NUNCA DEIXE DE VIVER...
Emilio J. Moura
Viver é um
ditame divino. Para os céticos, pode ser uma inexorabilidade da Natureza.
Afinal, para estes últimos, a vida tem que continuar. Crentes ou céticos, todos
concordam num ponto: é preciso viver. E ai ocorre o grande paradoxo da
existência. A vida dá vida a vida e a cadeia de sustentação da vida é a morte.
Os seres vivos precisam morrer para assegurar a existência das espécies. Nessa
metamorfose, a fisiologia dos seres vivos de todos os reinos da Natureza se
decompõe num determinado instante a fim de
propiciar em outros momentos o (re)surgimento das novas espécies. Destino macabro, esse, o dos
seres vivos. Macabro? Um determinismo materialístico que preside a esse
concerto da preservação das espécies foge à compreensão vã dos homens.
Viver é difícil. E
perigoso. Mas é preciso viver. Desde os tempos mais remotos da presença do
homem sobre a Terra exercita-se a inexorável tarefa de viver. Há uma
indisfarçável necessidade de matar para sobreviver. A Natureza se encarrega de
selecionar as espécies animais, separando-as em caças e caçadores. No mundo
vegetal, muitas espécies já foram extintas, pela incapacidade de se
reproduzirem sem o concurso dos restos mortais de outras. Nesse reino, a luta é
aparentemente menos
violenta. Só aparentemente. O processo de recriação é
que difere um pouco daquilo que ocorre no reino animal. Mas a forma de
sobrevivência e reprodução é igualmente competitiva. A ação do homem, embora não potencialmente
decisiva para destruir o espectro vivo da Natureza, tem contribuído para
acelerar esse processo destrutivo.
A sociedade
humana é uma organização inteligente que visa atenuar os efeitos desse
desiderato natural. Sorte da raça humana que poucos foram (e ainda são) os
grupos canibais. As desigualdades de climas, solo e recursos naturais que
tornam os agrupamentos sociais tão diferentes são compensadas por princípios
capazes de assegurar a vida, mesmo em condições as mais adversas possíveis. Em
muitas regiões da Terra a vida é muito difícil; seres humanos e animais se
digladiam para continuar guardando seu
espaço, vivendo. Mesmo nessas situações adversas, é preciso viver.
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