PARTIDOS, POLÍTICOS E CORRUPÇÃO
Costumo dizer que
partido político é tudo igual. Partido bom é aquele que ainda não chegou ao
poder. Sejam de direita, de centro ou de esquerda, os partidos
políticos brasileiros têm um DNA único que os direciona para a formação
de grupos isolados dissociados dos
interesses maiores da população. Alguns grupos em plena gestação apresentam
propostas que tendem a se diferenciar do status quo dominante. É esperar que o
tempo confirme isso. Os exemplos do PSDB
e do PT confirmam nossa tese. O PSDB teve oito anos de oportunidades para
formatar uma política de desenvolvimento econômico para o País. Mas não saiu da
habitual postura das elites brasileiras, falando muito de progresso e fazendo
pouco de prático nesse sentido. A pálida Comunidade Solidária não atingiu as
camadas mais pobres da população. Mas o programa de privatização das nossas
riquezas foi violento. O caso da Companhia Vale do São Francisco é emblemático.
Um conglomerado de empresas produtivas e que dava oportunidade ao aparecimento
de técnicos brasileiros a partir do trabalho de laboratório e de campo dessas
empresas. Avaliada por baixo em cerca de duzentos bilhões de reais, a Vale do
Rio Doce foi generosamente doada ao capital privado por oito bilhões de reais. Tudo foi fatiado. A malha ferroviária foi
sucateada, e hoje sequer existe qualquer trajeto de estrada de ferro em muitas
regiões do país. Não fica por ai. Cincoenta e um bilhões de reais, liberados
pelo Banco do Brasil na gestão do PSDB, foram dados a trambiqueiros donos de bancos a pretexto de
evitar a falência dos mesmos; os bancos faliram e o dinheiro nunca voltou para
os cofres públicos. E o PSDB, com essas benesses a grupos econômicos, inclusive
os usineiros de todo País, ampliou a dívida externa brasileira, elevando-a de
120 bilhões de dólares para 164 bilhões de dólares. Nem precisa dizer que no
governo do PSDB o trabalhador brasileiro teve o maior achatamento salarial da
história do País, com perseguições de trabalhadores ativos e aposentados, estes
taxados de “vagabundos” por FHC. Justiça
seja feita, porém. Graças ao trabalho sujo feito por FHC foi possível ao PT o
salto de desenvolvimento econômico do governo Lula.
O PT optou pelo apoio
de partidos políticos que já demonstravam sintomas de esgotamento ao seu
programa de governo, perdendo a excelente oportunidade de chegar ao poder
explorando os ventos favoráveis que sopravam das ruas. E a partir desse fato,
ficou refém de lideranças políticas
carcomidas, como as do PMDB. Verdade que o governo do PT propiciou à população
brasileira melhores condições de vida,
com transferência de renda e conteve a inflação que tanto corrói o salário do
trabalhador. O acesso ao ensino técnico e à universidade pelas camadas mais
pobres da população foi um salto enorme rumo ao desenvolvimento. A crise
econômica mundial, que assolou o mundo desenvolvido em 2008, bateu com menos
força no Brasil, graças às reservas em moedas estrangeiras acumuladas pelo
governo do PT. O mundo todo encolheu – e a Europa entrou em profunda recessão,
o que dificultou as exportações brasileiras, desequilibrando a balança de
pagamento. Mas apesar de todas essas virtudes, o PT não foi capaz de dotar o
País de uma infraestrutura básica, não ampliou sua capacidade de produção
industrial e neste momento demonstra não ter forças suficientes para enfrentar
e derrotar o monstro da corrupção que está na base do sistema político
brasileiro. Qualquer que seja o partido que venha a governar o Brasil a partir
de 2014, os políticos serão os mesmos, e com eles a corrupção continuará. Que
fazer, então? Boa pergunta. Difícil será encontrar uma resposta convincente.
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