VIA SACRA DA JMJ
RETRATO DO QUE DEVERIA SER A SOCIEDADE-
A Jornada Mundial da Juventude,
em seu 5º dia, apresentou na tarde-noite
dessa sexta-feira, numa versão produzida de alta elaboração artística a Via
Sacra. Cerca de 1 milhão e 500 mil pessoas se espremiam na praia de Copacabana
para assistir ao grandioso espetáculo. E outros milhões de pessoas assistiram
pela televisão a encenação da saga de Jesus Cristo, segundo a visão da Igreja
Católica. Impressionou o espetáculo pela atualização histórica da mensagem
contida na Bíblia. Não pelo aspecto litúrgico – não somos católicos, mas pela
mensagem em si, com a contextualização dos problemas sociais, morais e
espirituais do mundo moderno em cada uma
das 14 estações em que se dividiu a Via
Sacra montada na praia famosa. Atores e atrizes
representaram as figuras bíblicas
ou leram textos do Evangelho para uma multidão atenciosa. A serenidade
do papa Francisco, sentado lá na sua cadeira especial a assistir a encenação ou
rezando em silêncio, deu um toque especial ao espetáculo de arte e fé. Uma juventude ordeira, esperançosa,
entusiasmada é bem um exemplo do que poderia ser a juventude em geral, livre
das drogas, frequentando regularmente a
escola, tendo emprego e renda, habitação e lazer decentes, vivendo em segurança
nas violentas cidades do mundo inteiro, não morrendo em acidentes de motos ou
em consequência dos quais superlotam leitos de emergência que faltam para
atendimento dos outros casos de emergências, bem como poderia ser o retrato de
uma sociedade onde as crianças não
morreriam de fome nos rincões do Nordeste
brasileiro e em áreas da Ásia e muitos
lugares da África e os idosos não
tivessem que penar nas filas dos hospitais, onde faltam médicos, equipamentos
de diagnóstico por imagem, remédios e material de curativo ou viajar em ônibus superlotados e sujos,
raros e sem assentos suficientes ou ainda sofrer nas filas dos bancos para
receberem suas minguadas aposentadorias. Onde as meninas mais pobres não
engravidassem na desestruturação das suas famílias ou se prostituíssem num mundo
explorado pela selvageria do capitalismo, promotora dessa orgia de sexo
desenfreado, drogas e libertinagem.
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