VIOLAÇÃO DE
SOBERANIA
A insuspeitada
instalação de uma base norte-americana de espionagem no Brasil revela duas faces de uma mesma moeda.
Enquanto gigantes econômicos como China, Índia, Rússia e União Europeia são
espionados pelos Estados Unidos através do Brasil, as nações desenvolvidas do
Planeta espionam-se umas a outras utilizando seus sofisticados sistemas
eletrônicos de monitoramento de dados militares, industriais, financeiros e
culturais. Mas, por que o Brasil? Porque o Brasil é uma democracia aberta, em
pleno desenvolvimento dos recursos de TI e sem as salvaguardas de proteção eletrônica implantadas por países como Irã, China e
Rússia. Como as grandes corporações internacionais de comunicação encontram no
Brasil fértil campo para expansão dos
seus negócios, transitam por aqui informações valiosas para os conglomerados industriais e de pesquisas, principalmente dos
estados Unidos. Os programas científicos desenvolvidos nas universidades brasileiras e
os projetos de desenvolvimento da indústria nacional interessam aos Estados Unidos, que não querem
um concorrente em seu “quintal”. Ainda mais, que tem o pré – sal, uma fonte de
exploração de petróleo tão importante que levou os Estados Unidos e
ressuscitarem a 4ª Esquadra patrulhando o Atlântico Sul, como se estivéssemos ainda
vivendo os horrores da 2ª Guerra Mundial.
As bases de espionagem
eletrônica também foram instaladas na Colômbia, Bolívia e Venezuela. Tem tudo a
ver. Do ponto de vista político, esses países têm caminhado por veredas que não
são aquelas traçadas pela cartilha do
Tio Sam. Além do mais, a obsessão norte-americana de se proteger contra ações
terroristas leva seus agentes de espionagens a monitorarem as movimentações dos
países da América do Sul, principalmente o chamado Cone Sul, onde supostamente
se concentram grupos islâmicos que
podem, na paranoia norte-americana, planejar e executar ações terroristas
contra seu território ou contra seus interesses no Continente. É hipocrisia
dizer que só os Estados Unidos espionam os países suspeitos. Todos os países,
inclusive o Brasil, vigiam seus amigos e vizinhos. Agora, invadir a área de
comunicação dos países amigos e roubar dados reservados desses países é mais do
que uma ação preventiva, porque é na verdade uma ação criminosa.
As ações de espionagem
dos Estados Unidos no Brasil violam a soberania brasileira. Os norte-americanos
têm o direito de se defenderem, mas não invadindo a privacidade de nação amiga.
O poderio militar e econômico dos Estados Unidos impõe a necessidade de manter uma
gigantesca máquina de controle de suas bases operacionais e os obriga
a terceirizar suas atividades. E isso
abre brechas para vaz amento de informações, sobretudo por parte de empregados
das empresas indignados com o sistema opressor e invasor da poderosa estrutura norte-americana.
Foi assim que Julian Assang criou o site Wikileaks, através do qual publicou documentos
secretos dos Estados Unidos. Mais recentemente, Edward Snowden, entregou
importantes documentos secretos norte-americanos à imprensa. O feitiço,
grandioso e temido pelo mundo inteiro, está se voltando contra o feiticeiro.
Obana se diz “indignado”, mas o presidente norte-americana, simples gerente dos
interesses dos conglomerados dos Estados
Unidos, é impotente para conter a sanha invasora da máquina política, econômica
e militar daquela potência hegemônica. Quem manda lá é a CIA, para quem não
existem regras nem limites. O governo brasileiro condenou as incursões e
protestou oficialmente ante o Departamento de Estado. A Europa finge se
espantar com o noticiário pertinente, mas seus países espionam-se uns aos
outros. E nessa montanha russa de informações, vão mudar alguma coisa para
ficar tudo do jeito que está. Assim é o mundo da política e da diplomacia
internacional.
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