores e escultores europeus dos chamados séculos de ouro.  Então, a beleza não é um valor perene  em si mesma;  passa a ser vista como um mero conceito. Assim como o Bem e o Mal. São subjetividades cuja enunciação depende de contextos culturais diversos, não guardando qualquer relação com grandezas exatas nem com o sentido filosófico de realidade.


































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