IMPORTAÇÃO DE MÉDICOS ESTRANGEIROS
UMA
BOA DISCUSSÃO
As manifestações de rua
que ocorreram no Brasil nessas últimas semanas levantaram bandeiras importantes
para a formatação de um país melhor. Entre as várias questões discutidas,
entrou a precariedade dos serviços públicos de saúde. A maior ênfase foi dada
pela posição marcada por médicos brasileiros contra a vinda de médicos
estrangeiros para trabalhar no Brasil. O governo brasileiro, respondendo aos
questionamentos das ruas, propôs algumas saídas. Uma delas é trazer médicos
espanhóis e portugueses, talvez cubanos, para atuarem em áreas descobertas de
assistência médica, como a periferia das grandes cidades do Norte e Nordeste e
o interior do País.
Médicos e associações
de classe da área reagem à ideia, alegado que não faltam médicos no País, e sim
condições de trabalho para que possam atuar nos mais distantes rincões do País.
Trocando em miúdo, faltam hospitais nas regiões mais distantes, e os que
existem não têm equipamentos para diagnostico e tratamento. Os médicos que
trabalham nessas regiões são nomeados
pelos prefeitos, eles não têm qualquer direito trabalhista, sequer um contrato
formal, além de baixos salários. O governo alega que melhorará as condições de
trabalho para quem queira tabalhar nos rincões mais distantes, pagará salários
de 10 mil reais e convocará primeiro os médicos brasileiros.
Se eles não quiserem, serão chamados os médicos estrangeiros. Os órgãos
corporativos da classe médica colocam vários questionamentos às propostas do
governo e a discussão ainda vai durar um bom tempo. Falam do programa Revalida,
do domínio da língua portuguesa, entre outros itens. Verdade que os médicos
espanhóis e portugueses, que vão ficando desempregados em seus países por causa da crise
econômica europeia, e os cubanos, têm melhor formação acadêmica do que os
médicos brasileiros.
Uma coisa é indiscutível:
faltam médicos sim no País. A relação médico-população está abaixo dos índices
recomendados pela OMS. As populações mais carentes sofrem com o péssimo
atendimento na rede pública de saúde, onde não há especialistas em várias
áreas, inclusive nas básicas como clínica geral, pediatria e ginecologia, faltam
equipamentos de diagnostico por imagem, escasseiam medicamentos, e por ai vai. Será
necessário construir e equipar perto de cinco mil hospitais no Brasil e
reformar e equipar os que existem. Se vão ser médicos brasileiros ou
estrangeiros que irão trabalhar nos lugares mais distantes, é uma questão que
as discussões ora processadas irão determinar. Mas que é oportuna essa
discussão, ah, isso é.
Nenhum comentário:
Postar um comentário